Agressões, insultos e polícia levam à saída de Gonçalo Feio do Radomiak
Gonçalo Feio, treinador do Radomiak, está de saída do clube polaco, depois de uma sequência de acontecimentos que envolveram insultos, uma agressão e chamada da polícia após a derrota por 0-1 no passado domingo frente ao Katowice, em jogo a contar para o campeonato da Polónia.
Tudo terá começado após o apito final. Feio, castigado, viu o jogo num camarote e ter-se-á queixado do estado do relvado, responsabilizando-o pela derrota, a Dariusz Wójcik, vereador municipal e também funcionário do clube, quando seguia para o balneário.
A troca de argumentos continuou depois, perto do gabinete do treinador, com insultos e uma agressão por parte do membro da autarquia. A esposa, que estava presente, foi mesmo obrigada a chamar as autoridades.
«No domingo, por volta das 17h, a sede da Polícia Municipal de Radom recebeu uma denúncia de perturbação da ordem pública na Rua Struga. Agentes foram ao local. As primeiras informações indicam que dois homens trocaram palavras. O homem de 57 anos terá então agredido o de 36 anos com um soco no rosto», disse fonte da polícia local aos polacos da TVPSPORT.PL.
Segundo confirmou a A BOLA junto de fonte próxima do treinador, o presidente e os jogadores do Radomiak pediram ao técnico para continuar no clube, mas as partes estão a trabalhar para chegarem a um acordo de rescisão.
«Disse-lhe para não me chamar 'filho da p...'»
O vereador Dariusz Wójcik já avançou com uma versão dos acontecimentos. «Quem nunca trabalhou com o técnico Feio não sabe o quão traumático pode ser trabalhar com ele. Os insultos são uma constante», começou por dizer, em declarações ao site Weszlo. «Saí do camarote e o técnico disse: 'Como é que preparaste o campo, seu filho da p...?' Peço desculpa se estou a ser malcriado, mas foi assim que aconteceu. Escondi-me, nervoso, em choque. Voltei para o camarote», prosseguiu o funcionário.
Wójcik afirmou que a alegada agressão foi «um toque leve na bochecha». «Mais tarde, enquanto esperava pelo meu filho no corredor, pensei que o treinador estivesse no gabinete dele e que não teria mais oportunidade de vê-lo. Gritei-lhe que não queria que me chamasse de filho da p..., porque a minha mãe não era esse tipo de pessoa. Ele começou a aproximar-se. Chegou tão perto que pensei que me fosse dar uma cabeçada. Instintivamente protegi-me com a mão, mas infelizmente estávamos muito perto um do outro e acabei por lhe tocar levemente na bochecha», acrescentou.
Apesar de ter confirmado ter pedido desculpa a Gonçalo Feio quando ambos se cruzaram na esquadra policial, o vereador adiantou que, tal como o técnico, avançará para tribunal: «Aguardarei o veredicto. Tenho minhas testemunhas, as pessoas ouviram como fui insultado.»