Fabio Cannavaro, ex-jogador, técnico italiano e selecionador do Uzbequistão no Mundial-2026
Fabio Cannavaro, ex-jogador, técnico italiano e selecionador do Uzbequistão no Mundial-2026 - Foto: IMAGO

Adversário de Portugal no Mundial-2026 deixa aviso: «Não temos nada a perder»

Cannavaro, campeão do Mundo por Itália em 2006, lidera o Uzbequistão para o seu primeiro Campeonato do Mundo

Fabio Cannavaro, campeão do mundo por Itália em 2006, prepara-se para um novo desafio na sua carreira, agora como selecionador do Uzbequistão, equipa que irá orientar na sua estreia histórica num Campeonato do Mundo, tendo pela frente Portugal na fase de grupos. O antigo defesa lidera os Lobos Brancos numa caminhada notável, que culminou com um apuramento inédito.

O antigo craque do Real Madrid e da Juventus destacou a mentalidade do país, que considera uma vantagem competitiva. «A paixão do país pelo desporto é enorme, não só pelo futebol, mas especialmente por desportos de combate como o boxe. O Uzbequistão está frequentemente no primeiro lugar do ranking mundial», afirmou Cannavaro, acrescentando: «Isto significa que o povo uzbeque é lutador por natureza — nunca desiste. Em termos de caráter, eles, ou melhor, nós, não ficamos atrás de ninguém!»

O selecionador italiano revelou a mensagem que transmite aos seus jogadores, entre os quais se destaca Abdukodir Khusanov, defesa do Manchester City. «Ele é certamente um dos jogadores mais representativos da seleção, um líder a seguir apesar de ter apenas 22 anos — uma espécie de bússola que aponta o caminho», afirmou. «Digo-lhes sempre o mesmo: pela primeira vez vão jogar num Mundial, não têm nada a perder. Abordem cada jogo com a máxima calma, divirtam-se o mais possível e, se sentirem ansiedade, que seja uma ansiedade positiva.»

Cannavaro assumiu o cargo em agosto passado, após uma visita ao país para um jogo de lendas, e ficou imediatamente impressionado com o projeto. «A seleção tinha acabado de garantir a qualificação para o primeiro Mundial da sua história, um resultado que encheu de orgulho um país inteiro», recordou. «A federação procurava um novo selecionador com experiência internacional. Vi as instalações, visitei o novo centro desportivo — belo e moderno — e compreendi o desejo deles de se abrirem ao mundo e a necessidade de continuarem a crescer.»

O investimento na formação de jovens foi um dos aspetos que mais cativou o técnico italiano. «Fiquei imediatamente impressionado com as academias: o trabalho meticuloso com os jovens jogadores estava no centro do projeto deles, e agora também do meu. Graças aos jovens, a equipa continuará a crescer ao longo do tempo — isso é uma certeza», garantiu.

Apesar do bom desenvolvimento técnico, Cannavaro identificou áreas a melhorar, nomeadamente a intensidade competitiva. «A intensidade do campeonato não é muito alta. Este foi um dos primeiros temas que a minha equipa técnica e eu discutimos. A intensidade de jogo precisa de aumentar — é essencial para ter um bom desempenho além-fronteiras», explicou. «Caso contrário, quando a seleção joga no estrangeiro, após 60 ou 70 minutos, sofremos uma quebra de rendimento clara e, como resultado, tornamo-nos vulneráveis.»

No Mundial de 2026, o Uzbequistão integra um grupo com Portugal, Colômbia e o vencedor de um play-off que inclui Congo, Jamaica e Nova Caledónia. A reputação de Cannavaro é vista como um trunfo, mas o treinador está ciente das elevadas expectativas dos adeptos. «Sim, por vezes até em demasia! Encontro adeptos que me pedem para ganhar o Mundial… Os uzbeques estão por todo o mundo e sei com certeza que no Mundial os nossos adeptos farão a sua parte», concluiu.

Sobre a sua transição para treinador, Cannavaro reflete: «O futebol deu-me tudo em termos de vitórias quando era jogador. Como treinador, está a dar-me muito em termos de experiências de vida: aprendi línguas, descobri culturas diferentes e permite-me crescer como pessoa». O italiano terminou expressando o seu desejo de ver o Uzbequistão no Mundial: «Mal posso esperar que o Mundial comece — o Uzbequistão como um todo merece viver esse momento com paixão e emoção.»