Meesseman vive com um défice auditivo de 60 pr cento. IMAGO
Meesseman vive com um défice auditivo de 60 pr cento. IMAGO

A rainha do basquetebol europeu é surda

Em 2025 Meesseman conquistou o ouro no Europeu, numa final memorável contra a Espanha, e nunca a sua deficiência foi problema numa carreira incrível que passou também pela WNBA. Depois de ser gozada em miúda, assume agora, sem pudor, os aparelhos

Emma Meesseman, uma das melhores jogadoras do mundo, superou um défice auditivo de 60% para construir uma carreira recheada de títulos, incluindo a recente conquista da Euroliga pelo Fenerbahçe. A basquetebolista belga utiliza aparelhos auditivos, mas já chegou a bater recordes de pontuação em jogos onde se esqueceu de os carregar.

Para qualquer atleta, não conseguir ouvir o apito do árbitro, as indicações do treinador ou as vozes das colegas de equipa seria um obstáculo significativo. No entanto, para Emma Meesseman, nascida em Ypres, na Bélgica, a 13 de maio de 1993, esta é uma realidade que nunca a impediu de atingir a perfeição em campo. Apesar de depender de aparelhos auditivos, por vezes, um simples esquecimento em carregá-los obrigou-a a jogar sem eles, o que não a travou.

Recentemente, Meesseman foi uma figura estelar na conquista da Euroliga de 2026 pelo Fenerbahce, que derrotou o Galatasaray por 68-55. Na final, a jogadora belga foi decisiva, contribuindo com 20 pontos, 5 ressaltos e 4 assistências, o que lhe valeu a distinção de MVP da final. Este foi o terceiro título europeu para a equipa orientada por Miguel Méndez e o sétimo troféu da Euroliga para a atleta.

O palmarés de Meesseman é, de facto, estratosférico. Filha de Sonja Tankrey, também ela antiga jogadora de basquetebol, a sua presença física, com 1,93 m e 87 kg, impõe-se no campo. Em 2017, liderou a seleção belga à medalha de bronze no Eurobasket, e em 2025 conquistou o ouro, numa final memorável contra a Espanha (67-65), após recuperar de uma desvantagem de 12 pontos a três minutos do fim.

A sua impressionante lista de conquistas inclui ainda um título da WNBA, 11 campeonatos nacionais entre a Turquia, a Rússia e a Bélgica, e 19 taças e supertaças. Individualmente, foi nomeada MVP das Finais da WNBA em 2019, três vezes MVP da Euroliga e duas vezes MVP do Eurobasket, consolidando o seu estatuto como uma das melhores do mundo, apesar da sua condição.

A jornada de Meesseman nem sempre foi fácil. Durante a infância, foi alvo de chacota por parte de colegas, mas aprendeu a ignorá-las. Superou a vergonha de usar aparelhos auditivos na adolescência e iniciou a sua carreira profissional em 2012, no ESB Villeneuve-d’Ascq. Passou ainda por clubes como o Spartak de Moscovo e o Ekaterinburg, acumulando títulos.

Em 2013, foi selecionada no draft da WNBA pelos Washington Mystics, o que lhe permitiu competir em ambos os lados do Atlântico, jogando na Europa durante o inverno e nos Estados Unidos no verão, onde representou também os Chicago Sky. Em 2022, assinou pelo Fenerbahce e, em 2025, juntou-se aos New York Liberty.

Apesar de já ter conquistado praticamente tudo, Emma Meesseman mantém uma sede insaciável por vitórias.