Irankunda, Sporting-Académico de Viseu (foto: Miguel Nunes)
Irankunda, Sporting-Académico de Viseu (foto: Miguel Nunes)

A queda fez barulho, mas o ruído da assobiadela... (crónica)

Leão volta a mostrar dificuldades frente a equipas de bloco mais baixo e de transição rápida; são agora 9 pontos de distância para o líder FC Porto; Académico com vitória histórica fez ouvir «Viseu» em Alvalade

Era para ser um jogo de redenção leonina, acabou em descalabro e numa manifestação ruidosa dos adeptos após o apito final. O Académico de Viseu voltou a vencer em Alvalade depois de 45 anos, mesmo que Suárez continue a «ser fixe», pois fez também ele o que um jogador de outros tempos, Peyroteo, fez. Mas voltámos a um mundo a preto e branco, as cores academistas, e por isso, João Guilherme sai como o último herói do campo de batalha leonino, com um bis que vai ecoar pelos anos fora, tal como os cânticos de «Académico, Académico» ou «Viseu, Viseu» ouvidos em pleno José Alvalade.

A obrigação do Sporting não surgia apenas e só pela dimensão dos dois clubes. Vinha pela derrota com o LASK Linz, pela classificação e por uma ideia: a de que tem ainda dificuldades perante equipas que baixam bloco.

Os leões tentaram desde cedo ameaçar a baliza contrária, mas, numa frase que percorre o tempo, houve muita parra e pouca uva. Os remates foram defeituosos e Ewerton foi mais protagonista pelo que fazia com os pés, a distribuir jogo e a bater a pressão leonina por cima.

O Académico era a equipa em melhor forma na Liga a seguir ao FC Porto. Ao conseguir a quinta vitória consecutiva frente aos leões, continua a sê-lo. Mesmo que tenha sido eliminado na Taça de Portugal. Também não tinha perdido fora do Fontelo, com o mediático empate na Luz a abrir. Ora, isso pode não dizer nada do Sporting, mas diz alguma coisa dos viseenses. Bruno Pinheiro montou a equipa para pressionar o Sporting na frente nalguns momentos, sair bem em transição, a jogar no risco ao construir desde Ewerton que, quando necessário, chamava o físico de Clóvis e, ainda, sofrer. Enquanto teve «pernas», o Académico foi segurando de alguma maneira os extremos Irankunda e Luís Guilherme - este uma das três alterações de Rui Borges, sem que isso melhorasse a imagem que o leão trazia da Liga dos Campeões. O primeiro tempo teve um golo anulado ao Académico e um penálti a favor do Sporting revertido. Mas o que se via era um leão com mais bola, muito rematador, mas que tinha pouca pontaria: ao descanso, via-se 7 vs 0 em cantos, 10 remates vs 3, 1 vs 1 enquadrados, 4 oportunidades de golo vs 2. E, claro, 0-1 em golos.

A segunda parte trouxe um Sporting mais emocional, que empurrou o Académico para trás. O número de ataques aumentou significativamente, com Rui Borges a juntar Ioannidis a Suárez. Irankunda continuava a criar na esquerda, mas foi o colombiano quem fezgolo da ordem: Suárez marcou pelo 10.º jogo seguido. Quando parecia que o leão podia embalar para a reviravolta, o Académico marcou como fizera antes: cruzamento da direita, João Guilherme a rematar para golo na esquerda. Até final, o Sporting teve várias ocasiões, até atirou ao poste, mas caiu com estrondo. Mais do que o estrondo da queda, fica o ruído da assobiadela e os nove pontos para o líder FC Porto.

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