João Ricardo Pereira, médico e adepto do Benfica (foto: D. R.)
João Ricardo Pereira, médico e adepto do Benfica (foto: D. R.)

A história de quem já tem mais Benfica do que anos de vida

João Ricardo Pereira completa em Madrid a 50.ª deslocação no apoio à equipa nas competições europeias — 38 estádios, 15 países

Há muitas histórias de adeptos que transformam o amor ao clube numa forma de vida. Mas a paixão ganha outro peso quando tem nome próprio. É o caso de João Ricardo Pereira, médico de 41 anos e «benfiquista doente», que estará no Estádio Santiago Bernabéu esta quarta-feira para apoiar o Benfica frente ao Real Madrid, na segunda mão do play-off de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões.

O jogo marcará um momento especial: será a 50.ª viagem europeia de João Ricardo para acompanhar as águias. «Vale sempre a pena», confessa, recordando que já visitou 15 países e 38 estádios em nome da paixão pelo Benfica — 14 jogos da Liga Europa, 34 da Champions e o Mundial de Clubes. «Por vezes repito viagens na mesma época, mas não há arrependimentos», garante.

Natural de Coimbra e assistente graduado de medicina interna no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais, instituição na já presidiu o conselho diretivo, João explica que o benfiquismo lhe foi transmitido pelo pai, embora a maioria da família seja sportinguista. «Ia poucas vezes ao antigo Estádio da Luz, mas na faculdade, com os amigos, passei a ir mais. Ajusto o trabalho às viagens quando posso, sem nunca colocar em causa a parte profissional — acumulo folgas, faço noites e fins de semana, e assim consigo manter esta rotina. Já são 50 viagens!», diz com orgulho.

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Além das deslocações, João destaca a vertente social dessas experiências: «Fui conhecendo muitas pessoas, alguns imigrantes, e as viagens também servem para nos reencontrarmos.» A família apoia a sua paixão, sobretudo a irmã, 14 anos mais nova e que acompanha João muitas vezes. «Em casa vemos quase todos os jogos. A minha mulher já conhece esta rotina há muito tempo e respeita-a», conta, sorrindo.

Mesmo no hospital, o espírito desportivo não fica de fora. «Temos uma equipa federada de andebol em cadeira de rodas — somos o único hospital com essa vertente. Já os levei a ver um jogo ao Estádio da Luz com a ajuda da Fundação Benfica», recorda.

Estou entusiasmado: são dois clubes históricos, num estádio mítico!

Quanto ao embate com o Real Madrid, João admite que esperava um ambiente mais simpático, antes dos episódios com Prestianni e Vinícius Júnior em Lisboa. Lamenta também a ausência de José Mourinho no banco devido à expulsão no primeiro jogo. «Ele é muito respeitado aqui e a sua ausência tira simpatia ao ambiente. Mas estou entusiasmado: são dois clubes históricos, num estádio mítico!», afirma com confiança.

Se for preciso, voltamos a chamar o Trubin.

Sobre as hipóteses do Benfica, o adepto mantém a crença: «Mesmo depois do 0-1 na Luz, acredito. São onze contra onze — e se for preciso, voltamos a chamar o Trubin, nem seja assim outra vez!», brinca.

Espero que Mourinho fique na próxima época, seria a prova dos nove.

João Ricardo Pereira considera ainda que a chegada de José Mourinho ao Benfica foi «muito positiva». «É um treinador que pode tornar o clube estruturalmente mais forte. Assume responsabilidades, dá segurança aos adeptos quando se pensa no futuro. Não teve a equipa que certamente desejava, mas se ficar na próxima época — e espero que sim — será a prova dos nove», projeta.

Entre os jogadores o atual plantel dos encarnados, destaca Otamendi como «grande referência» e gostaria de o ver continuar «mais uma época», uma vez que o central e capitão termina a ligação ao clune no próximo verão.

Quero que seja uma viagem coberta de glória.

Em Madrid, João sonha que esta 50.ª deslocação europeia tenha um final à altura: «Quero que seja uma viagem coberta de glória.»

João Ricardo Pereira será um dos poucos milhares de benfiquistas que estarão nas bancadas do imponente e asfixiante Santiago Bernabéu, mas onde seguramente se tentarão fazer ouvir. «O ambiente que se cria, as pessoas que conhecemos, tudo é muito especial nestas viagens», finaliza João Ricardo Pereira, que nos recorda como o futebol e o amor dos adeptos aos clubes não pode e não deve nunca ser desvalorizado.