Mundial
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A França marca, morde e é imune aos trovões (crónica)
Demorou quase quatro horas devido a uma longa interrupção devido ao mau tempo, mas nenhuma intempérie parece travar o ímpeto dos franceses nem ofuscar a genialidade de uma frente de ataque sem comparação e que mais uma vez foi liderada por Kylian Mbappé: o França-Iraque foi mais uma demonstração de superioridade do finalista vencido de 2022, que entra neste Mundial disposto a reparar a História. Para já, o primeiro passo está dado: a qualificação para os 16 avos de final.
Deschamps mudou três peças em relação ao jogo da primeira jornada — entradas de Barcola, Digne e Koné para os lugares de Doué, Hernández e Tchouaméni —, apostando, ainda, em Olise no corredor central, atrás de Mbappé, com Dembélé a atuar sobre a ala direita. E a França entrou bem, com os primeiros minutos a deixarem claro o fosso entre as duas seleções, A equipa de Didier Deschamps impôs um ritmo elevado, monopolizou a posse de bola, sufocou a construção iraquiana e chegou ao golo com naturalidade.
Aos 14', o suspeito do costume voltou a aparecer e a mostrar toda a sua genialidade: Mbappé recebeu de Olise e, de fora de área, atirou forte para um golaço, de pé esquerdo. O capitão gaulês chegou aos 15 golos em Mundiais e igualou Ronaldo, o Fenómeno, na 100.ª internacionalização. Acabou por ser o momento alto do primeiro tempo, que pouco (ou nada) mais teve a destacar.
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— sport tv (@sporttvportugal) June 22, 2026
Ao intervalo, entrou em campo uma adversária (in)esperada: a tempestade. Pela primeira vez neste Mundial, as condições meteorológicas obrigaram à interrupção de uma partida, com o alerta severo a forçar a evacuação das bancadas. O descanso prolongou-se por cerca de uma hora e meia, enquanto jogadores e adeptos aguardavam que o céu permitisse o recomeço do jogo.
O recomeço da partida deu-se quando o relógio marcava as 01h00 em Lisboa. Mbappé, que durante o aquecimento após longa pausa pediu para testar uma e outra vez o relvado para os exercícios de finalização, mostrava ao que vinha: a segunda parte teria de mostrar ainda mais agressividade da sua equipa.
E assim foi: aproveitando uma enorme aselhice numa saída de bola do Iraque, num lance em que tanto se pode culpar o defesa que atirou uma granada para os pés do seu guarda-redes, como o guardião que não teve boa reação, Dembelé recebeu e de imediato passou a Mbappé, que atirou de baliza aberta. O jogador do Real Madrid assinava assim o 16.ª golo em 16 jogos em Mundiais - não foi só um golo, foi história a acontecer.
O jogo ficava praticamente resolvido, mas os franceses não desarmavam no pressing. E se Mbappé tinha fome, os outros também. Noutra saída errada de bola, Olise recebeu recebeu junto à linha do lado esquerdo, foi avançado em diagonal e de trivela encontrou Dembelé, que teve uma receção deliciosa e atirou de pé direito, cruzado.
Olise ainda viria a atirar uma bola à barra, Mbappé ainda desperdiçou um par de oportunidades, mas o que ficou na retina foi a atitude agressiva de uma França que não se limitou a passear criatividade. Os talentosos avançados morderam nos adversários e essa é uma saúde que deixa qualquer treinador ou selecionador satisfeito.
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