A festa continua em Guimarães! «Momento eterno» celebrado na Câmara
Há, neste momento, um grande ambiente de festa na cidade-berço. Isso foi visível no último fim-de-semana, no Largo do Toural, após a conquista da Allianz Cup. Foi patente no ambiente vivido no jogo deste domingo no D. Afonso Henriques, frente ao FC Porto. E foi confirmado na saudação aos vitorianos nos Paços do Concelho.
No mítico Largo do Toural, a fazer tempo, a meio da tarde, estava o sr. Melo, de 76 anos. Sócio 289 do Vitória de Guimarães, afirmou que só não vai ao estádio quando não pode. Mas fora… a história é diferente (e com direito a trauma): «Tenho 55 anos de sócio, mas, desde que tive de fugir por debaixo dos cavalos, em Matosinhos, nunca mais fui ver jogos fora… Foi nos anos 70. Tínhamos nós o Pé de Canhão. Sabe quem era? António Mendes.» Não foi ver a final da Taça da Liga a Leiria. Ainda assim, viveu-a intensamente: «O nosso maior prazer é ficar à frente do SC Braga. É um bairrismo entre os dois…»
Já em frente à Câmara, nem 500 metros acima, no Largo Cónego José Maria Gomes, pronto para receber os craques estava José Peixoto, de 67 anos. Concorda que não há como vencer o arquirrival: «Seja que jogo for entre Vitória e SC Braga, até amigável. Eu sinceramente digo: claro que gosto que o Vitória ganhe sempre, mas contra eles tem outro sabor, é óbvio.»
No mesmo local, subidos num banco e ansiosos por verem os jogadores a exibir Taça, estavam Viterbo Coutinho (70 anos) e Gonçalo (13 anos) - avô e neto. «Em Guimarães só há Vitória. Não há SC Braga, não há Benfica, não há FC Porto, não há Sporting. Em Guimarães é só Vitória. É uma sensação que não se explica», afirmou o mais pequeno, com orgulho. «Eu vou mais além: na minha fase da juventude, perguntarem a alguém de Guimarães qual era o seu clube era como se fosse um insulto», interveio o avô Viterbo. «Mesmo sem títulos, serei sempre do Vitória», concluiu o neto.
«Esta conquista é de todos os vitorianos»
Dentro da Câmara, os heróis foram recebidos pouco depois das 17h. Primeiro falou o capitão, Samu: «Para nós é um orgulho fazer parte da história deste grande clube. Esta conquista não é só nossa, mas sim de todos os vitorianos. A receção que tivemos no Toural é prova disso.» Depois, foi a vez do mister, Luís Pinto: «É com muito orgulho que estamos aqui. Significa que conseguimos fazer algo que é importante para a cidade e para os vitorianos. Sabemos o caminho que temos de percorrer para continuar a dar alegrias e a dignificar o clube e a cidade.»
Seguiu-se o discurso do presidente, António Miguel Cardoso, onde destacou a «força do projeto» dos conquistadores, destacando o papel da formação: «Aquilo que hoje aqui se distingue não é apenas um troféu. É um caminho. Um caminho construído com esforço, com sacrifício, com coragem e com união. Esta conquista revela a força deste projeto, que é sustentado na formação, com consistência e com a convicção de quem constrói com identidade e com futuro.»
A fechar, antes de os jogadores saírem à praça para mostrar o troféu, falou o anfitrião da cerimónia. O presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, garantiu que o seu executivo caminhará sempre «ao lado» do clube, para «fazer cumprir os sonhos» dos vimaranenses: «A Câmara recebe-vos como se recebe quem faz história por Guimarães. Deram ao Vitória uma conquista inédita e à cidade um momento eterno. Guimarães está convosco e nunca esquecerá o que fizeram.»
O autarca dirigiu-se ainda aos adeptos: «Caros vitorianos, vocês não assistem ao Vitória. Vocês são parte do Vitória. Por isso é que somos únicos.» «Viva o Vitória. Viva Guimarães», concluiu Ricardo Araújo, antes da Taça ir, finalmente, para o exterior, para grande euforia dos adeptos vimaranenses.