«A erosão da autoridade do ‘manager’ tem sido gradual»
Sir Gareth Southgate publicou um artigo no LinkedIn onde abordou a mudança que os treinadores de futebol têm experienciado na autoridade que exercem, destacando a transição de manager para coach que tem ocorrido, fazendo lembrar as palavras de Ruben Amorim um dia antes de ser despedido do Manchester United.
«Para pararmos com tudo isto, e eu notei que recebem informação seletiva, vim para ser o manager do Manchester United, não para ser o treinador do Manchester United. Isso é claro. Sei que não me chamo Tuchel, não me chamo Conte, não me chamo Mourinho, mas sou o manager do Manchester United», disse na altura Amorim. Mas o treinador inglês acredita que o manager está a deixar de existir no futebol.
«A erosão da autoridade de um manager tem sido um processo gradual ao longo de muitos anos. Acelerou com a introdução generalizada de diretores de futebol, técnicos ou desportivos, que agora supervisionam a estratégia a longo prazo, respondem diretamente aos proprietários e estão estruturalmente acima do treinador», explicou.
Sir Gareth Southgate esclarece que «não tem qualquer problema com esta evolução», mas também acredita que esta mudança de paradigma está na origem dos despedimentos recentes de Ruben Amorim, de Enzo Maresca, do Chelsea, e de Xabi Alonso do Real Madrid.
«Embora cada um tenha saído em circunstâncias ligeiramente diferentes e por mais do que uma razão, as lutas de poder com os dirigentes do clube (Amorim), os funcionários do clube (Maresca) ou os jogadores (Alonso) foram, em última análise, as causas principais do fim de cada mandato», argumentou.
Para o técnico, juntar a «complexidade da gestão dos jogadores dos tempos modernos (muitos dos quais são efetivamente marcas individuais)» com os «riscos financeiros dos clubes» e «o escrutínio implacável dos media» acaba por criar «um caldeirão significativo de problemas e pressões».
Assim, a nomenclatura do cargo (quer seja manager ou coach) também leva a «mudanças subtis, por vezes não intencionais, de poder e de estatuto» e, por isso, Sir Gareth Southgate disse pensar da mesma forma de Amorim.
Quando lhe foi proposto o cargo de selecionar de Inglaterra, foi com a denominação de coach, e o técnico insistiu em mudar esse nome para manager, de modo a refletir a «autoridade, influência e controlo» que precisava para aquele trabalho.
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