Caravela corrigiu rota mas ainda está longe do porto (crónica)
O Rio Ave tem uma caravela como símbolo mas ainda não foi desta que, apesar de ter corrigido um pouco a rota, o barco terá encontrado o caminho marítimo para bom porto, leia-se a manutenção, embora continue acima da linha de água.
Os da casa vinham numa sequência assustadora, terrível ou horrível — todos os adjetivos se aplicam — de seis derrotas consecutivas mas apresentavam-se com o pequeno suplemento de alma de estrearem um novo delegado ao jogo no banco, o diretor técnico Bruno Alves e de festejarem o milésimo jogo no principal escalão do futebol cá do burgo. O encontro culminou com um empate a zero e, diga-se, foi por milésimos que a vitória não caiu para um lado ou para o outro. Primeiro, por milésimos de centímetro Pedro Santos, aos 50 minutos, depois de ter enrolado toda a gente e mais alguma dentro da área, acertou no poste direito da baliza de Van der Gouw. Pouco depois, aos 56, mais milésimos, mas neste caso de segundo, quando o checo Brabec decidiu colocar o pé à bola em cima da linha de baliza e impedir Gil Dias, após uma excelente jogada na esquerda, de marcar.
Também por milésimos, já em cima do final do encontro, após dois cantos, Léo Realpe impediu o Rio Ave de marcar. No derradeiro lance do encontro, pararam os famalicenses de respirar não por milésimos mas por alguns segundos enquanto o árbitro José Bessa ouvia as indicações da vídeoárbitra Cláudia Ribeiro se havia motivo para penálti após a bola ter tocado na mão de Ba. Ficou a deliberação, ficou a polémica — quem disse que ficariam os dois satisfeitos com um ponto para cada um?
O encontro começou com o Rio Ave a querer mostrar que o não caminha para uma tragédia grega depois do acionista Evangelos Marinakis ter decidido mudar (quase) tudo no clube na cidade piscatória que voltou-se a apresentar sem um único português para amostra no onze. Com uma linha de pressão alta, tentava asfixiar a primeira fase de construção adversária, principalmente quando Ba tinha a bola, pelo que Van de Looi teve de recuar muitos metros para haver alguma fluidez na saída.
No entanto, a melhor oportunidade só surgiu mesmo em cima do intervalo mas Ntoi em situação de privilégio permitiu grande defesa a Carevic. O filme da segunda parte já foi descrito.
Contas feitas, respiram os da casa um pouco melhor, o Famalicão continua a cheirar a Europa pois está a quatro pontos do quinto classificado o Gil Vicente mas o odor não ficou mais forte, isto na véspera dos gilistas receberem o Benfica.
As notas do Rio Ave: Van der Gouw (6); Vrousai (5), Gustavo Mancha (5), Brabec (7) e Omar Richards (6); Nikitscher (5) e Ntoi (6); Diogo Bezerra (6), Blesa (5) e Spikic (4); Tamble (5); Nelson Abbey (5), Olinho (6), Ryan Guilherme (—), Papakanellos (—) e João Tomé (5)
As notas do Famalicão: Carevic (6); Rodrigo Pinheiro (5), Ba (6), Léo Realpe (6) e Rafa Soares (6); Pedro Santos (6), Van de Looi (6) e Mathias de Amorim (7); Gil Dias (6), Abubakar (4) e Sorriso (6); Elisor (5) e Joujou (—)
AS REAÇÕES
SOTIRIS SILAIDOPOULOS (TREINADOR DO RIO AVE)
Foi um jogo em que merecemos mais do que um ponto. Começámos muito bem, tivemos oportunidade para marcar, depois houve equilíbrio e nos últimos minutos criámos muitas dificuldades ao Famalicão.Claro que não pensamos no empate, estamos a pensar em ganhar. Em todos os jogos queremos ganhar e contra o Famalicão não conseguimos acertar na baliza. Não é fácil e as minhas últimas palavras no balneário foi que não podemos estar satisfeitos com a performance da equipa porque precisamos de pontos. Eu sou o responsável pela equipa e acredito que vamos dar a volta à situação
HUGO OLIVEIRA (TREINADOR DO FAMALICÃO)
Acho que foi um jogo que me deixa amargurado porque levamos o jogo para onde queríamos. Estes jogos, contra uma equipa boa, criámos situações para definir e nestes jogos temos de definir bem. Se o fizéssemos, o jogo ia abrir e como não fizemos, o jogo esteve 0-0 e com esse resultado tudo pode acontecer e o adversário no fim acreditou. Temos de definir melhor. Nem sempre tivemos tanta bola como costumamos ter e é incrível a forma como aquela bola não entra na baliza