Emanuel Macedo de Medeiros, líder da SIGA - Foto: D.R.
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SIGA exige que consulta para reformar FIFA seja independente e transparente

«O teste não é se a FIFA anuncia uma revisão. O teste é se o processo consegue conquistar confiança», diz Emanuel Macedo de Medeiros

A SIGA (Sport Integrity Global Alliance) veio a público exigir que a consulta proposta pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, para reformar a governação do organismo seja conduzida de forma independente e transparente «desde o início». A posição da organização não-governamental surge em resposta à proposta do dirigente, recandidato ao cargo.

Recorde-se que, na passada segunda-feira, Infantino sugeriu ao Conselho da FIFA a realização de «uma consulta direta, estruturada e com prazo determinado com as confederações, federações-membro e partes interessadas relevantes». Esta iniciativa foi apresentada após o presidente da FIFA ter sido forçado a recuar num plano que previa a venda de parte dos direitos comerciais do Campeonato do Mundo a investidores privados.

Em comunicado, a SIGA, cujo diretor-executivo é o português Emanuel Macedo de Medeiros, defendeu que o Conselho da FIFA deve «iniciar a reforma através de uma resolução pública» e assegurar que o financiamento do processo «não comprometa - nem aparente comprometer a sua independência».

A organização sublinhou ainda que os responsáveis pela consulta devem ser escolhidos através de um «procedimento genuinamente independente», estar livres de conflitos de interesses e ter «plena autoridade para chegar às suas próprias conclusões e recomendações».

Para garantir a transparência, a SIGA recomendou que a FIFA publique todos os detalhes do processo, incluindo «o mandato da reforma, os termos de referência, a metodologia, o calendário, os acordos de financiamento». O relatório final e as recomendações, por sua vez, deverão ser divulgados na íntegra.

A SIGA alertou também que a reforma deve ter «um mandato tão amplo quanto as questões em jogo» e não se limitar a projetos específicos. A proposta da FIFA Forward Enterprise, que visava criar uma subsidiária para gerir os ativos comerciais e vender 20% do seu capital, deve ser analisada «como um caso de estudo relevante de governação», mas sem que a reforma se transforme numa «investigação forense ou julgue antecipadamente responsabilidades individuais».

O processo de reforma, segundo a organização, deve examinar a forma como as decisões estratégicas são tomadas e supervisionadas, bem como a adequação dos mecanismos de controlo e transparência existentes na FIFA.

Citado no comunicado, Emanuel Macedo de Medeiros foi claro: «O teste não é se a FIFA anuncia uma revisão. O teste é se o processo consegue conquistar confiança».

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