Dono das redes do emblema madeirense tem dado um forte contributo na caminhada de excelência do clube
Dono das redes do emblema madeirense tem dado um forte contributo na caminhada de excelência do clube

A caminho da Liga? Samu(rai) vence todas as batalhas

Sem espada mas com luvas de ferro, guarda-redes do Marítimo vai brilhando na Liga 2 e insulares são a equipa menos batida da prova. João atingiu Marco(s) novo em Santa Maria da Feira. Reko aos 'mortais' em Penafiel. Jair Silva continua na rotação máxima em Leiria

Quando se costuma dizer que o azar de uns é a sorte de outros... não é por mero acaso. E a época do Marítimo ficou (ou está a ser...) também marcada por esta tese. Afinal, na primeira jornada deste campeonato, Gonçalo Tabuaço — que, depois, em janeiro, foi emprestado ao Leixões — foi o escolhido por Vítor Matos (na altura, o treinador dos insulares) para defender as redes maritimistas na receção ao Lusitânia de Lourosa, mas a cerca de um quarto de hora do fim o internacional sub-21 português recebeu ordem de expulsão e o antigo técnico do Marítimo (hoje ao leme do Swansea, do segundo escalão do futebol inglês) foi obrigado a lançar o suplente, Samuel Silva.

Estava escrito nas estrelas que seria o início de uma caminhada de grande nível do luso-francês. Nascido em França, Samuel António Ferreira da Silva fez todo o percurso formativo na região de Trás-os-Montes (Abambres, e Mondinense), mudando-se, depois para o Chaves e contabilizando, pelo meio, uma cedência ao Juventude de Pedras Salgadas. Na época 2022/2023 desceria no mapa, para passar a vestir a camisola do Mafra, sendo que na temporada seguinte apanhou o avião para a Pérola do Atlântico: assinou pelo Marítimo. Depois de 20 jogos em dois anos, eis que chegou o seu momento.

E após esses minutos no jogo de estreia da presente edição da Liga 2, o lugar ficou trancado... a cadeado: Samuel Silva agarrou a baliza e não mais a largou. Passou a ser titular indiscutível e contabilizou todos os 2.490 minutos das 27 rondas seguintes. E alcançou esse feito com todo o mérito, uma vez que tem vindo a realizar exibições de elevado gabarito. Não é por acaso, refira-se, que por entre a campanha superlativa que os madeirenses têm realizado — com a subida ao principal patamar nacional (e até o título do segundo escalão...) ao virar da esquina — há também a registar o facto de serem a defesa menos batida: 21 golos sofridos em 28 jogos realizados.

Os méritos são coletivos, claro, mas no capítulo individual tem de ser atribuída uma grande dose de responsabilidade a Samu.

O keeper, que no próximo dia 12 de maio vai completar 27 anos de idade, tem voado entre os postes. Quer seja ao nível dos reflexos quando é obrigado a aplicar-se, quer quando deles tem de sair para responder aos cruzamentos. E o facto de ser um jogador particularmente atento às incidências dos desafios e rápido na reação dão-lhe larga vantagem no controlo da profundidade. O que é extremamente importante numa equipa que privilegia a posse e o ataque continuado, como o Marítimo.

O camisola 12 é Samu(rai) com luvas de ferro e vai vencendo todas as batalhas. Na época, tal como na carreira. Trata-se de mais uma autêntica... Pérola no Atlântico.

HÁ MARCO(S) NA FEIRA

Ao oitavo jogo pelo Feirense, o primeiro golo na presente edição da Liga 2. João Marcos chegou no mercado de Inverno ao emblema de Santa Maria da Feira, cedido pelo Ararat, da Arménia, e o seu poder de fogo já se começa a sentir.

O ponta de lança brasileiro conta com vasta experiência no futebol português, onde já representara Santa Clara, B SAD, Leixões e Alverca, e parece estar a reencontrar-se com o que melhor sabe fazer: golos. Além do faro, o avançado, de 25 anos, tem mobilidade apreciável e cai bem nos flancos, sendo astuto na hora de atacar a profundidade.

DE MORTAL EM MORTAL

É (também) conhecido pela forma acrobática como celebra os golos, mas, e acima de tudo, Reko é um verdadeiro carregador de piano do Penafiel, clube que representa há quatro temporadas, sendo um dos capitães.

Aos 30 anos, o camisola 8 apresenta já um currículo de respeito, com passagens por Académica, Alcorcón (Espanha), Gil Vicente e Vilaverdense, isto depois de ter passado pela formação de gilistas, Sporting e SC Braga. Sabe tudo do jogo, é forte na pressão defensiva e audaz na primeira fase de construção. E já leva sete tentos em 26 jogos, melhor marca do percurso.

MOTA ACELERA EM LEIRIA

Jair Silva tem carta e mãos para conduzir veículos motorizados de alta cilindrada. O extremo brasileiro, de 28 anos, cumpre a quinta temporada ao serviço da UD Leiria e se há coisa que não perde é velocidade.

Alinhando preferencialmente pelas faixas do ataque, o camisola 11, que já adquiriu o estatuto de mobília da casa no emblema unionista, não tem tido uma campanha tão profícua no que a golos e assistências diz respeito, mas oferece outras soluções à equipa. Porque está mais experiente e atingiu uma maturidade tática que outrora não tinha. Não é tão vertiginoso, mas é mais inteligente.