Diogo Costa travou tudo e todos! Uma noite de luxo do guarda-redes do FC Porto - Foto: IMAGO
Diogo Costa travou tudo e todos! Uma noite de luxo do guarda-redes do FC Porto - Foto: IMAGO

A beleza fria de um dragão adulto que sabe sofrer e ferir (crónica)

Semana europeia termina com ouro sobre azul no Porto. Diogo Costa com mãos de gelo foi essencial para segurar a vantagem e golaço de Froholdt trouxe a tranquilidade. Segue-se o Forest, de Vítor Pereira, nos 'quartos'

A semana europeia do futebol português fecha com chave de ouro, ou melhor, com ouro sobre azul. Depois das vitórias de Sporting e SC Braga, o FC Porto carimbou a passagem aos quartos de final da Liga Europa com uma exibição de resistência hercúlea e eficácia letal.

No Estádio do Dragão, o ouro esteve nas luvas de Diogo Costa e o azul foi pintado com pinceladas de audácia de William Gomes e com o golaço vindo do frio marcado por Victor Froholdt.

No final, o 2-0 castiga a falta de pontaria alemã e premeia o cinismo táctico de uma equipa que soube sofrer como poucas.

Francesco Farioli surpreendeu tudo e todos ao operar uma revolução no onze: oito alterações face à equipa que vencera o Moreirense. Entre as novidades, o destaque emocional ia para Thiago Silva, que cumpria o jogo 1000 de uma carreira lendária. Mas o Estugarda não estava para homenagens. Os alemães entraram com um pendor ofensivo asfixiante, pressionando alto e deixando o Dragão em sentido logo aos dois minutos, num cabeceamento perigoso de Chabot que Diogo Costa susteve com segurança.

Era o primeiro aviso. O segundo chegou aos oito minutos, quando Führich disparou à queima-roupa para uma defesa espetacular do guardião luso. O FC Porto tentava responder através da velocidade supersónica de Zaidu, mas o meio-campo parecia curto para tanta intensidade germânica.

Aos 13’, Deniz Undav quase gelou o Porto com um remate em arco que passou a centímetros do poste. Contudo, o futebol tem leis próprias e, contra a corrente, o Dragão cuspiu fogo. Aos 21 minutos, Zaidu lançou Borja Sainz; o espanhol bailou na área, aguentou a pressão e serviu William Gomes, que atirou de primeira para o fundo das redes. Eficácia pura: 1-0 no primeiro remate perigoso.

Francesco Farioli, treinador do FC Porto - Foto: IMAGO

O jogo seguiu tenso, com Pablo Rosário, Zaidu e Mora a verem amarelos precoces e o adjunto Castro a ser expulso do banco. Diogo Costa continuava a sua exibição de antologia, somando a terceira e a quarta defesas gigantes perante El Khannouss e Führich.

Contas feitas, o Estugarda chegava ao intervalo com 12 remates contra 5, mas a vantagem era portista graças ao laboratório de Farioli e... às mãos de Diogo.

Na segunda parte, Farioli lançou Froholdt para dar consistência ao miolo. O impacto foi imediato, mas o sofrimento não desapareceu. Aos 54 minutos, Diogo Costa fez a defesa da eliminatória — um reflexo instintivo a remate de Undav. O guardião português chegava às 12 defesas na eliminatória, superando o seu registo de toda a fase anterior da prova (8 jogos).

Entretanto, entrava no Estugarda o irrequieto Tiago Tomás, mas... não mudou o destino do jogo, porque, aos 71', o dragão deu o golpe de misericórdia.

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Num momento de génio absoluto, Victor Froholdt perdeu a bola, recuperou-a de imediato e, com um golpe de mestre, desferiu uma bomba de pé esquerdo que entrou no ângulo de Nubel. Um golaço vindo do gelo nórdico para selar o apuramento.

Em suma, o FC Porto protagonizou exibição adulta, de quem sabe sofrer e ferir. O dragão resistiu ao vendaval e segue agora para os quartos de final, onde reencontrará um velho conhecido: o Nottingham Forest, de Vítor Pereira. A Europa continua a falar português e o FC Porto, com as suas mãos de ouro e golos de gelo, mantém vivo o sonho. Uma noite de glória que encerra com perfeição uma semana dourada para as cores nacionais.