Mundial
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Quando se fala de empatia, a maioria das pessoas pensa na capacidade de compreender os outros. No futebol, acredito que ela vai muito mais longe. Para mim, a empatia é um princípio de jogo.
A minha forma de entender o futebol pressupõe um elevado nível de empatia entre os jogadores. Quem tem a bola guarda o elemento mais importante do jogo. É ele/a que pode criar, decidir e mudar o rumo de uma partida. Por isso, a primeira responsabilidade da equipa é protegê-lo. Proteger quem tem a bola não significa apenas aproximar-se para oferecer uma linha de passe. Significa também movimentar-se para libertar espaços, atrair adversários, criar superioridade ou simplesmente estar disponível para ajudar. Cada deslocação sem bola representa uma mensagem para o colega: «Não estás sozinho.»
É por isso que digo, muitas vezes, que a empatia também se treina. Ao longo da minha carreira tive a oportunidade de conhecer diferentes culturas futebolísticas. Uma das experiências que mais me marcou foi a formação que ministrei na NF Academy, na Noruega. O que mais me surpreendeu não foi a facilidade com que compreenderam os exercícios ou os princípios do modelo de jogo. Foi a naturalidade com que aceitaram uma ideia assente na cooperação permanente. A minha proposta de jogo encontrou uma enorme receptividade porque assentava num valor profundamente enraizado na cultura norueguesa: o coletivo acima do ego individual.
Na sociedade norueguesa existe um enorme respeito pelo outro, pelo seu espaço e pelo contributo que cada um pode dar ao grupo. O protagonismo individual nunca parece estar acima da equipa. E essa forma de viver refletia-se, de forma muito clara, dentro do campo.
Ao acompanhar a seleção da Noruega neste Mundial, reconheço muitos desses comportamentos. Independentemente do resultado final, vejo um grupo emocionalmente equilibrado, tranquilo nos momentos de pressão, solidário sem bola e permanentemente disponível para ajudar o colega. Os resultados não me surpreendem. Nem a forma como jogam.
Estou convicto de que esta seleção representa muito mais do que uma boa geração de jogadores. Representa uma ideia de futebol onde a cooperação potencia o talento e onde a inteligência coletiva vale tanto como a qualidade individual. Num futebol cada vez mais físico, mais rápido e mais estratégico, talvez a maior vantagem competitiva continue a ser profundamente humana. A empatia. As grandes equipas não são aquelas onde cada jogador procura ser o melhor. São aquelas onde cada jogador faz o colega jogar melhor.
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