O futebol é um jogo coletivo e é sempre no coletivo que estão as respostas dos grandes vencedores — Foto: CATARINA MORAIS/KAPTA+
O futebol é um jogo coletivo e é sempre no coletivo que estão as respostas dos grandes vencedores — Foto: CATARINA MORAIS/KAPTA+
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A vitória do coletivo

Sentido de pertença é o espaço de opinião de André Coelho Lima, jurista, empresário e associado do Vitória SC

1 — A nossa Seleção deu ao Mundo uma demonstração de brilho e capacidade futebolística como há muito não se via. Mais do que os resultados concludentes, o futebol praticado não deixa margem para dúvidas. Um futebol declaradamente ofensivo e de pressão alta constante, um perfume na troca de bola a fazer lembrar o Brasil de Telê Santana ou o Barcelona de Guardiola.

Portugal tem dos melhores centro-campistas do Mundo, pelo que é quase criminoso montar uma equipa vertical assente em extremos velozes, não apenas por se praticar um futebol que não nos é característico como, sobretudo, por não se aproveitar devidamente a mais-valia que temos. Quem tem Vitinha, Bruno Fernandes, João Félix, João Neves, Bernardo Silva e Francisco Trincão tem de arranjar uma forma de os pôr a circular a bola como só eles sabem.

E foi isso que Jorge Jesus soube fazer como ninguém. O futebol é um jogo coletivo e é sempre no coletivo que estão as respostas dos grandes vencedores. Nesta jornada, a nossa Seleção foi um exemplo disso mesmo.

2 — Não há como não gostar do portuguesíssimo Jorge Jesus: a sua frontalidade indomável e a sua franqueza incontrolável são desconcertantes. Não há como não admirar um feitio incomum e controverso, mas simultaneamente direto — o que chamamos de pão-pão, queijo-queijo. Uma coisa conseguiu, aliás, conseguiu várias. Conseguiu o respeito de toda a equipa — são visíveis os olhares de compromisso entre os jogadores e o seu treinador, como é notório nas declarações o quanto estes respeitam o seu processo. Conseguiu o respeito de todo o país ao tornar claro (julgo que sem consciência da dimensão que atingiria, mas marimbando-se para isso) que é um treinador que não admite ingerências nas suas decisões e na sua forma de gestão do plantel. E conseguiu, sobretudo, pôr a Portugal a jogar à bola como há muito não nos lembrávamos…

3 — Queria deixar uma palavra aos nossos atletas, jogadores de enorme gabarito que pontuam entre os melhores do Mundo da atualidade, que estão no apogeu das suas carreiras e se exibem em clubes de topo do futebol mundial — PSG, Real Madrid, Milan, Manchester United, Manchester City — e que souberam perceber e respeitar que numa seleção com atletas deste gabarito não é possível que todos possam jogar todo o tempo.

Vimos Bernardo Silva a ser utilizado apenas nos finais dos jogos, João Neves a jogar apenas 10 minutos nos dois últimos jogos, Vitinha a não ser opção em Oslo, todos respeitando essas opções e conformando-se com elas. É deste sentido coletivo que se faz uma seleção vencedora.

É desta interpretação de um jogo cuja essência é harmonia na circulação daquele objeto que determina os vencedores, um jogo de entreajuda, em que uns defendem para que outros possam marcar, numa palavra, um jogo de absoluta complementaridade. Eu penso que foi isto que vimos nestes jogos. Finalmente.

4 — Portugal perdeu o Mundial de Rallys em 2027 à 25.ª hora. E ninguém percebeu porquê. Vi muitas declarações a lamentar o sucedido, mas não vi nenhuma a esclarecer acerca das razões por que tal sucedeu — a explicação da FIA de precisar de assegurar maior diversidade geográfica é das mais estapafúrdias que já ouvi.

Em primeiro lugar, se se pretende que neste país não se fale só de futebol, penso que se deveria exigir uma explicação concludente desta abrupta decisão. E em segundo lugar, queria manifestar que desejo que tenha sido a circunstância de na edição de 2026 terem tido de ser interrompidas duas classificativas, uma pela entrada de um reboque que se colocou à frente de Elfyn Evans (o novo campeão do Mundo) e a outra com a entrada de um veículo que impediu a passagem de Yohan Rossel. Circunstâncias lamentáveis e inadmissíveis, sendo que, se foi devido a elas que nos foi retirada a organização do WRC, isso tem de ser sabido e publicamente assumido.

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