Sebastian Coe ignora recomendação do Comité Olímpico Internacional. IMAGO
Sebastian Coe ignora recomendação do Comité Olímpico Internacional. IMAGO

World Athletics rasga recomendação do COI sobre a Bielorrússia

A entidade que rege o atletismo mundial ignora a decisão do Comité Olímpico e continua a vetar a presença de atletas russos e bielorrussos nos seus eventos que, a partir do verão, começam a apurar para os JO Lons Angeles 2028

A World Athletics rejeitou a mais recente recomendação do Comité Olímpico Internacional (COI) para a reintegração da Bielorrússia com os seus símbolos nacionais, reafirmando a sua posição de exclusão total do país.

O organismo que rege o atletismo mundial, liderado por Sebastian Coe, confirmou que manterá as sanções impostas em março de 2022. Estas sanções proíbem atletas, dirigentes e pessoal de apoio da Bielorrússia e da Rússia de participarem em qualquer competição do circuito World Athletics Series. A decisão contraria a posição do COI, que defendeu o levantamento das restrições à Bielorrússia, argumentando que o país está a cumprir a Carta Olímpica e não tentou anexar territórios além da sua jurisdição desportiva reconhecida.

Com base nesta avaliação, o COI, sediado em Lausana, recomendou a reintegração da Bielorrússia a tempo dos Jogos Olímpicos de Verão de Los Angeles 2028. No entanto, a World Athletics, com sede no Mónaco, optou por divergir da flexibilidade sugerida pelo COI durante a reunião do seu Conselho Executivo.

A condição para um eventual regresso foi claramente definida pela World Athletics: a sua posição só será reavaliada quando houver «progressos tangíveis» nas negociações de paz na Ucrânia. A guerra, que começou em 2022 com o apoio inicial da Bielorrússia à Rússia, continua. Neste cenário, a Rússia não é, para já, considerada uma potencial beneficiária de um levantamento de sanções.

Um porta-voz da federação disse à BBC: «Todos esperamos que isso aconteça em breve, mas, até lá, o Conselho permanece unido na posição que tomou em março de 2022 e que reviu em 2023 e 2025».

Recorde-se que a suspensão de ambos os países reflete uma acumulação de violações éticas, políticas e desportivas que remontam a 2015. A situação agravou-se com a invasão da Ucrânia pela Rússia, na qual a Bielorrússia foi considerada um aliado próximo do Kremlin por ter servido de base de operações e apoio logístico.

O Comité Olímpico Russo permanece suspenso após ter absorvido organizações desportivas em regiões ucranianas ocupadas como Donetsk, Kherson, Luhansk e Zaporizhzhia. Além disso, o historial de ostracismo da Rússia é anterior ao conflito, marcado pelo escândalo de um sistema de doping patrocinado pelo Estado, revelado por volta dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi 2014.

Apesar disto, o COI, sob a presidência de Kirsty Coventry, sustenta que, do lado de Minsk, «está tudo em ordem» e em conformidade com as regras, ao contrário da Rússia. O objetivo explícito é permitir que a Bielorrússia participe nos processos de qualificação para LA28, que começam este verão.

Outras federações internacionais, como a World Aquatics, o judo e o taekwondo, já se aproximaram da linha do COI, permitindo o regresso das bandeiras e hinos bielorrussos. Em contraste, nos Jogos de Paris 2024 e Milano Cortina 2026, os atletas de ambas as nações só puderam competir como Atletas Individuais Neutros, sob critérios de elegibilidade muito rigorosos.

Já o Comité Paralímpico Internacional (CPI) seguiu um caminho diferente. Em setembro de 2025, a Assembleia Geral do CPI, reunida na Coreia do Sul, votou a favor do levantamento das suspensões parciais dos comités paralímpicos nacionais da Rússia e da Bielorrússia, permitindo que ambos os países competissem sob os seus símbolos nacionais nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026.

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