Espanhol Enric Mas, novo líder da geral, não vestiu a camisola vermelha no pódio após a etapa (foto Movistar Team)
Espanhol Enric Mas, novo líder da geral, não vestiu a camisola vermelha no pódio após a etapa (foto Movistar Team)

Vuelta: abandono de Pogacar 'entrega' vermelha a Enric Mas

Líder da classificação geral caiu com gravidade a 32 km da meta da 8.ª etapa. Segundo o primeiro relatório clínico, o esloveno terá sofrido traumatismo cranio-encefálico e fratura-luxação clavicular

A oitava etapa da Volta a Espanha ficou marcada pelo abandono do líder da corrida, Tadej Pogacar, após uma queda aparatosa a 32 quilómetros da meta, em Xeraco, e pela surpreendente vitória ao sprint do francês Bryan Coquard, da Cofidis, que conquistou o primeiro triunfo numa grande Volta.   

O acidente de Pogacar ocorreu quando o esloveno seguia no pelotão, a alta velocidade, na lateral esquerda da estrada, na faixa de emergência. Durante a queda, desamparada, para a direita (para o centro do pelotão), o corredor da UAE Emirates atirou ao chão vários ciclistas. O camisola vermelha foi desde logo o único que não se levantou, permanecendo sentado no asfalto, tendo recebido rápida assistência médica. Apesar de uma tentativa inicial de se retomar a corrida, múltiplas feridas no braço e ombro esquerdos, e na face, obrigaram-no a sentar-se novamente. Após uma avaliação mais detalhada pela equipa médica da prova - e de o corredor ter sentido que as lesões eram incapacitantes - este foi encaminhado para uma ambulância que o transportou para o hospital.

Cerca de meia-hora após o final da etapa, o médico da Vuelta, Álvaro Ortiz, divulgou um primeiro relatório clínico: «[Pogacar] sofreu um traumatismo cranio-encefálico e uma fratura-luxação a nível clavicular. Apresentava dor intensa e uma importante limitação funcional no braço esquerdo, sem poder realizar apoio nem exercer pressão. Pelas características da lesão, poderá requerer tratamento cirúrgico».

Com o abandono de Tadej Pogacar, o novo líder da Vuelta é o espanhol Enric Mas (Movistar), que tem uma vantagem de 1 minuto sobre o esloveno Primoz Roglic (Red Bull) e 1.11 minutos sobre o austríaco Felix Gall (Decathlon). A luta pela camisola vermelha está relançada. 

Após o acidente que marcará definitivamente esta edição da Vuelta, a etapa teve final eletrizante. O basco Xabier Mikel Azparren (Pinarello-Q36.5) ainda tentou surpreender o pelotão com um ataque após a contagem de montanha de Puerto de Barx, mas foi alcançado a menos de dois quilómetros da meta. 

Nos momentos decisivos, a Visma assumiu o lançamento do sprint para Mathew Brennan, primeiro com Wout van Aert e depois com Christophe Laporte, mas o britânico esteve sempre fechado, distante das posições cimeiras e de estar em condições de visar a terceira vitória. Mads Pedersen (Lidl-Trek), quase incógnito até esta etapa, assumiu a dianteira e parecia ter o triunfo garantida. No entanto, com uma manobra arrojada, no limite da legalidade, Bryan Coquard ultrapassou o dinamarquês sobre a linha de chegada.

A jornada foi marcada por vários incidentes, o primeiro antes até da partida real. Uma queda na zona neutralizada envolveu diversos ciclistas, incluindo Primoz Roglic, e atrasou o arranque oficial. Embora a maioria tenha continuado, os estreantes Diego Uriarte (Kern Pharma) e Floris Van Tricht (NSN) foram forçados a abandonar. 

Mais tarde, a 38 quilómetros da meta, outra queda envolveu Lars Crap (Lotto-Intermarché) e Ethan Hayter (Soudal Quick-Step), mas ambos puderam prosseguir. A 10 quilómetros do fim, com Roland Thalmann (Tudor) a sofrer ferimentos significativos, embora tenha terminado a etapa, e depois da queda de Tadej Pogacar uma última carambola ainda, durante o sprint final, igualmente a altíssima velocidade e envolvendo cerca de dezena e meia de corredores que seguiam numa segunda linha.

Toda a restante equipa da UAE Emirates parou aquando da queda do líder Tadej Pogacar, e enquanto este recebia assistência média, e remotou a etapa com um atraso que no final atingiu 11.33 minutos,

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