«Matemática e Direito não são as minhas áreas», diz treinador do FC Porto

Villas-Boas, o 'caso Durán' e novas soluções: tudo o que disse Farioli

Treinador do FC Porto fez o lançamento da receção ao Estoril, marcada para este sábado (20h30)

Após a vitória na Taça da Liga, sobre o Ac. Viseu (1-0), o FC Porto volta a jogar no Dragão este sábado, desta feita para o campeonato e frente ao lanterna-vermelha Estoril. Na conferência de Imprensa de antevisão do duelo com os canarinhos, Francesco Farioli falou sobre o que ganhou com as experiências efetuadas na quarta-feira e, questionado sobre a suspensão do castigo a Jhon Durán, avançado do Benfica, explicou, sorridente, que «o Direito não é uma área de interesse».

— Quão importante é contar com o calor do Dragão frente a um Estoril que, em 2025/26, criou muitas dificuldades ao FC Porto?

— Não podemos falhar ao olhar para a tabela e acreditar que vamos ter um jogo fácil amanhã, porque se formos mais a fundo nos dados, os números dizem coisas diferentes. E, claro, neste momento, com a mudança de treinador nos últimos dois jogos, tivemos de preparar o jogo a olhar também para jogos da equipa de sub-23 do Estoril, para entender um pouco o estilo e o que podem propor, e sobretudo para estarmos preparados para o desconhecido, porque com uma mudança de treinador é sempre assim: há sempre uma injeção de energia e também questões táticas para as quais não nos podemos realmente preparar, porque não controlamos, obviamente, e não sabemos com exatidão o que podem fazer. O facto de voltarmos a jogar em casa é, sem dúvida, importante. Mesmo, na Taça da Liga ter o Dragão cheio, ou quase cheio — tirando a parte que estava vazia —, foi um grande contributo e algo que, com certeza, teve impacto no jogo e fez os jogadores sentirem a importância da partida, como sempre.

— O Gimenez foi decisivo na Taça da Liga. Sente que, nesta altura, a hierarquia dos três pontas de lança pode ter mudado?

— No início da época tudo estava bastante claro em termos de condição física. O objetivo desde o início foi sempre colocar os três jogadores [André Silva, Samu e Gimenez] ao mesmo nível, na mesma condição, e tentar, por esse motivo, fazer uma gestão adequada da energia. Jogamos tantas partidas que, no final de contas, todos terão os seus minutos, as suas oportunidades. Além disso, são jogadores de tal nível que conseguem atuar também em diferentes posições, em estruturas táticas diferentes. Por isso, acredito verdadeiramente que todos terão um contributo importante e que todos estarão muito ligados para ajudar a equipa. Não gosto de falar em hierarquias. Gosto de ter jogadores preparados para ajudar a equipa o máximo possível.

— As boas exibições de Gimenez, Souza e Gabriel Mec, na Taça da Liga, podem gerar boas dores de cabeça? E, já agora, o Oskar Pietuszewski estará apto para o jogo com o Estoril?

— Em relação ao Oskar, não vai estar nos convocados. Nem ele, nem o William, nem o Chris [Smalling]. Já agora, o Smalling vai ficar de fora até à próxima paragem para as seleções, portanto, deverá ficar afastado durante três a quatro semanas. Já iniciou o processo de recuperação. Quanto à primeira parte da pergunta, penso que o jogo com o Académico de Viseu foi, internamente, sem dúvida um passo importante, um jogo importante, porque nos permitiu dar minutos competitivos a jogadores que até agora não tinham conseguido ter essa visibilidade. Acho que obtivemos algumas respostas interessantes. Claro que, para muitos deles, foi apenas o primeiro passo, ou um dos primeiros passos, havendo muitas coisas por fazer. Mas, com certeza, ter a oportunidade de contar com mais soluções e mais opções de escolha é sempre ótimo. É algo que considero absolutamente crucial e sabem que, em toda a gestão que fizemos também no passado, este é um elemento determinante numa época longa e cheia de jogos.

— André Villas-Boas escreveu que o Francesco já está na história dos treinadores do FC Porto. Como é que entende essas palavras e como é que reage quando o presidente diz que é preciso fazer muito melhor na Champions League?

— São sempre palavras que me deixam feliz e me tocam profundamente. Mas, como sabem, aqui não há tempo para celebrar conquistas individuais. Além disso, não se trata de uma conquista individual, mas sim de uma conquista manifestamente coletiva. O que fizemos na época passada e o que estamos a fazer este ano, após os 27 pontos e as nove vitórias, já foi conquistado por nós. Contudo, os próximos pontos vão exigir novamente a melhor versão da nossa equipa, sendo conquistados com muito trabalho, muita qualidade e, naturalmente, muito esforço. Isso aplica-se ao campeonato, mas também às outras competições. Na Liga dos Campeões, como é óbvio, não estamos satisfeitos por estarmos com zero pontos e isso é algo a que, quando chegar a altura, dentro de alguns dias, daremos a nossa atenção. Mas agora o foco total está em amanhã, e, como devem recordar-se, na época passada em casa [frente ao Estoril] não foi de todo um jogo fácil.

— O Leeds estará interessado em Zaidu, que está em final de contrato. Como olha para a situação do jogador?

— Tal como disse quando conversei com ele há algumas semanas, é um jogador em quem confio. Dei-lhe oportunidades, ele retribuiu a minha confiança com grandes exibições e dando um contributo forte. Portanto, mais uma vez, estamos agora muito longe, ou suficientemente longe, do mercado de janeiro e, quando chegar o momento, pensaremos nisso e veremos o que vai acontecer. Mas, com certeza, é um jogador com quem conto e, acima de tudo, é um jogador que está muito feliz por estar connosco, por nos ajudar e por render ao nível a que costuma render.

— Houve algum trabalho específico com Borja Sainz no capítulo da finalização? E, já agora, Souza pode ser uma alternativa ao Borja no lado esquerdo do ataque?

— O Souza é uma possibilidade. No tempo dele no Brasil, no Santos, costumava fazer alguns jogos nessa posição. Claro que tem sangue brasileiro e essa capacidade no lance individual, no um contra um. Por isso, é definitivamente uma possibilidade que podemos considerar e na qual podemos pensar. E em relação ao Borja, ele está a trabalhar tal como fazia na época passada. Nada a mais ou nada de especial que já não fizesse no ano anterior. Claro que é um pouco como aconteceu com o William Gomes há um ano: muitas vezes acreditamos, ou pelo menos eu acredito, que os jogadores que entram no decorrer do jogo, se entrarem com a abordagem correta, de alguma forma vão ter mais oportunidades, porque podem ter um impacto positivo quando o ritmo abranda ou o nível de concentração cai naturalmente um pouco devido ao desgaste do jogo. E se os que entram estiverem muito ligados, muito motivados e com essa vontade de mudar o jogo, isso será, obviamente, um fator determinante. Tivemos esse exemplo na época passada e o Borja é um exemplo disso este ano, com os golos e as exibições que tem feito. Mas também tenho total confiança quando ele começa de início, porque é um jogador importante que nos pode acrescentar coisas importantes.

— Já há uma janela temporal definida para o regresso de William Gomes?

— Estamos a trabalhar para tentar recuperá-lo para o Nápoles. É uma perspetiva bastante otimista, mas estamos a tentar fazer de tudo para o ter de volta o mais depressa possível.

— Em relação ao Souza, o facto de estar emprestado, sem opção de compra, pode colocá-lo atrás das outras opções na luta pela titularidade?

— Não. Ele veio para cá para ajudar. Como sabem, há cláusulas no contrato e condições de empréstimo. Ele veio para cá para render, veio para nos ajudar. É um jogador que, naturalmente, precisa de continuar a evoluir ao nível da compreensão do jogo, da condição física, etc. Mas, nas minhas decisões, essa não é a parte que vai determinar quem é titular, quem é suplente ou quem está à frente na hierarquia. Com a quantidade de jogos que vamos disputar... Vocês viram: creio que estivemos aqui há poucas semanas a falar do facto de este ano termos um plantel um pouco mais profundo do que na época passada, com mais dois jogadores. Mas até agora, sempre que estivemos quase a conseguir ter os 25 disponíveis ao mesmo tempo, algo aconteceu. Isso faz parte do futebol quando se joga esta quantidade de partidas.

— O FC Porto vai ter um clássico com o Benfica em janeiro. Em relação à época passada, em que houve estágio em janeiro, o que é que isso pode mudar?

— Janeiro ainda está muito longe. Como é evidente, estamos também a preparar o que temos de fazer e como vamos gerir esse período. É normal, faz parte do nosso trabalho, mas o nosso foco e a nossa atenção estão no jogo de amanhã. Quando chegar a altura de voltar a pensar na Taça da Liga, daqui a algumas semanas, pensaremos nisso.

— Que comentário lhe merece a suspensão do castigo a Jhon Durán, avançado do Benfica?

— Já sabem que tenho duas ou três coisas nas quais não era muito bom na escola: costumava dizer sempre que a Matemática não era o meu forte, e o Direito também não é propriamente uma das minhas áreas de interesse.

— Equaciona fazer algumas alterações no onze que possam surpreender, até pelo adensar do calendário?

— Jogo a jogo. Somos sempre iguais. Tentamos preparar o melhor onze para tentar obter os resultados que queremos. Por isso, não há esse tipo de cálculo a longo prazo. É claro que temos de gerir o grupo, gerir a energia, mas tentando sempre escolher os melhores jogadores para iniciar a partida.

— Falou sobre a adaptação do Prpic ao papel de lateral-esquerdo. O Kiwior também pode fazer esse papel, como chegou a acontecer no Arsenal?

— Na época passada, se não estou em erro, o Kiwior fez três ou quatro jogos como lateral-esquerdo. Portanto, é sempre uma possibilidade, uma solução, embora este ano tenhamos muito trânsito de jogadores que podem cobrir essa posição, pelo que não vejo isso como uma solução, pelo menos no curto prazo. E o Prpie é outro jogador com caraterísticas bastante semelhantes às do Kiwior: muito, muito bom com a bola, com um certo impacto e uma certa imponência física. No último jogo demonstrou também muita maturidade na forma como interpretou a partida, na forma como geriu esta nova posição dentro da estrutura que habitualmente utilizamos. E claro, foi protagonista num par de momentos muito importantes, especialmente no lance daquela última falta sofrida. Portanto, aqui estamos sempre a tentar encontrar a melhor solução possível. A adaptação do último jogo foi algo que preparámos em dois dias e que nos deixou boas sensações. É definitivamente algo que temos em mente como uma solução a explorar no futuro ou a explorar no próximo jogo. Porque não? Trata-se de acrescentar, de modificar. No final, há um plano e depois há circunstâncias e acontecimentos. Neste caso, a ideia surgiu devido à situação com os extremos. Neste momento estamos limitados no corredor esquerdo.

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