André Villas-Boas e Francesco Farioli - Foto: FC PORTO
André Villas-Boas e Francesco Farioli - Foto: FC PORTO

Villas-Boas e o assédio a Farioli: «É difícil encontrar clubes como o FC Porto»

Presidente dos dragões falou sobre a primeira época do italiano ao leme do novo campeão nacional e manifestou desejo de mantê-lo no clube nos «próximos largos anos»

Francesco Farioli é o nome da moda. O treinador italiano, que conduziu o FC Porto à conquista do 31.º título de campeão nacional, já garantiu que vai continuar ao leme dos dragões na próxima temporada, mas nem por isso o seu nome deixa de aparecer associado a clubes da Premier League.

Em entrevista à Rádio Renascença, inserida no podcast O Código Farioli, lançado esta semana, André Villas-Boas falou sobre o assédio estrangeiro ao técnico portista, manifestando o desejo de continuar a contar com Farioli por «largos anos».

«Respeitando todos os posicionamentos, acho que os treinadores, evidentemente, são assediados por outros clubes. Constatamos cada vez mais, nos grandes mercados, a imprevisibilidade que está associada à carreira de treinador. Vimos fenómenos muito específicos acontecer este ano, principalmente naquela que é reconhecida como a maior liga do mundo [Premier League], relativamente a treinadores e a esse fenómeno de sucesso e queda. Isto significa que o mercado de treinadores está muito volátil e que rapidamente os sucessos se tornam em insucessos e é a partir desses momentos que os treinadores começam a valorizar mais onde é que estão, o que é que os clubes oferecem, que clubes garantem estabilidade e, no fundo, que clubes garantem uma simbiose perfeita e uma troca perfeita de sinergias, de corpo comum de ideias, de estrutura, de funcionamento e da dificuldade que é encontrar clubes como este FC Porto no panorama atual», assinalou o presidente dos dragões.

«Seguramente se um dia esta entrevista, pós-abril, se tornar num capítulo final, com o treinador Farioli campeão nacional 2025/26, seguramente o entrevistarão e ele assegurará que aqui encontrou estabilidade, estrutura, ideias e uma estrutura que funciona para fortalecer o treinador e o seu método. Com a idade que tem e com o sucesso que esperamos que ele obtenha no FC Porto nos próximos largos anos, acho que será um treinador do patamar de um tubarão europeu», prosseguiu AVB. A entrevista, importa referir, foi gravada no início de abril, cerca de um mês antes de o FC Porto se sagrar campeão.

Durante a conversa, Villas-Boas revelou, também, que Farioli estava reunido com o departamento de scouting «a preparar o futuro do FC Porto», detalhando, ainda, o tipo de relação que construiu com o timoneiro dos azuis e brancos. «Temos conversas normais, há um entendimento do jogo que eu tenho naturalmente, pela forma como me fui formando enquanto treinador. Os princípios que levei para as minhas equipas, a forma como as orientei, o meu próprio método... Nesse aspeto, cada treinador tem o seu método. Isto é uma ferramenta e uma arma que nós temos para o reconhecimento das qualidades do treinador e da sua capacidade de intervenção. Partilhamos ideias e depois quer o treinador aplicar sempre o seu método. É um campo onde ele [Farioli] entra e domina», prosseguiu o dirigente máximo portista, recordado de uma sugestão que fez e foi revelada pelo técnico transalpino: a de colocar Samu a defender os cantos ao primeiro poste. «Isso acabam por ser brincadeiras que o Farioli traz à mesa, mas são conversas que temos de uma forma muito informal e nunca autoritária, de presidente que quer colocar o treinador a fazer alguma coisa.»

Referindo-se a Farioli como «um treinador à Porto», Villas-Boas vê no treinador alguém «que sabe reconhecer a exigência dos adeptos, a pressão que existe no clube, a forma como se tem de lidar com a pressão» e o facto de o FC Porto «ter sempre um posicionamento muito específico relativamente ao seu entorno e a forma como os seus princípios devem ser defendidos».

A renovação de contrato de Farioli, em janeiro, também foi tema abordado por André Villas-Boas. «A ideia surge, sobretudo, a pensar na continuação do bom trabalho do treinador. De tudo o que ele fez em novembro e em dezembro. Da constatação que esta é a pessoa que queremos a liderar o FC Porto, de um treinador que é reconhecido a nível europeu, que é assediado a nível europeu também, que se afirma cada vez mais como um dos talentos emergentes a nível de treino e de treinador. Quisemos antecipar cenários. Temos uma união muito forte e um reconhecimento muito forte do que é que cada um oferece: FC Porto ao treinador e treinador ao FC Porto. Quisemos antecipar a construção deste futuro e, por isso, decidimos estender este vínculo. Da parte do treinador, uma forma quase imediata de reconhecimento de que aqui se sente bem, que nesta casa lhe são oferecidas as condições para se afirmar enquanto treinador. E acho que todos estes passos que se dão em antecipação reforçam a união e o vínculo entre duas entidades. Acho que foi por isso que chegámos a acordo muito rápido. Acho que isto ultrapassa muito mais o vínculo que é o laboral. Entra no campo do emotivo, das emoções, e da forma como uma instituição é capaz de fazer transcender um treinador na execução do seu trabalho», rematou o presidente portista.

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