Médio venezuelano com passagem por Portugal detido há meses pelo ICE
O futebolista profissional venezuelano Homero Calderón, que já jogou em Portugal, encontra-se detido há vários meses por autoridades de imigração nos Estados Unidos, após uma operação de trânsito na Florida. A sua esposa, Daniela Molina, luta pela sua libertação enquanto a família enfrenta um futuro incerto.
Tudo começou quando Calderón foi mandado parar pela polícia de Ocala, no condado de Marion, por alegado excesso de velocidade. O que parecia ser uma simples infração de trânsito rapidamente escalou, culminando na sua transferência para um centro de detenção do Serviço de Controlo de Imigração e Alfândegas (ICE) no dia 27 de fevereiro.
Segundo a mulher, Daniela Molina, o agente que o deteve já tinha contactado o ICE. «O meu marido vai mostrar os seus documentos quando o agente lhe passa o telefone. O meu marido explica o que tem pendente e ele diz-lhe: ‘Tudo isso foi negado. Lamento, tens um ‘holding’’. A polícia coloca-o numa carrinha, transporta-o para Orlando e entrega-o nas mãos do ICE», relatou Molina.
A família vive um drama há seis meses, marcado por chamadas telefónicas limitadas e aniversários com uma cadeira vazia. Numa chamada particularmente emotiva, no dia do primeiro aniversário da filha, Calderón não conseguia parar de chorar. «O meu filho Lorenzo perguntava-me: ‘Porque é que o papá chora?’. Eu dizia-lhe: ‘Porque está muito feliz. O papá está muito feliz por a tua irmã fazer anos’», contou a esposa.
Um porta-voz do Departamento de Segurança Nacional confirmou à CNN que o gabinete do xerife do condado de Marion deteve Calderón por conduzir sem uma licença válida, transferindo-o posteriormente para a custódia do ICE. O futebolista permanece detido enquanto aguarda o desfecho dos seus processos de imigração.
Calderón tem dois pedidos de imigração pendentes: um para estender o visto e outro pedido de visto para pessoas com capacidades extraordinárias. Uma verificação de registos públicos não encontrou quaisquer condenações criminais contra o jogador nos EUA, apenas uma infração de trânsito por excesso de velocidade em 2019, que foi arquivada.
A carreira de Homero Calderón começou no Atlético Venezuela, seguindo-se uma passagem pela Europa, no Doxa do Chipre. Regressou ao seu país para representar o Deportivo Lara antes de continuar a sua carreira maioritariamente em Portugal.
Chegou em 2016 para vestir a camisola do FC Vizela, seguindo-se Merelinense, GD Gafanha e Sertanense, antes de regressar ao Lara.
Jogou ainda em Itália e nos Estados Unidos, onde foi detido.
A situação da família nos EUA tornou-se complexa devido a circunstâncias imprevistas. Daniela Molina entrou no país com um visto de turista e, devido a uma gravidez de risco, foi aconselhada a não viajar. Com familiares nos EUA, o casal decidiu permanecer e solicitou extensões de visto. A necessidade de uma operação para a filha recém-nascida forçou-os a prolongar ainda mais a sua estadia, levando a novos pedidos de extensão de visto.
Desesperada, Daniela Molina apela por ajuda.«Que, por favor, alguém os pare porque estão a causar muito dano. Estão a destruir muitas famílias e a magoar pessoas inocentes.»Numa das primeiras chamadas após a detenção, o apelo do marido ficou gravado na sua memória: «Meu amor, ajuda-me, tira-me daqui. Não sei o que se está a passar».
O antigo futebolista Calderón, que ao longo da sua carreira representou 11 clubes em cinco países, incluindo Portugal, enfrenta um complexo processo legal nos Estados Unidos. A sua permanência no país foi considerada ilegal pelo Departamento de Segurança Nacional, que, em declarações à CNN, afirmou que o atleta ultrapassou o tempo autorizado pelo seu visto.
Paralelamente, foi submetido um pedido de visto EB-1A, destinado a indivíduos com capacidades extraordinárias, que se baseia na vasta carreira desportiva de Calderón, com passagens por Venezuela, Chipre, Portugal, Itália e Estados Unidos. Este pedido, juntamente com outras solicitações, continua pendente de uma resposta por parte das autoridades de imigração.
Segundo a sua esposa, Daniela Molina, foram apresentados vários recursos legais para garantir a sua liberdade, mas sem sucesso até ao momento. Três pedidos de fiança foram rejeitados, o mais recente esta terça-feira, levando a defesa a solicitar uma reavaliação. Daniela explicou que uma juíza se mostrou disposta a reconsiderar o caso mediante a aprovação do formulário I-140, um pedido para que um trabalhador estrangeiro obtenha residência permanente legal nos Estados Unidos.
Molina descreveu a situação como «muito desgastante» e, apesar de sentir que já esgotaram todos os recursos, aguarda agora uma resposta a um pedido de habeas corpus apresentado recentemente com a sua advogada. Para além do processo de imigração, foram entregues às autoridades «todos os relatórios de pediatras, médicos, informação sobre a cirurgia de que necessitava, as suas terapias, talas e tudo o que era preciso», acrescentou.
Apesar das dificuldades, Daniela mantém a esperança. «Espero conseguir tirá-lo de lá e não, não imagino outro cenário diferente desse», assegurou.