Vamos lá falar de João Félix
João Félix tem 23 anos, quase 24, o que em futebol significa que ontem tinha 18, amanhã tem 27 e depois de amanhã 31, sem tempo para tentar ter outra vez 19 ou 23.
E talvez seja este o momento de João Félix se sentar e refletir, com ou sem aqueles que o convenceram, olhos nos olhos, que o inquestionável talento seria suficiente para ganhar o mundo da bola e que agora, quem sabe, não têm coragem de lhe dizer, também olhos nos olhos, que afinal não é bem assim. Quase nunca é. Por norma, os jogadores não têm a carreira que o seu talento merece, mas sim a carreira que o seu comportamento e as suas escolhas justificam.
Aos 23 anos, quase 24, João Félix é ainda demasiado jovem para passar a acertar sempre e é suficientemente adulto para não continuar a cometer os mesmos erros. Se hoje são mais as grandes portas que se fecham do que aquelas que se abrem, alguma coisa correu mal. A boa notícia é que ainda é possível evitar que corra muito mal e evitar que o futebol português tenha uma das suas maiores desilusões (para alguns, percebe-se, seria uma grande satisfação), mesmo sendo certo que no nosso país nos habituámos, ao longo dos anos, a ver desaparecer do mapa jovens que antes de serem já eram. Mas nenhum deles custou 120 milhões de euros.
Talvez o problema, a culpa, não esteja sempre nos outros: no Atlético, em Simeone, no Chelsea, na imprensa… Já são demasiados carros em sentido contrário na autoestrada, o que, no mínimo, deve fazer João Félix refletir sobre quem estará, afinal, a conduzir no lado errado.
Não sei se o Benfica é ou não o porto seguro que João Félix precisa nesta altura, o que me parece é que tudo é mais seguro do que a navegação à deriva. E oferecer-se ao Barcelona sendo jogador do Atl. Madrid não me parece a melhor forma de evitar o naufrágio.