V. Guimarães: a incrível história do herói que se farta de marcar com os pés 'gelados'
Alioune Ndoye foi contratação do Vitória de Guimarães no mercado de verão e uma das grandes apostas para o reforço do ataque. A esperança para os golos. Aquando da chegada do reforço ao D. Afonso Henriques, A BOLA deparou-se com uma história (e um percurso...) no mínimo fora da caixa nos dias que correm.
Tudo começou em Rufisque, uma cidade pequena na região de Dakar (Senegal). Os primeiros pontapés foram no Teungueth FC, o clube local. «O meu pai foi jogador e depois presidente. Mas fui eu, o filho, que ganhei taças e que fui o goleador na formação. Todos os jornais falavam de mim», contava Ndoye ao Lematin, diário letão. Uma notoriedade que o levou a sonhar com testes em Espanha e França. Porém, ao contrário das melhores expectativas, acabou, aos 18 anos, no Valmiera, no norte da Letónia. Num contexto completamente diferente, no clima, na linguagem, no futebol. Sem ver o sol e com temperaturas abaixo de zero. «Nem sentia os pés», lembrou.
Contra todas as expectativas, Alioune Ndoye vingou. E transformou-se no homem gelo do Valmiera, sempre em crescimento e constante evolução, tendo como ponto alto o ano de 2024, que terminou com 22 golos em 32 jogos oficiais. Adaptação surpreendente de um jogador que precisou de cinco temporadas na Letónia (onde se chegou a sagrar campeão) para dar o salto na carreira. Numa mudança em janeiro deste ano para a liga suíça, também para o ‘fresco’ de Genebra, para representar o Servette. A desconfiança helvética levou a que a aposta passasse por um empréstimo do Valmiera.
OPORTUNIDADE DE MERCADO
Essa desconfiança acabaria por ser a ‘sorte’ do Vitória. Pois Alioune Ndoye voltaria a não falhar. E conquistou os adeptos suíços com golos. Seis tentos em 15 partidas em meia época. Com golos de belo efeito, fruto não só da sua capacidade técnica como física (1,91 metros). Os últimos meses retiraram dúvidas quanto ao potencial de Ndoye, porém, devido às dificuldades financeiras do clube helvético, surgiu o Vitória de Guimarães que, por sua vez, viu uma oportunidade de mercado num jogador jovem, de apenas 23 anos, com lastro de golos e uma capacidade de adaptação fora do comum.
Guimarães foi, então, a paragem seguinte. Preparado para brilhar e fazer história no Castelo. Ele que foi o segundo senegalês neste clube, depois de Abdoulaye Ba, defesa-central que somou apenas 13 jogos com a camisola vimaranense em 2013/2014.
Alioune Ndoye engrossou esta lista e, com os golos decisivos a Sporting e SC Braga na Allianz Cup, a contratação está mais do que... justificada. Contra os leões, saltou do banco e em 12 minutos marcou os dois golos da reviravolta e, na final com o arquirrival minhoto, voltou a ser lançado por Luís Pinto e assinou o 2-1 que confirmou a 'cambalhota' no marcador e triunfo dos vimaranenses na final da competição.
*Artigo original publicado a 30 de julho de 2025