A vasta massa adepta vitoriana celebra a subida ao Campeonato de Portugal - Foto: Vitória de Setúbal
A vasta massa adepta vitoriana celebra a subida ao Campeonato de Portugal - Foto: Vitória de Setúbal

Um gigante quer-se junto dos gigantes: «O lugar do Vitória de Setúbal é na Liga»

O emblema sadino é o sexto clube com mais participações no campeonato português, mas teve de começar do 0 para poder lá voltar. Depois de ter completado todos os «degraus» das distritais de Setúbal, faltam agora outros três (nacionais) para a grande meta

O histórico Vitória de Setúbal vai regressar aos campeonatos nacionais em 2026/27, depois de se ter sagrado campeão da 1.ª Divisão da AF Setúbal, no último fim-de-semana, ao derrotar o Alfarim por 2-1. 

O Campeonato de Portugal (para o ano) será - idealmente - a primeira de três paragens obrigatórias até ao tão ambicionado regresso ao principal escalão do futebol português, que o presidente do emblema sadino assume ser o lugar natural do clube. «Este é só o primeiro degrau, porque o projeto do Vitória é voltar rapidamente ao seu lugar, que é a Liga», diz, à A BOLA, Francisco Alves Rito.

«O Vitória é dos clubes que tem maior número de participações no campeonato [72]. Também tem troféus [três Taças de Portugal e uma Taça da Liga] que muitos outros não têm. Tem ainda uma massa associativa e uma lotação em termos de assistência no estádio superiores à média dos clubes, excluindo os três grandes. Portanto, o Vitória tem todas as condições, valor e mérito para estar na Liga e achamos que, com isso, o futebol português também sairá a ganhar», salienta o dirigente.

A equipa do Vitória do Setúbal que foi campeã distrital - Foto: Vitória do Setúbal

De facto, só cinco clubes têm mais participações no campeonato do que o Vitória de Setúbal: Belenenses (77), Vitória de Guimarães (81), FC Porto (92), Sporting (92) e Benfica (92). Se os vitorianos cumprirem o objetivo de subir de escalão consecutivamente, conseguirão, na melhor das hipóteses, regressar aos grandes palcos em 2029/30, para a 73.ª participação na Liga - mas aí poderão ter sido já ultrapassados no registo pelo SC Braga (atualmente com 70), caso os guerreiros do Minho consigam manter a consistência na referida divisão.

Francisco Alves Rito foi eleito presidente dos setubalenses em 2025 - Foto: Vitória de Setúbal

Começar do 0

Em 2023/24, o Vitória de Setúbal foi vice-campeão do Campeonato de Portugal (perdeu 3-0 na final diante do Amarante), o que, automaticamente, lhe daria acesso à Liga 3. Porém, os sadinos não só não subiram como tombaram para a 2.ª Divisão distrital, devido ao não cumprimento dos requisitos financeiros para integrarem as competições da FPF.

«Na altura, o Vitória não conseguiu o licenciamento para a Liga 3 e também não dava para jogar o Campeonato de Portugal e, por isso, teve de começar do 0», explica, ao nosso jornal, o diretor desportivo do clube, que logo tratou de engendrar um plano para reerguer o clube.

Carlos André (no cargo desde 2023) conta que quando a SAD caiu não havia sequer garantias de que o clube iria conseguir formar equipa de futebol para a temporada 2024/25, na mais baixa divisão da AF Setúbal: «No ano passado, começámos de uma maneira difícil. Não sabíamos se ia haver futebol e nem sequer entrámos na taça distrital, que é logo no início. Tivemos de esperar para saber como é que as coisas se iam desenrolar e isso levou a um impasse.»

Ainda assim, o dirigente afirma ter conseguido convencer alguns jogadores que tinham logrado a subida à Liga 3 e outros que Carlos André queria levar para o clube a esperar:  «Devemos ter sido a última equipa a fazer equipa, mas conseguimos, graças a algo que já tinha idealizado, que era deixar em standby alguns jogadores que queiram ajudar o clube e fazer com que também acreditassem que iríamos conseguir construir o plantel.»

Carlos André está no cargo desde 2023 - Foto: Vitória de Setúbal

«Neste ano, as coisas já foram mais tranquilas, porque vínhamos numa sequência daquilo que queríamos fazer. Sabemos que o Campeonato de Portugal vai ter quatro ou cinco clubes a apostar na subida de divisão. Temos de acompanhar, de modo a que o Vitória também consiga ser um candidato a subir», perspetiva o responsável.

Quem também conhece profundamente o projeto e esteve à conversa com o nosso jornal foi o mestre da tática, Paulo Martins, que deu ao Vitória o segundo título em dois anos. «No ano passado, só tivemos uma derrota. Neste ano, felizmente, conseguimos ser campeões sem derrotas e a quatro jornadas do fim do campeonato», afirma o mister.

«Temos uma cultura vencedora», acrescenta o técnico, de 48 anos, traçando agora o objetivo de vencer a Taça da AF Setúbal, no dia 7 de junho, contra o Olímpico de Montijo.

Paulo Martins está a ser um dos grandes obreiros desta nova Era dos sadinos - Foto: Vitória de Setúbal

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