Charles foi impotente para travar a goleada (1-5) em Alvalade — Foto: MIGUEL NUNES
Charles foi impotente para travar a goleada (1-5) em Alvalade — Foto: MIGUEL NUNES

Um espelho da temporada

Vitória apresentou-se sem as cautelas devidas para quem joga com a defesa alta, desguarneceu o reduto defensivo e todos os golos do Sporting foram nas costas da defesa. Sentido de pertença é o espaço de opinião de André Coelho Lima, jurista, empresário e adepto do Vitória SC

1 — Pouco haverá a dizer sobre este jogo, a não ser aquilo com que intitulo este texto: um espelho da temporada. O Vitória apresentou-se a querer jogar o jogo pelo jogo, a não querer apresentar um perfil defensivo malgrado estar a jogar em Alvalade, mas sem as cautelas devidas para quem joga com a defesa alta, desguarnecendo o reduto defensivo ao ponto de todos os golos do adversário terem sido nas costas da defesa.

Basta verificar que ao intervalo tínhamos mais lances ofensivos que o Sporting, apesar do resultado registar já uns concludentes 3-0. O adversário sabia-o e tirou vantagem disso, como admitiu Rui Borges no final do jogo; não gostei de ouvir na medida em que nos coloca numa posição um tanto naif, taticamente previsível pelo adversário. Pouco ânimo e pouca vontade, que estranho particularmente quando este jogo, apesar do difícil adversário, vinha na sequência de um conjunto de bons resultados e exibições. Também nisso é um espelho da temporada.

Recordo, por exemplo, a magnífica exibição em Braga seguida de resultados e exibições difíceis de compreender. Ou os jogos do campeonato que se seguiram à conquista da Taça da Liga. Houve no Vitória uma inconstância emocional e exibicional que ao longo da época nos fez quebrar em momentos paradoxais, ou seja, logo a seguir aos momentos mais fulgurantes.

2 — Escrevi nestas linhas, em 07.10.2025, um texto com o título «Provavelmente, não alcançaremos o apuramento europeu». Esse título não pretendia obviamente agoirar, mas antes tirar a pressão que tinha sido inadvertidamente colocada com o pré-anúncio de saída do presidente acaso não fosse atingido o objetivo da temporada. Sabemos já todos o que aconteceu, entretanto.

Disse então que o fazia também por considerar que «a nossa equipa, tendo muita qualidade potencial não tem a mesma em termos atuais. É uma equipa ainda em construção, com uma média de idades muito jovem que o mais natural é que o seu processo de consolidação ocorra com percalços pontuais que, como sabemos, acabam por ser suficientes para estragar o percurso». Infelizmente, tive razão.

3 — Embora já o soubéssemos, apenas agora se materializou aritmeticamente este inconseguimento face aos objetivos traçados. O que tem sempre de ser registado porque todos nós, na verdade, acompanhámos uma época inteira sempre com expectativa no atingimento desse objetivo.

Interessa-me sempre muito pouco discutir o passado, a não ser para evitar cometer os mesmos erros no futuro. Sobre o que podia ter sido feito diferente, cada qual terá a sua opinião, todas igualmente válidas, eu prefiro não perorar sobre isso e focar a confiança e expectativa no crescimento de alguns excelentes jogadores que temos, com enorme valor potencial e de futuro, que devem continuar a ser a base da construção do futuro.

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