Um dos melhores avançados polacos da atualidade foi lateral-direito frustrado até esta época
Durante anos foi lateral-direito, quase por obrigação. Hoje é um dos avançados em maior ascensão na 2. Bundesliga, segundo escalão alemão. A história de Mateusz Zukowski é um daqueles casos raros em que uma simples mudança de posição redefine toda uma carreira.
Quando assinou pelos escoceses do Rangers, o defesa Mateusz Zukowski não estava certamente à espera de ser um flop. No entanto, foi isso mesmo que aconteceu. Nunca conseguiu afirmar-se no plantel principal e acabou por sair sem qualquer jogo feito pela primeira equipa na Premier escocesa.
Seguiu-se o regresso à Polónia — primeiro por empréstimo para o Lech Poznan, depois em definitivo e a custo zero para o Slask Wroclaw —, numa fase em que a carreira parecia estagnada e longe das expectativas que tinha criado enquanto jovem promessa. Tudo mudou, contudo, esta temporada. A transferência para os alemães do Magdeburgo começou ser apenas mais uma etapa num percurso já bastante irregular. Mas foi precisamente aí que surgiu a decisão que transformou o jogador: a conversão definitiva em avançado. Ainda que tenha sido contratado ainda lesionado, depois de uma fratura num dedo do pé.
Ainda que adiada por um pouco, a decisão de o mandar avançar no terreno nasceu de uma leitura simples da equipa técnica: havia ali recursos ofensivos desaproveitados. A velocidade que antes servia para percorrer o corredor passou a ser usada para atacar a profundidade; o instinto para aparecer em zonas de finalização e a forma como se escondia do seu marcador deixaram de ser acaso e tornaram-se objetivo; e a qualidade de remate que já revelava nos treinos justificava a aproximação definitiva à baliza. Mais do que uma experiência, foi uma aposta estrutural — e os seus números mostraram quase de imediato que a mudança fazia sentido.
Nos primeiros 12 jogos do campeonato, Zukowski somou 11 golos e 2 assistências, números que o colocaram entre os atacantes mais eficazes da competição. A capacidade de atacar o espaço, a agressividade na pressão e uma finalização fria — características que talvez estivessem escondidas enquanto lateral — passaram a definir o seu perfil.
Há algo de simbólico na explosão tardia. Aos 24 anos, longe de ser um fenómeno precoce, Zukowski entra agora naquela que costuma ser considerada a fase de maturidade competitiva de um avançado. A experiência acumulada noutras posições parece ter-lhe dado leitura de jogo e entendimento dos movimentos defensivos adversários, uma vantagem adicional quando passou a jogar na frente.