Tudo acabou como começou entre Casa Pia e Santa Clara (crónica)
Quando António Nobre deu o apito inicial da partida, Casa Pia e Santa Clara estavam separados por três pontos, com os homens da casa a procurarem fugir ao 16.º lugar, que obriga a jogar o play-off de permanência na Liga Portugal. Quando António Nobre deu o apito final da partida, Casa Pia e Santa Clara estavam separados por três pontos, com os homens da casa a procurarem fugir ao 16.º lugar, que obriga a jogar o play-off de permanência na Liga Portugal. Tudo acabou como começou entre as duas equipas e nem o resultado sofreu alterações.
O jogo começou logo com um remate de Lucas Soares de fora de área, que não saiu enquadrado com a baliza de Patrick Sequeira. E depois disso... arrefeceu. O duelo manteve-se equilibrado nos minutos iniciais, mas cedo começou a crescer o conjunto açoriano, que, sobretudo pelo lado direito do ataque, conseguiu várias vezes aproximar-se da área adversária.
As várias incursões visitantes terminaram, uma e outra vez, sem perigo. O Santa Clara conseguiu colocar a bola perto de zonas de finalização, mas a linha defensiva casapiana foi aliviando o perigo. Foram mesmo os anfitriões que, antes do intervalo, tiveram as melhores ocasiões de golo e em ambas Gabriel Batista levou a melhor sobre Larrazabal. Aos 36', o ala do Casa Pia recuperou a bola no próprio meio-campo, virou o jogo para João Marques e apareceu na área para receber a bola de Rafael Brito, mas a finalização foi travada por saída do guarda-redes brasileiro, que, aos 45', impediu o ala direito de abrir a contagem com um grande voo.
Poucas ocasiões de golo, mas com mais bola para o Santa Clara e mais perigo para o Casa Pia. Assim terminou a primeira parte e assim começou a segunda. O lado direito voltou a ser o preferido dos comandados de Petit para chegar à baliza de Patrick Sequeira, mas as verdadeiras ocasiões tardaram em chegar. Foi, aliás, uma constante dos insulares ao longo do jogo e a estatística, que raramente conta tudo, permite comprová-lo desta vez: apesar dos 67% de posse de bola, a equipa de São Miguel enquadrou apenas dois disparos, em dois cabeceamentos encaixados pelo guarda-redes anfitrião.
Do outro lado, as transições foram procurando fazer mossa. Larrazabal, a figura em destaque do Casa Pia, mostrou-se a bom nível defensivamente e tentou uma e outra vez integrar-se nas dinâmicas ofensivas. Esteve perto do golo aos 83', mas Clau Mendes desviou o cruzamento de Dailon Livramento e impediu o espanhol de encostar para a baliza.
A melhor ocasião de toda a partida foi do ala do lado contrário: o disparo de Pedro Rosas ao minuto 50 embateu com estrondo no poste de Gabriel Batista, que sempre que foi chamado a intervir mostrou-se presente. O marcador não teve mudanças, o Santa Clara continua três pontos acima da linha de água e o Casa Pia continua em zona que não garante a sobrevivência.
O ala espanhol raramente permitiu que fosse criado perigo pela sua ala — o Santa Clara atacou sucessivamente pelo lado contrário — e foi quem mais perigo criou no ataque. Foi quem mais fez para que o resultado fosse outro.
As notas do Casa Pia: Patrick Sequeira (6); André Geraldes (5), João Goulart (6), David Sousa (5); Larrazabal (7), Mohamed (5), Rafael Brito (6), Pedro Rosas (6); Livolant (5), Cassiano (5) e João Marques (6); Ofori (5), Seba Pérez (5), Clau Mendes (5), Dailon Livramento (5), Osundina (-)
Fomos a equipa que merecia ganhar e que fez tudo para ganhar. Sabíamos que neste tipo de jogos, que são finais, o mais importante era percebermos o que tínhamos de fazer para criarmos oportunidades de golo. Durante o jogo, estrategicamente a equipa esteve perfeita. O Santa Clara não teve uma oportunidade de golo. Uma. E os jogos criam-se de oportunidades. Tivemos boas situações, faltou-nos estarmos um pouco mais tranquilos no último terço. Tenho de realçar esta entrega, esta postura, que a equipa teve durante o tempo todo. Acredito que vamos ser capazes de atingir os nossos objetivos. Estamos num momento de adversidade, mas não podemos desviar uma vírgula do que nós somos para os atingirmos.
O guarda-redes do Santa Clara impediu, uma e outra vez, que os homens da casa fossem felizes, com destaque para duas intervenções de elevada qualidade a remates de Larrazabal. Guardou um ponto para os açorianos.
As notas do Santa Clara: Gabriel Batista (7); Lucas Soares (5), Henrique Silva (5), Sidney Lima (6), Guilherme Romão (5); Serginho (6), Pedro Ferreira (5), Djé Tavares (5); Vinícius Lopes (5), Gonçalo Paciência (5) e Gabriel Silva (5); Diogo Calila (5), Darlan (5), Brenner Lucas (5), Luis Fernando (5), Welinton Torrão (-)
Tivemos mais bola, o Casa Pia baixou as linhas e deu-nos iniciativa. Conseguimos chegar muito ao último terço, mas depois faltou o passe, o cruzamento, as zonas de finalização nunca foram preenchidas. Não fomos muito agressivos e quando não o somos e o último passe não entra torna-se difícil criar situações de golo. Sabíamos que era um adversário direto. É um ponto na nossa caminhada. Foi importante. Vamos ver no fim se é importante ou não. Queríamos três pontos, não conseguimos. Quando vemos que não dá para ganhar, não podemos perder. É um adversário direto, temos vantagem no confronto direto. Faltou um pouco o último terço. Dependemos de nós para conseguirmos o nosso objetivo.