Transformação em curso
Há precisamente um ano, prometemos um novo tempo e comprometemo-nos com um programa que teve a confiança de 81 por cento do universo eleitoral da Liga Portugal. É, por isso, momento para balanço do nosso trabalho. E porque estamos nas vésperas de uma decisão que, estou convicto, transformará a indústria do futebol profissional português, começo por aquelas que foram as nossas mais imediatas ações: garantir a sustentabilidade da organização e avançar com o processo de centralização dos direitos audiovisuais.
Face aos desafios encontrados, implementamos procedimentos adicionais de rigoroso controlo financeiro e orçamental, assegurando, nestes 365 dias, poupanças e receitas com novos negócios em valores significativos. Este é o nosso rumo, sob uma cultura de poupança e de ambição comercial, sublinhando o que é, para nós, um ponto de honra: que a narrativa nunca se sobreponha à realidade.
No capítulo da centralização, desenhámos, de raiz, o seu modelo de comercialização e uma chave de repartição. O primeiro foi apresentado à Autoridade da Concorrência com quase um ano de antecipação ao prazo-limite. Após período de ajustes técnicos, juntamente com o regulador, que tem demonstrado profissionalismo e eficiência exemplares, será validado pelas sociedades desportivas, exclusivas proprietárias desses direitos, seguindo-se submissão formal, em conjunto com a FPF, com quem reunimos regularmente sobre este propósito e à qual tem sido fornecida toda a informação.
Segue-se a votação da chave de distribuição das receitas e estou convicto de que os emblemas saberão estar à altura do momento, avançando para um primeiro ciclo de venda centralizada, com início em 2028/29. Tendo em conta sete manifestações de interesse reveladas por operadores nacionais e internacionais, o leilão será concorrido e o mercado maximizará o valor global. É fundamental realçar, em todo este processo, a colaboração de todos os emblemas profissionais.
LIGA+: SERVIÇOS E SOLUÇÕES
Mas mal andaríamos todos se pensássemos que, por si só, a centralização resolve todos os problemas do futebol. Por isso não ser verdade, a Direção Executiva do organismo fará avançar o programa Liga+. Trata-se de um conjunto de iniciativas estratégicas orientadas para o reforço do ecossistema do futebol profissional português, assentes na captação de capital.
Este programa constituir-se-á como um motor determinante para a valorização dos direitos audiovisuais e para o incremento do valor global do produto das sociedades desportivas. A implementação do Liga+ transformará o organismo num verdadeiro facilitador ao serviço das sociedades desportivas, disponibilizando recursos departamentais e competências variadas aos nossos associados.
Democratizar a Allianz Cup
Garantir a sustentabilidade das competições, melhorar a qualidade do jogo, assegurar melhores condições para o espetáculo e para o adepto, harmonizar os interesses das sociedades desportivas e conciliá-los com a defesa intransigente de cada associação de classe são hoje desafios com o foco na modernidade, evolução e desenvolvimento, que devemos conciliar com os ambientes socioeconómicos que transcendem o próprio futebol.
A democratização da Allianz Cup/Taça da Liga é outro exemplo de medidas em curso, com a proposta de a alargar, a partir de 2027/28, a todas as sociedades desportivas, ao encontro da pretensão das que não têm o calendário tão ocupado quanto as que estão envolvidas em competições internacionais, e sem perder a tradicional final four.
TOP 6 da UEFA e maior janela de mercado
Por esta via, cumpriremos com outro objetivo: o da capacitação em contexto internacional, tudo sob a égide do desígnio Meta 2028. A excelente campanha das equipas portuguesas nas eurotaças antecipou a chegada ao Top 6 do Ranking UEFA. Porém, importa gerar competitividade aos emblemas com menor participação europeia. Para isso, e para consolidar a posição que nos garante seis equipas nas competições europeias, é preciso que todas tenham mais jogos, melhores índices físicos e mais rotatividade do plantel.
Para tal, temos todos de melhorar: a gestão, a disciplina e os vários comportamentos em campo e fora dele, o serviço de arbitragem que é prestado ao futebol profissional e, reciprocamente, o respeito que o árbitro merece pelo seu trabalho. Respeito que queremos reforçar em regulamento.
No imediato, a Liga Portugal está comprometida com ajustar, corrigir e melhorar tudo o que tem que ver com o seu core: as competições e os seus protagonistas. Nesse rumo, encontramo-nos a estudar a possibilidade de estender as janelas de transferências para evitar saídas dos planteis em momentos que impossibilitam reação no mercado.
Porta aberta às bebidas de baixo teor alcoólico
Neste primeiro ano também avançámos em dossiês de verdadeiro interesse das sociedades desportivas, como a redução do IVA na bilhética para os seis por cento, obrigando-nos a reuniões com todos os grupos parlamentares e com o Governo, e a introdução do consumo de bebidas de baixo teor alcoólico nos estádios. Neste caso, e em articulação com as autoridades de Segurança Pública e com os municípios, avançaremos em breve para jogos-piloto, contando que vários regulamentos de segurança dos estádios já foram alterados.
Por falar em segurança, importa sublinhar os números do PNID (Ponto Nacional de Informações sobre Desporto) sobre incidentes violentos nos nossos estádios, que diminuíram 37 por cento na presente temporada. Não ficaremos por aqui e combateremos os comportamentos violentos, físicos ou verbais, até à sua erradicação.
O futebol profissional português é uma indústria que emprega diretamente mais de seis mil pessoas, com receitas na ordem dos 1.000 milhões de euros, contributo para o PIB de 956 milhões, que paga quase 300 milhões em impostos, que leva aos estádios mais de quatro milhões de pessoas e que, semanalmente, é apreciada por mais de milhão e meio de espetadores. São bons números, refletidos pelos exercícios de gestão da época anterior de todas as sociedades desportivas, cuja força em crescendo nos torna, enquanto Liga Portugal, também mais fortes. E se avançámos como o tenho descrito, isso deve-se ao sentido de responsabilidade e colaboração dos 33 emblemas, sem exceção.
Desenvolvimento e transparência
Nenhuma atividade económica é tão transversal à sociedade como o futebol profissional, um autêntico turbo na promoção da modalidade e da atividade física em Portugal. Razão pela qual a Fundação do Futebol promoveu cerca de mil ações nestes 12 meses, em prol de causas sociais relevantes e dos valores que importam às comunidades.
Ainda no presente ano, propusemos ao Governo um conjunto de medidas, no âmbito do programa PTRR, que, caso venham a ser implementadas, abrem perspetivas e disponibilidade de investimento das sociedades desportivas nas suas infraestruturas e na sua modernização digital, incluindo cibersegurança. E o mesmo fizemos, articulando esforços com as autoridades civis e de segurança pública, no que diz respeito ao combate à pirotécnica ilegal, à pirataria audiovisual e à contrafação, com êxito expressivo neste último processo, que levou ao encerramento dezenas de lojas virtuais de venda ilegal de artigos pretensamente oficiais.
Por fim, a Liga Portugal prepara-se para apresentar medidas fundamentais para a credibilidade da indústria: regras firmes de Compliance e de Fair Play Financeiro, que implementará sob um período de carência tão breve quanto suportável pelos emblemas nacionais. Para tal, contaremos com os melhores parceiros nacionais e internacionais rumo a uma autêntica transformação da indústria. Também, em nome da transparência, destaco a ferramenta digital de perguntas frequentes, desenvolvida em articulação com a FPF, que constitui um instrumento de apoio interpretativo ao Regulamento Disciplinar das competições profissionais.
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