Futebol profissional contribuiu com €956 M e pagou €288 M de impostos em 2024/25
O futebol profissional contribuiu com 956 milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB) na época 2024/25 e pagou 288 milhões de euros em impostos ao Estado, de acordo com o anuário divulgado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP).
Num exercício em que Reinaldo Teixeira sucedeu na presidência a Pedro Proença, atual líder da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), o setor cresceu 44 por cento em contribuições para o PIB, para um contributo de 0,32% da riqueza nacional. Esse acréscimo justifica-se com o aumento das receitas e do saldo de transferências das 34 sociedades desportivas dos dois escalões. A I Liga enfrentou ainda €262 milhões de carga fiscal, numa variação de 10% em relação há duas épocas, com o montante global de impostos suportados pelo futebol profissional a subir 7,5%, de 268 para 288 milhões de euros.
O recorde de postos de trabalho no setor também foi atualizado na época passada, ao subir 39%. As remunerações de futebolistas foram de €303 milhões e significaram 66% dos salários do setor. O resultado líquido positivo do organismo foi de 231.000 euros, abaixo dos 774 mil de 2023/24, tendo o organismo diminuído as suas distribuições diretas e indiretas.
Seis dos 18 clube da I Liga totalizaram capitais próprios positivos, que ultrapassaram os €147 milhões na diferença entre as rubricas de ativo e passivo. Os principais rendimentos operacionais, incluindo bilheteira, patrocínios, publicidade e corporate, e merchandising, foram de €213 milhões (20% do total). A presença de Sporting, Benfica, FC Porto, SC Braga e Vitória de Guimarães em competições internacionais rendeu prémios de €203 milhões - 164 nas provas europeias e 39 no Mundial de clubes.
Público motivou 62% das sanções disciplinares no futebol profissional em 2024/25
As infrações do público nos estádios representaram 62% dos 1,8 milhões de euros de sanções disciplinares aplicadas aos clubes da I e II Ligas em 2024/25.
A utilização de artefactos pirotécnicos (560.965 euros), o arremesso de objetos sem e com reflexo no jogo (96.084 e 92.514) e a conduta incorreta (92.438) ilustram as principais transgressões dos adeptos na base das multas enfrentadas pelas 34 sociedades desportivas dos dois escalões. Os agentes desportivos inscritos nas fichas de jogo causaram 26% do comportamento indevido, tendo sobressaído o atraso no início ou reinício dos jogos (202.749 euros), a expulsão de treinadores (97.834) e a lesão da honra e da reputação e denúncia caluniosa (51.547).
As sociedades desportivas foram responsáveis por 12% de incumprimentos regulamentares, nos quais se incluem a inobservância de outros deveres (107.231 euros) e a inobservância qualificada de outros deveres (60.854).
Liga pede políticas públicas à medida da importância socioeconómica do futebol
O contributo do futebol justifica reconhecimento institucional e políticas públicas à medida da sua importância socioeconómica, defendeu Reinaldo Teixeira, presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), referindo que o setor gera riqueza, emprego, receita fiscal e notoriedade internacional.
«Os dados são inequívocos: 6.163 postos de trabalho, 956 milhões de euros de contributo para o Produto Interno Bruto (PIB) e 288 milhões de euros pagos em impostos. O futebol profissional representa €2.015 milhões em ativos e €1.133 milhões em receitas. A exposição mediática atinge €3.099 milhões, com todos os jogos transmitidos, reforçando a dimensão nacional e internacional das três competições: I Liga, II Liga e Taça da Liga», apontou.
«A atual liderança, eleita em abril de 2025, assumiu internamente uma reorganização estrutural focada na valorização do produto, na eficiência e na responsabilidade de gestão, mas sempre associando as boas práticas de gestão aos valores que devem nortear todos os comportamentos, nomeadamente no desporto: fair play e respeito nas suas múltiplas formas», acrescentou ainda, lembrando os avanços no processo de centralização dos direitos audiovisuais dos jogos da I e II Ligas.
«O modelo está a ser construído de forma estruturada, assente em critérios equitativos, desportivos, sociais, audiovisuais, infraestruturais e olhando para as melhores práticas de outros mercados. A proteção da receita e o combate à pirataria são condições essenciais para garantir sustentabilidade e eficiência no médio e longo prazo», atirou.