Torres no xeque-mate a Basilashvili: «Não quis passar uma vergonha»
Tiago Torres (427.º do ranking ATP), campeão nacional de ténis, garantiu um lugar na segunda ronda do Estoril Open após uma reviravolta impressionante contra o georgiano Nikoloz Basilashvili (130.º), que chegou a ser 16.º e já tem cinco títulos ATP. O tenista português, que confessou ter temido «passar uma vergonha» na estreia do torneio, venceu por 6-4 e 6-2, num encontro marcado por um turbilhão de emoções ao longo de 1.12h.
O início do jogo foi particularmente difícil para o lisboeta de 24 anos, que, mostrando-se bastante nervoso, se viu a perder por 4-1 em apenas 18 minutos. «Disse ao [treinador] Vasco [Martins]: 'Estou aqui a passar uma vergonha'. Não estava a conseguir jogar, ele jogava muito rápido e estava a custar-me muito a habituar-me ao estilo de jogo dele», admitiu Torres.
A pensar no público presente no Clube de Ténis do Estoril, decidiu que não podia desistir. «Só pensei para mim, tenho que tentar dar aqui um bocadinho de show a esta malta que veio ver. Não quero estar a jogar a primeira vez no Estoril Open e perder em 40 minutos. Portanto, dei o meu melhor e no final deu», revelou.
A reviravolta começou, segundo o próprio, com algum demérito do adversário. O tenista português, reconheceu que Basilashvili (135.º) cometeu «três, quatro erros básicos de quem estava meio desligado». «Consegui meter-me e quando ele tentou ligar já foi muito tarde», analisou, acrescentando que, após esse momento, conseguiu impor o seu jogo e que tudo «correu lindamente».
À semelhança do que acontece muitas vezes nos seus encontros, o georgiano começou a falhar muito e a permitir que Tiago Torres entrasse no jogo, com o 4-4 a ser a mudança total no primeiro set, com o português a festejar com a sua família na bancada. Com o 6-4 no primeiro parcial, Torres soltou-se mais após um ponto em que ganhou depois de a bola bater na tela da rede, a ser o sinal de que já estava mais descontraído.
Aproveitando o jogo sempre inconstante de Basilashvili, Torres, com o apoio do público, em especial de muitos jovens jogadores do seu clube, o Ace Team, da Amadora, Tiago fez um break decisivo no 4-2, partindo definitivamente para o triunfo mais importante da sua carreira.
A gestão emocional foi um dos maiores desafios para Tiago, que nunca tinha atuado perante um estádio «basicamente cheio». «Não estou em mim sequer que entrei no Estoril Open, quanto mais ganhar uma ronda. Foi brutal», confessou, visivelmente feliz. O tenista revelou a dificuldade em controlar os pensamentos durante a partida: «Quando fiz o 4-4 no primeiro set, pensei, dá para ganhar? Se calhar dá, não sei. Passa muita coisa».
Convidado pela organização, Torres admitiu que passou «dois dias a digerir» a notícia e que o nervosismo foi tanto que no domingo nem conseguiu treinar «nada de especial». A emoção pela vitória foi evidente, dedicando-a a quem sempre o apoiou. «É o trabalho de muitos anos, de pessoas, muitas pessoas que acreditaram em mim, que deram tudo por mim, do meu pai, que viaja sempre para me ver jogar, a federação tem-me ajudado muito também», referiu.
Profissional a tempo inteiro há apenas um ano, após competir no circuito universitário norte-americano, Tiago Torres já superou as suas próprias metas. O objetivo inicial era entrar no top 500, mas com esta vitória garante a entrada no top 400. «Tem sido um ano acima das expectativas. Acho que estou a jogar melhor do que o meu ranking, e isso é muito importante, mas tenho de mostrar dentro do campo», concluiu, focado no próximo desafio contra o chileno Alejandro Tabillo (30.º), que ficou isento da primeira ronda por ser o terceiro cabeça de série.
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