William Gomes, André Silva e Pepê celebram o 2-1 - Foto: Catarina Morais/KAPTA+
William Gomes, André Silva e Pepê celebram o 2-1 - Foto: Catarina Morais/KAPTA+

Dragão sem jogar bem salvou-se por ser solidário e competitivo (crónica)

É fácil os adeptos enamorarem-se por uma equipa que revela seriedade e respeito pela camisola, mesmo que o futebol praticado fique uns furos abaixo do que já viram noutras eras. Frente a um Moreirense que sabe jogar, o FC Porto deu a volta ao resultado com humildade, entrega e (mais uma vez) pragmatismo

Outro tipo de jogos, mais 'olhos nos olhos', contra as equipas nacionais de topo e os adversários da Champions, vão ajudar-nos a perceber melhor os limites da equipa de Francesco Farioli. Até ao momento, sem nunca deslumbrar em seis jogos oficiais, os dragões venceram todos, o que deve ser colocado na coluna do abonatório.

Será que esta equipa do FC Porto vai elevar o seu nível futebolístico à medida que a qualidade dos opositores aumentar? Essa é uma dúvida, pertinente, que só será respondida, na altura certa, dentro das quatro linhas. Para já, do Torreense ao Moreirense, o 'feijão com arroz' chegou para as necessidades e, no que toca à Liga portuguesa, candeia que vai à frente alumia duas vezes.  

Na partida contra os cónegos, o FC Porto, especialmente numa fase da primeira parte, e na segunda metade, até à expulsão de Liberato, cometeu erros e permitiu liberdades ao opositor que contra equipas mais cirúrgicas nas transições teriam saído muito caros. Usando o seu sistema habitual, Farioli viu o Moreirense, que apareceu armado em 5x2x3, desperdiçar uma ocasião soberana, num ataque rápido em que Parsemain se assustou com a responsabilidade no mano-a-mano com Diogo Costa e assistiu, mal, João Veloso, aos 11 minutos, e chegar à vantagem aos 20, por Dinis Pinto, numa situação em que os dragões foram uma vez mais apanhados em contra-pé.

Apesar de Rosario ajudar os centrais e Froholdt e Gabri Veiga não se furtarem ao trabalho, erros posicionais permitiram espaços que o Moreirense aproveitou, e que um conjunto com outros atributos teria aproveitado melhor. Foi então, quando todo o Estádio do Dragão percebeu que o FC Porto estava a passar um mau bocado, que os dragões puxaram dos galões e disseram que se não podiam chegar à vitória a comer lagosta, então uma bela sardinhada haveria de dar para a despesa. 

E o que fizeram os portistas? Aumentaram a intensidade e a pressão, usando cinco jogadores para empurrar para perto de André Ferreira o bloco que Vasco Botelho da Costa queria mais subido. Além dos três médios (Froholdt, Rosário e Veiga), empenharam-se neste trabalho de desgaste Alberto Costa e Francisco Moura, criando condições para que William Gomes e Pepê se soltassem para os desequilíbrios. Foi assim que o Moreirense recuou - passando de 5x2x3 para 5x4x1 - e o sufoco começou: aos 31 minutos André Silva, após um canto, cabeceou pouco por cima; aos 35 William Gomes fez a jogada do costume da direita para o meio e de pé esquerdo obrigou André Ferreira a vistosa intervenção; e aos 37 minutos, após bola parada de William Gomes, Bednarek chegou ao empate.  Uma parte do problema estava resolvida, faltava a segunda parte para se ver se a remontada seria, ou não, consumada.

Intensidade

Poder-se-á pensar que o segredo de Farioli esteve nas substituições. Nada disso. O que foi fazendo a diferença entre FC Porto e Moreirense foi a intensidade e à medida que os minutos corriam percebia-se a diferença de cilindrada entre as máquinas em presença, uma de MotoGP, a outra de Moto2.

O primeiro a dar o mote (47) foi Alberto, que assistiu Pepê para boa defesa do guardião dos cónegos. Quatro minutos volvidos, após erro (pressionado)  de Nile John, William Gomes e Froholdt estiveram perto de marcar; e aos 58 minutos, como se estivéssemos a ler a 'Crónica de um Golo Anunciado', Froholdt passou a bola a Pepê, que assistiu William Gomes para o 2-1.

Em vantagem, Farioli refrescou a ala esquerda (Moura por Martim) e a meia- esquerda (Veiga por Inbeom) e foi só depois de os dragões terem falhado o 3-1, primeiro por André Silva e depois por Froholdt, que o treinador do Moreirense mexeu na equipa, procurando dar ao ataque maior presença junto da defesa portista. Mas acabou por ser apenas após a segunda vaga de substituições portistas — entradas de Borja Sainz e Santiago Gimenez que Vasco Botelho da Costa mexeu taticamente no seu jogo, passando a correr (e bem, nada tinha a perder) maiores riscos.

As entradas de Tiago Andrade, Kiko Bondoso e Yan Lincon mexeram alguma coisa com o jogo e foram a tempo de fazer a plateia portista passar por calafrios os 83 e 85 minutos, na derradeira situação com Diogo Costa, após remate de Dinis Pinto, muito provavelmente a valer dois pontos ao FC Porto. Terão sido não mais de cinco minutos em que os dragões abanaram e valeu-lhes o guarda-redes que têm, embora tivessem justificado a vantagem que tinham no marcador.

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Depois da expulsão de Liberato, aos 87 minutos (involuntariamente atingiu Froholdt, que saiu muito maltratado), só deu FC Porto, que nos oito minutos de compensação criou mais três ocasiões para ampliar a vantagem. Jogou muito bem o FC Porto? O suficiente para ganhar, frente a um Moreirense de excelente troca de bola, boa organização tática e desenho estratégico que, numa noite de alinhamento das estrelas, poderia ter saído do Dragão com um resultado positivo, embora estivessem frente a frente realidades diferentes. 

O resumo do FC Porto-Moreirense (2-1)

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