Pais junto à escola de Kahramanmaras após tiroteio
Pais junto à escola de Kahramanmaras após tiroteio

Tiroteio em escola na Turquia foi inspirado em ataque misógino dos EUA

Jovem seguiu exemplo de Elliot Rodger, que matou seis pessoas no campus universitário em Santa Bárbara

O adolescente de 14 anos que matou nove pessoas numa escola no sul da Turquia, esta quarta-feira, inspirou-se num ataque ocorrido nos Estados Unidos em 2014. A informação foi divulgada esta quinta-feira pela direção-geral da polícia turca.

As autoridades revelaram que o jovem usava uma imagem de Elliot Rodger no seu perfil de WhatsApp. Rodger foi o autor do massacre de Isla Vista, na Califórnia, onde assassinou seis pessoas num campus universitário antes de se suicidar. Num vídeo divulgado antes do ataque, o jovem explicou que o ato seria uma «punição» para as mulheres que o haviam rejeitado.

O pai do atirador, um ex-inspetor de polícia e proprietário das armas utilizadas no crime que ocorreu em Kahramanmaras, foi detido na quarta-feira e encontra-se em prisão preventiva. Segundo as autoridades locais, o aluno «chegou à escola com armas, presumivelmente do pai, na sua mochila, entrou em duas salas de aula e abriu fogo indiscriminadamente».

Entre as vítimas mortais contam-se oito crianças – cinco rapazes e três raparigas com idades entre os 10 e os 11 anos – e um professor de 55 anos. As cerimónias fúnebres estavam agendadas para esta quinta-feira, de acordo com o município local.

O jovem também morreu, mas o governador, Mukerrem Unluer, não especificou se «foi suicídio ou se [a morte] ocorreu no meio do caos».

A polícia turca, em comunicado, afastou para já a ligação a terrorismo, tratando o caso como um «ato isolado». «Os aparelhos digitais apreendidos durante as buscas na casa do autor e no veículo do seu pai foram confiscados e estão a ser analisados», informou a mesma fonte.

Este foi o segundo ataque a uma escola na Turquia em apenas dois dias. Na véspera, um outro adolescente feriu a tiro 16 pessoas numa escola profissional na província de Sanlıurfa. Desde o primeiro incidente, as autoridades já detiveram 83 pessoas por «glorificarem o crime e os criminosos» e bloquearam o acesso a 940 contas de redes sociais e 93 grupos do Telegram pelo mesmo motivo.