Treinador do Benfica projetou o duelo decisivo na Dinamarca, o último para carimbar a presença na fase de liga da Liga Europa

Temas que irritaram Marco Silva, Palhinha e Circati — tudo o que disse o treinador do Benfica

Fez, esta quarta-feira, a antevisão do jogo com o Aarhus para a Liga Europa

Marco Silva fez esta quarta-feira a antevisão do jogo da segunda mão do play-off de acesso à Liga Europa, frente ao Aarhus, na Dinamarca. O treinador do Benfica recusou comentar temas relacionados com o mercado de transferências e colocou foco, apenas, neste jogo europeu. Mas João Palhinha foi tema incontornável... Leia em baixo tudo o que o técnico disse em conferência de imprensa.

Que espera deste segundo jogo com o Aarhus, agora na Dinamarca e depois do 3-1 da Luz?
— Sim, um cenário diferente, mas uma vantagem positiva para nós, num jogo muito positivo da nossa parte, o que nos dá a confiança de que, se estivermos ao nosso melhor nível, podemos estar onde queremos estar, que é na fase de liga da Liga Europa. Um jogo onde o resultado poderia ter sido mais dilatado devido à forma como jogámos e à capacidade que tivemos de criar oportunidades. Como disse também, foi um jogo praticamente de sentido único, em que prevaleceu muito a nossa qualidade. Um jogo em que, defensivamente, naquilo que era a nossa estratégia tática, estivemos muito bem também. Sei que sofremos um golo que era completamente evitável no momento em que tínhamos a bola, mas taticamente estivemos bem, ajustámos algumas questões de posicionamento da nossa linha média que funcionou também bem. Esperamos um jogo difícil, um adversário que, naturalmente, vai querer reagir, um adversário que vai querer ter um impacto desde o começo do jogo e, como disse há pouco, é um jogo que vai exigir que estejamos a um nível muito bom para passar.

Se estivermos ao nosso melhor nível, podemos estar onde queremos estar

Qual a sua opinião sobre João Palhinha e o que ele trará à equipa? Com a chegada deste reforço, fica com a equipa que sonhava?
— Eu não queria muito, e vou falar claro do João, mas não queria muito tirar o foco daquilo que é a razão de nós estarmos aqui. Eu percebo que, o mercado estando aberto, estamos sujeitos a estas questões de anunciar os jogadores ou de os jogadores chegarem, ou noutro caso, como partiram também jogadores em momentos importantes para nós, de véspera ou antevéspera de jogo. Portanto, estamos satisfeitos. Mais um, como eu disse há pouco, percebo que é o regresso a Portugal do internacional português, é um jogador que também esteve comigo já durante duas temporadas e percebo a narrativa que se foi criando nos últimos 30 dias no futebol português e na comunicação social por tudo isso. Eu não vou entrar muito nesse aspeto, não vou dar aqui um ênfase que neste momento não é importante para nós darmos. Eu quero o foco total do Benfica no jogo de amanhã. Vou-me referir claramente à questão do João: quando contratamos um jogador como o João para o nosso clube, é porque acreditamos que vai realmente acrescentar algo importante. Eu tinha falado muito do perfil que procurávamos para aquela posição, portanto, e nesse aspeto decidimos ir pelo João e é um jogador que, como todos os outros que tentamos contratar, é para tentar que o Benfica seja mais forte, e esse foi o objetivo com o João.

—  Mas fica com a sua equipa de sonho?
—  Não, não vou entrar por aí, mas vou-lhe ser claro e muito aberto nessa questão: mal era de um treinador que se senta nesta cadeira, que após oito semanas no Benfica, já tenha a equipa de sonho. Portanto, a equipa está muito longe daquilo que tem de ser. Muito longe. Eu quero ser muito claro, não é retirar expectativas, não é retirar objetivos, nada disso. O objetivo é claro, quando se está neste clube o objetivo é muito claro, mas eu também gosto de ser honesto ao máximo. Nós temos vindo a jogar bem e a fazer bons jogos, mas há muito para melhorar para nós sermos cada vez mais fortes. Respondendo diretamente à sua questão, acho que isso é óbvio: é impossível chegar a um clube e após oito semanas ter a equipa de sonho.

É impossível chegar a um clube e após oito semanas ter a equipa de sonho.

Acha que os adeptos do Sporting têm razão para se sentirem traídos por Palhinha ter assinado pelo Benfica? E como comenta as palavras do presidente do Sporting, que disse não estar disposto a investir tantos milhões num jogador de 31 anos?
— Posso fazer uma pergunta? Tem mais alguma pergunta ou não? Essas não respondo. Não são perguntas relacionadas com o jogo e não são perguntas em que eu vá ter de entrar por esses caminhos como treinador do Benfica. Peço-lhe imensa desculpa, não vou entrar por aí. Se quiser fazer outra pergunta, pode fazer, mas uma pergunta sobre o Benfica e sobre o jogo.

Essas não respondo. Não são perguntas relacionadas com o jogo e não são perguntas em que eu vá ter de entrar por esses caminhos.

Fala-se também no interesse de alguns clubes em Richard Ríos, como fica agora com a chegada de Palhinha?
— E o jogo de amanhã não é importante?

Richard Ríos poderá aparecer como titular neste jogo?
—  Isso tem de esperar. Eu percebo a questão, o Fredrik está fora, o Richard tem vindo a trabalhar com a equipa, chegou mais tarde, como eu falei também, é um dos jogadores que chegando mais tarde se está a adaptar àquilo que são as dinâmicas da nossa equipa. Esta semana limpa e completa para nós trabalharmos foi importante para esses mesmos jogadores, para o próprio Circati que acabou de chegar. Isso é que é o importante para mim, aquilo que eu controlo. Outras questões que falou há pouco, não vou entrar por aí.

Pergunto se deseja ver reforçadas as posições de lateral-esquerdo e médio ofensivo?
— Eu gostava de estar aqui convosco a falar do jogo de amanhã. Vocês vão por caminhos que eu não vou entrar. E estando o mercado aberto, eu percebo, mas eu estou numa conferência de antevisão para um jogo que é muito importante para nós. Desde o princípio desta época que começámos, tivemos uma pré-época completamente diferente daquilo que é normal para um clube da dimensão do Benfica. Vamos fazer o sexto jogo de qualificações para a fase de liga da Liga Europa. Passo a passo, tenho o sentimento e o feeling de que temos vindo a melhorar como equipa. Temos jogadores que têm estado a trabalhar forte e bem para perceberem aquilo que são as ideias de uma nova equipa técnica, como é normal, mas ao mesmo tempo temos conseguido fazer com que assimilem rapidamente alguns daquilo que são os processos. Está longe de ser perfeito e eu quero o foco total, e não vou estar a falar, não o fiz, de posições que podíamos ou não estar à procura de reforçar na nossa equipa, muito menos vou fazer isso na véspera de um jogo que é tão importante para nós.

Qquero o foco total, e não vou estar a falar, não o fiz, de posições que podíamos ou não estar à procura de reforçar.

Fredrik Aursnes  está outra vez de fora e tem sido uma fase complicada para ele desde que veio do Mundial, com algumas lesões e outro tipo de problemas, e tem apenas 6 minutos. Como é que está o Fredrik em termos psicológicos com tanta lesão? E também, tendo em conta que o Benfica tem sete jogos esta época e sofreu golos em cinco, Circati já é uma opção para jogar e para se estrear com a camisola do Benfica?
— Em relação à segunda parte, nem sempre quando se sofre golos o problema está no defesa-central, como quis fazer parecer com a pergunta que fez. Se o Circati vai entrar e vamos deixar de sofrer golos de certeza? Se eu tivesse essa certeza, amanhã podem contar que ele ali estaria dentro do campo. Nem sempre quando a equipa marca muitos golos quer dizer que os avançados fizeram o trabalho perfeito e que a defesa não é importante. Hoje em dia, cada vez mais no futebol, toda a gente tem de perceber aquilo que são as dinâmicas de ataque e no nosso momento defensivo. Sem bola, ao fazermos o jogo que fizemos na última quinta-feira, praticamente não permitimos nada ao adversário e em 15 ou 20 segundos perdemos o foco na forma como perdemos bola e depois no momento de transição defensiva. O que poderíamos ter feito melhor já trabalhámos isso com os jogadores e já fomos muito claros com eles. Não podem beliscar aquilo que foi um jogo, em termos de organização defensiva, muito bom da nossa equipa. Portanto, nesse aspeto, não me parece a mim que tenha sido por aí no último jogo. Eu percebo a vossa questão quando se contrata um jogador, e sendo um defesa-central, que vai ser o jogador que vai resolver todos os possíveis problemas que uma equipa tenha. É a forma como vocês olham para a questão, eu olho de forma diferente. Em relação a quem será o onze ou quem será o defesa-central, ou o guarda-redes (hoje não perguntaram do guarda-redes, se calhar ainda vem a pergunta também), terão de esperar por amanhã para perceberem.Em relação ao Fredrik, com muita pena nossa, pior para o jogador que não pode estar presente. São os jogadores, nestes momentos, quem sofre mais por não poderem estar a 100% para ajudarem a equipa. É um jogador que tem sido importantíssimo para o clube e eu tenho a certeza que será muito importante novamente para nós enquanto equipa técnica. Sendo um jogador muito inteligente taticamente, acredito que não irá demorar muito tempo a perceber e a estar dentro daquilo que são as nossas dinâmicas. Até porque é um jogador muito atento e, mesmo não estando a treinar a maioria das vezes, está presente, quer estar presente para tentar perceber e assimilar o mais rapidamente possível aquilo que são as nossas ideias. Mas não tem sido positivo para nós não o ter, de certeza. Fez praticamente cinco ou seis sessões de treino desde que chegou das férias do Mundial e este pára-arranca para ele não tem sido bom, não só para ganhar minutos, mas depois para perceber as duas posições, especialmente onde o poderíamos vir a utilizar. Amanhã seria mais um momento para lhe podermos dar minutos de jogo, não podendo exagerar muito porque não tem treinado tanto, mas seria mais um momento muito importante para isso acontecer. Não será possível, infelizmente. Não sendo nada grave, parece-nos a nós que não é nada de grave, esperemos que quando possamos voltar a treinar após o jogo de amanhã ele possa estar integrado novamente e poder, de vez, começar a treinar com a equipa e estar integrado nos jogos, e assumir o papel que nós achamos que ele irá e temos a confiança que ele irá assumir nesta equipa.

O onze do Benfica para o Aarhus mais votado pelos leitores de A BOLA:

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Que espera da parte do Aarhus?
—  Esperamos, de certeza, um jogo muito difícil para nós. Esperamos uma reação do Aarhus, definitivamente. Pela forma como vão começar, provavelmente vão tentar ter um impacto sobre nós. Eles sabem que, se tivermos a bola, somos capazes de criar problemas para eles. Eles têm duas formas de o fazer: provavelmente uma equipa que vai pressionar muito mais alto do que fizeram. Em alguns momentos eles tentaram no início do jogo em Lisboa, mas foi difícil para eles devido à nossa qualidade em sair no primeiro momento dessa pressão. Provavelmente vai ser o mesmo amanhã, provavelmente uma pressão mais agressiva na nossa primeira fase de construção. Esperamos isso realmente e, claro, uma equipa que, se virem a forma como gostam de ter a bola no seu campeonato, a forma como mantêm a posse, mesmo no último jogo que jogaram em casa... eles gostam de ter posse, foram capazes de criar oportunidades também, e esperamos esse tipo de jogo. E, claro, dependendo de nós próprios, temos de ser capazes de jogar à nossa maneira, da forma como queremos jogar, para passar à próxima fase.

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