Leangel Linarez (à esquerda na imagem) celebra com o companheiro de equipa João Matias a vitória em etapa da Volta a Portugal- Foto (Nuno Veiga/LUSA)
Leangel Linarez (à esquerda na imagem) celebra com o companheiro de equipa João Matias a vitória em etapa da Volta a Portugal- Foto (Nuno Veiga/LUSA)

Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua abandona pelotão

Equipa Continental portuguesa coloca ponto final a nove anos a competir no mais alto patamar do ciclismo nacional

O pelotão nacional vai perder uma das formações mais carismáticas. A Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua confirmou que não terá continuidade na temporada de 2027, colocando um ponto final a uma ligação de quase três décadas à modalidade e nove a competir no mais alto patamar do ciclismo nacional, após uma decisão que a própria estrutura classificou como difícil.

«Após 27 anos de existência, e desde 2018 a competir no mais alto patamar do ciclismo nacional, o projeto da equipa ContinentaI, Tavfer-Ovos Matinados-Mortágua não terá continuidade na temporada de 2027. É uma decisão difícil, que encerra um percurso feito de dedicação, trabalho, sacrifício e paixão pelo ciclismo», comunicou a formação através das redes sociais.

Com um trajeto marcado pela postura combativa e por estratégias de comunicação e marketing que cativaram os adeptos, a formação com sede em Mortágua atingiu o estatuto continental em 2018, correspondente ao terceiro escalão internacional. Sob a liderança desportiva do diretor galego Gustavo Veloso - vencedor da Volta a Portugal em 2014 e 2015, além de três segundos lugares (2013, 2016 e 2020) e um terceiro posto (2019) -, o conjunto alcançou forte visibilidade nas últimas edições da prova rainha do calendário nacional.

Nomes como João Matias, que vestiu a camisola amarela na Volta a Portugal de 2023 e foi segundo na classificação por pontos em 2022, o venezuelano Leangel Linarez, campeão pan-americano de fundo em 2024 e vencedor de etapa na Volta este ano, e Bruno Silva, 'rei' da montanha da prova em 2015 e 2021, figuram entre os atletas afetados pelo desfecho da equipa.

«Ao longo destes anos, construímos muito mais do que uma equipa. Criámos uma identidade, partilhámos ambições, vivemos momentos inesquecíveis e levámos o nome de Mortágua e dos nossos parceiros a inúmeras estradas, dentro e fora de Portugal», salientou a estrutura, agradecendo a patrocinadores, ciclistas, equipa técnica e adeptos.

Apesar da interrupção na elite, a entidade gestora assegura a continuidade do trabalho de base. «O Velo Clube do Centro continua, na dinamização, na formação e na paixão pelo ciclismo em Mortágua. Esta história merece ser recordada, mas também merece continuar a ser vivida. 2027 será um período de reestruturação e reflexão, com o objetivo de preparar o futuro do projeto e, quem sabe, regressar à estrada com os mesmos valores e a mesma ambição», rematou a nota.

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