Wojciech Szczesny
Wojciech Szczesny - Foto: IMAGO

Szczesny abre o coração e fala do vício de fumar: «É uma fraqueza minha»

Guarda-redes polaco abordou em entrevista ao The Athletic a reforma, o regresso inesperado ao Barcelona e a paixão reencontrada no futebol

Em setembro de 2024, Wojciech Szczesny acreditava que a sua carreira no futebol tinha chegado ao fim. Após deixar a Juventus, o antigo internacional polaco tinha-se retirado para Marbella, onde desfrutava da vida familiar e de passatempos como tocar piano, sem qualquer intenção de voltar aos relvados. No entanto, um telefonema do Barcelona mudou tudo. A grave lesão de Ter Stegen, que sofreu uma rutura completa do tendão patelar do joelho direito, obrigou o clube catalão a procurar um substituto experiente. Szczesny aceitou o que esperava ser uma missão de apenas nove meses.

Menos de dois anos depois, o guarda-redes de 36 anos prepara-se para a sua terceira época em Camp Nou. «Quando parei, já não queria jogar mais futebol», confessou ao The Athletic durante a pré-época em St. George's Park. «Deixei de gostar de jogar. Não gostava de acordar para ir treinar...» O guarda-redes explicou que a decisão de se separar da Juventus, que já não conseguia suportar o seu contrato, coincidiu com uma falta de vontade para enfrentar novos desafios. «Foi uma decisão fácil para mim e para a família. A partir de certa altura na vida, a família passa a estar à frente do futebol», explicou.

A proposta do Barcelona surgiu quando já estava «muito feliz em casa, em Marbella». Apesar da hesitação inicial, a oportunidade foi irrecusável. «Acho que era simplesmente demasiado grande para não a aproveitar», afirmou. «No final, continuo a adorar o desafio e sou muito ambicioso. Quando surge uma oportunidade como esta, e temos essa ambição e acreditamos em nós próprios... até pelo nosso próprio ego, queremos testar-nos e ver o que conseguimos fazer a este nível», atirou.

A sua chegada a Barcelona ocorreu em outubro de 2024, mas a estreia só aconteceu em janeiro, na Supertaça de Espanha, na Arábia Saudita, após meses a recuperar a forma física. A adaptação foi um sucesso, e o polaco rapidamente se apaixonou pelo clube e conquistou os adeptos. «Eu já era um futebolista reformado e agora estou a viver um momento tão bonito. Sou uma espécie de adepto dentro de campo», descreve. «Tomei uma decisão consciente quando voltei ao futebol. Disse a mim mesmo: 'Se tomar esta decisão, vou desfrutá-la a 100 por cento'. Trato isto como um bónus para a minha carreira!»

Histórico de fumador

Conhecido pela sua autenticidade, Szczesny não esconde as suas imperfeições, admitindo abertamente o seu vício em nicotina e a sua «preguiça». «Nunca afirmo ser uma pessoa perfeita», diz, enquanto manuseia um vape durante a entrevista. Esta frontalidade, num desporto onde a imagem é muitas vezes controlada, parece ser a chave da sua ligação com o público.

A ligação com os adeptos do Barcelona foi imediata, em parte devido a um episódio do seu passado no Arsenal. Conforme noticiado pelo jornal britânico The Independent, Szczesny foi multado por ter sido apanhado a fumar. O guarda-redes abraçou a situação com humor. Desde que chegou ao clube, o Barcelona já teve duas paradas para celebrar troféus. Na primeira, usou um chapéu de palha com a palavra «Fumador» e, na segunda, juntou-se aos adeptos para cantar o seu próprio cântico.

O jogador polaco fala abertamente sobre o seu vício, considerando que essa honestidade cria uma ligação com as pessoas. «Pode não parecer a coisa mais profissional do mundo, mas sou quem sou. As pessoas sabem que tenho um vício do qual não me consigo livrar», admitiu, acrescentando que não está disposto a lutar contra ele. «As pessoas não pensam que eu fumo por terem visto uma foto minha escondida de um paparazzi. Eu admiti o meu vício, e é um vício que muitas pessoas no mundo têm. As pessoas provavelmente conseguem identificar-se com isso», justificou.

Apesar de o assumir, Szczesny faz questão de não o promover. «Nem penso em recomendar que as pessoas comecem a fumar. Acho que é uma coisa terrível e que todos deveriam evitar. É uma fraqueza minha, mas estou bem com essa fraqueza», afirmou.

Jogador de balneário

Esta autenticidade estende-se à sua postura no balneário, onde é conhecido pelo bom humor e por criar um bom ambiente, algo que o treinador Hansi Flick valoriza. Apesar de ser o jogador mais velho, Szczesny é frequentemente visto a brincar com os colegas mais novos, como quando fingiu pedir-lhes autógrafos e tirar fotografias como se fosse um adepto.

«Estou ciente da imagem que as pessoas veem agora, do jogador mais velho do balneário, mas que sorri muito e é muito descontraído. Mas não é só isso que está por trás da pessoa», reflete. «Poderia calar-me, não sorrir e não aproveitar tanto a vida para tentar ser julgado mais como um futebolista profissional... mas escolho não o fazer», disse.

Apesar de não ser titular, Szczesny sente-se uma peça importante no balneário do Barcelona, o que o levou a renovar contrato até ao final da época. «Sinto-me necessário para a equipa e sinto-me útil mesmo quando não jogo. Nem sempre é preciso ser o número 1 em campo para poder ajudar a equipa a lidar com certas situações, porque se tem a experiência», sublinhou, sentindo-se orgulhoso por ainda conseguir manter o nível exigente nos treinos.

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