Steve Kerr deve deixar os Warriors, Billy Donovan já não volta aos Bulls
«Não sei o que vai acontecer a seguir, mas amo-vos até à morte. Obrigado», disse Steve Kerr a Stephen Curry e Draymond Green, os jogadores com quem conquistou quatro títulos como técnico em seis Finals, a um minuto do final do jogo de play-in em que os Warriors perderam contra os Suns (96-111) e que deixou os californianos fora do play-off pela segunda vez em cinco temporadas.
A dúvida ficou no ar. E continua, mas agora rumores indicam que o futuro do técnico, de 60 anos, parece cada vez mais longe de São Francisco. De acordo com várias fontes da liga, Kerr não deverá regressar para a temporada 2026/27, que seria a sua 12.ª no comando dos Warriors, a menos que ocorra uma mudança significativa e recupere a fé no rumo do franchise.
Steve iniciou a época mentalmente preparado para que fosse a sua última, uma convicção reforçada quando, no verão passado, rejeitou firmemente a ideia de prolongar o contrato. A eliminação dos Warriors na passada sexta-feira, pôs fim a uma temporada de tormento e acelerou as especulações sobre a sua saída.
A crença geral — partilhada por Draymond Green —, é que Kerr deixará o cargo após uma reunião com o dono do clube Joe Lacob e o diretor-geral Mike Dunleavy que estará agendada para o final da semana. Isto apesar de ter deixado uma pequena porta aberta para um possível regresso e permanecer até que Curry, de 37 anos, cumpra o último ano de contrato com os Warriors.
Vínculo que dará ao base 62,587 milhões de dólares (53,21 milhões de dólares) e o manterá como o mais bem pago da Liga. Mas há também quem diga que, no caso de Steve Kerr, nem um salário impensável o manterá no clube. «Podiam oferecer ao Steve 25 milhões de dólares por ano (21,26 milhões de euros), e duvido que só isso fizesse a diferença», afirmou outra fonte, salientando que o treinador mude de ideias, será necessário, entre outros fatores, uma fé renovada no seu papel enquanto a equipa transita para uma nova era.
Em setembro, Steve já havia afirmado estar tranquilo com o seu futuro. «Estou muito confortável em entrar nesta época com apenas um ano de contrato. Estou totalmente alinhado com o Mike Dunleavy [diretor-geral] e o Joe Lacob. Não há motivo para discussão ou preocupação. Chegámos a um ponto na nossa relação em que é como, vamos ver como as coisas estão no final do ano».
Consta também que, caso a saída de Steve Kerr se confirme isso poderá levar a desencadear uma reestruturação profunda do plantel.
Embora não se saiba que alterações seriam essas, o futuro de figuras como Stephen Curry e Draymond Green fica em causa. Curry manifestou, na semana passada, interesse em negociar uma extensão. Já Green, que detém uma opção de jogador no valor de 27,7 milhões (23,55 milhões) para a próxima época, admitiu a possibilidade de a não activar para assinar um novo contrato plurianual com salário mais baixo em 2026/27.
A saída de Kerr teria também repercussões noutros jogadores. Acredita-se que Al Horford e De'Anthony Melton teriam menos probabilidade de regressar. No caso de Kristaps Porzingis, embora a sua continuidade também ficasse em dúvida, os Warriors detêm os seus «Bird rights», o que lhes permite oferecer um contrato superior a qualquer outro clube e poderá ser um fator decisivo para a sua permanência.
Billy Donovan disse adeus aos Bulls
Quem, definitivamente, não volta para a próxima temporada a Chicago é o treinador Billy Donovan, que chegara aos Bulls há seis épocas na sequência de uma grande reestruturação na direção do clube.
A decisão surge semanas depois de os Bulls terem despedido o vice-presidente de operações de basquetebol, Arturas Karnisovas, e o diretor-geral, Marc Eversley. O trio, que incluía Donovan, tinha sido contratado em 2020, mas a equipa somou a quarta época consecutiva com um registo negativo sob a sua liderança e fora do play-off. Nos últimos nove anos, aliás, apenas em 2021/22 nos Bulls passaram da regular season, e caíram logo na ronda inaugural contra os Bucks (4-1).
Donovan explicou a sua decisão através de um comunicado: «Após uma série de discussões ponderadas e extensas com a administração sobre o futuro da organização, decidi afastar-me do cargo de treinador principal dos Chicago Bulls, para permitir que o processo de busca se desenrole».
Curiosamente, apesar da saída da restante estrutura diretiva, o presidente dos Bulls, Michael Reinsdorf, tinha manifestado publicamente o desejo de manter Donovan no cargo ainda há poucas semanas. «O Billy é um treinador do Hall of Fame que não só tem o meu respeito, mas o respeito de toda a organização e do balneário», afirmou Reinsdorf após o despedimento de Karnisovas e Eversley. «Queria deixar bem claro: queremos que o Billy continue a ser o treinador dos Chicago Bulls».
Reinsdorf reforçou a sua posição, isentando o treinador dos maus resultados da equipa e destacando a sua entrada no Naismith Basketball Hall of Fame em setembro passado.
«Se eu estiver a entrevistar alguém que não esteja convencido em relação ao Billy, a um treinador do Hall of Fame, a uma pessoa que ganhou campeonatos universitários, que foi longe nos play-offs em Oklahoma City, e que acredito que com os Chicago Bulls, todos os anos, dada a equipa que lhe foi entregue, alcançou resultados muito bons — não os que queríamos, mas não foi por causa do Billy —, então essa pessoa provavelmente não é o candidato certo para nós», declarou o presidente.
Donovan deixa os Bulls com apenas uma presença nos playoffs (em 2021-22) ao longo das suas seis épocas. Recorde-se que, antes de se juntar a Chicago, o técnico tinha levado os Thunder ao play-off em cada uma das cinco época que esteve em Oklahoma City.
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