Sporting: «Tive momentos em que pensei em desistir», o documentário de Nuno Santos
Sangue, suor e lágrimas: é assim muitas vezes descrita a forma de jogar e de ser de Nuno Santos, ala do Sporting que se lesionou com gravidade em outubro de 2024, um calvário de 15 meses que só os mais fortes, como o camisola 11 dos verdes e brancos, conseguiriam ultrapassar. Foram 467 dias desde a lesão até ao regresso aos jogos, muito sofrimento, desespero mas também esperança tudo documentado pelos leões num filme que pode ser visto nas plataformas do clube.
«Não era para passar por isto outra vez. Tive muitos momentos em que pensei em desistir. Era tirar-me o sonho de menino», assim mesmo, de forma crua e da boca de Nuno Santos a confissão de desistência talvez de alguém a quem nunca se imaginasse que esse sentimento lhe viesse à cabeça.
O pensamento andou lá, afinal sofreu «com dores até mais ou menos um ano de lesão». Mas Nuno santos é forte, foi forte, e pensou: «Tenho uma montanha grande para subir.» E subiu. Demorou 467 dias a subi-la mas foi escalada como um alpinista sobe o Evereste.
Os 15 meses
O documentário começa com Nuno Santos a entrar em campo a 5 de fevereiro de 2026, dia do 3-2 ao Aves SAD na Taça de Portugal mas num flashback recua até 26 de outubro de 2024 e a Famalicão: estava quase a terminar a primeira parte, jogo da 9.ª jornada da Liga 2024/2025 e com o resultado ainda 0-0 (terminou 3-0 para os leões), quando no período de compensação Nuno Santos se lesionou, após um lance dividido com o médio famalicense Zaydou Youssouf aos 45+6’. O esgar de dor era imenso, a preocupação geral, a sensação de ser grave a pairar, quase certeza.
«Senti a perna a falhar, senti que tinha perdido a perna, alguma coisa que tinha ficado para trás, a perna a ficar para trás… alguma coisa que me rebentou dentro do corpo, o joelho todo dobrado! Estava desesperado, quase que perdia os sentidos», recorda o ala de 31 anos.
Era mesmo grave: rotura do tendão rotuliano do joelho direito, a terceira lesão no joelho depois de rotura do cruzado e recidiva. «Sempre disse que se tivesse uma lesão assim desistia de jogar futebol. Já passei por isso. Ninguém merece, não merecia passar por isso outra vez», lembra agora Nuno Santos o que lhe veio à ideia na altura.
«Quando soube o resultado, o doutor queria operar logo a seguir. Disse que não, sou forte mas tenho medos», mas dois dias depois a intervenção cirúrgica. Outra vez… Mas foi nesses momentos de dor, difíceis, que Nuno Santos apelou ao seu lado mais forte. E que é mesmo muito forte. «Vim logo para a Academia trabalhar e a pensar no futuro», recorda e completa: «Ainda hoje não consigo descrever como consegui ultrapassar. Olho para trás e dá-me angústia, muita angústia, porque é o mesmo que tirar o maior prazer da vida duma pessoa.»
A família
A família foi apoio fundamental nestes 15 meses. A mulher, Diana Santos, que no documentário aparece sempre como a força extra do camisola 11 do Sporting, os dois filhos que sem perceberem porque o pai nunca mais voltava a jogar acabaram por ter a atenção que não costumam ter quando ele andava com a equipa de estádio em estádio, em Portugal e no estrangeiro.
Foram muitas lágrimas, muito esforço e dedicação. Mas Nuno santos venceu e está de volta. «Aqui estou e sei que vou vingar muito ainda e dar muitas alegrias à minha família e ao Sporting», garante, quase a terminar o filme de 27 minutos que encerra assim: «E dizer a toda a gente que eu estou de volta!»
Bragança, Rui Borges…
Durante a quase meia hora de documentário os espectadores podem assistir às imagens da recuperação de Nuno Santos, no hospital, na Academia, no ginásio e no relvado. E são muitos os testemunhos, do diretor da Unidade de Performance João Pedro Araújo — «metade dos que têm esta lesão não consegue voltar mas se há alguém com capacidade de superar é o Nuno. É muito forte, colocou objetivos a tocar a irrealidade mas superou todas as etapas com distinção», diz o médico do Sporting —, a Daniel Bragança, companheiro de recuperação, também ele na altura a lutar para debelar lesão grave no joelho, passando pelo fisioterapeuta Rúben Ferreira.
Mas também o treinador Rui Borges, no Sporting desde 26 de dezembro de 2024 e por isso sem poder contar com Nuno Santos até este recente regresso. «Vi-o focado na recuperação, se alguém recuperava daquela lesão era ele, é alguém que aprendemos a admirar», confessa o treinador, que no primeiro dia de volta aos treinos no relvado o recebeu até para com ele realizar exercícios, como se vê no filme.
«A resiliência dele é extraordinária, algo que levo comigo como exemplo. Não teria a força e a capacidade de sofrimento e de trabalho que ele teve. É algo invulgar», assegura o técnico.
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