Sorri, Diogo: esta foi para ti!
A mística de Anfield faz com que todos os jogos pareçam especiais, é verdade, mas o que ontem opôs o campeão a iniciar a defesa do título ao Bournemouth foi mesmo. Afinal, foi o primeiro oficial no anfiteatro dos reds desde que Diogo Jota nos deixou, de forma trágica, ao lado do irmão, num acidente de carro. E, claro está, o mural de homenagem ao internacional português paredes-meias com o estádio foi ponto de passagem obrigatório ao longo do dia para os milhares de pessoas que encheram as bancadas.
Cartazes, fotografias, tarjas e cachecóis com alusões a Jota eram mais do que muitos e o minuto 20, o número da camisola para sempre retirada no clube, serviu para voltar a saudar Jota, que lá em cima terá certamente sorrido e acenado.
Depois de perder a Supertaça para o Crystal Palace, o Liverpool queria arrepiar caminho, mas no Bournemouth encontrou um oponente dificílimo para nos fazer lembrar do porquê de cada um dos 380 jogos da Premier League ter a sua dose de imprevisibilidade, jogue quem jogar.
Com os quatro reforços sonantes (Frimpong, Kerkez, Wirtz e Ekitiké) no onze, os reds demoraram a pegar no jogo, sobretudo porque com Frimpong e Kerkez se mudam muitas das rotinas na primeira fase de construção e Wirtz ainda procura o melhor espaço para aparecer nas costas de Ekitiké. O francês, esse, já está a mostrar ao que vem: marcou na Supertaça e desatou ontem o nulo, aos 37', para dar início ao que parecia ser uma noite tranquila para o campeão. Puro engano...
Nem sequer o 2-0, aos 47', com Ekitiké a servir de apoio para o remate triunfante de Gakpo, num movimento 'à Jota', da esquerda para o meio, assustou os cherries. À hora de jogo, Arne Slot quis refrescar as laterais, trocou Frimpong e Kerkez por Endo e Robertson, e o Liverpool entrou em desnorte.
Agradeceu Semenyo, um verdadeiro perigo à solta, para bater Alisson por duas vezes (64' e 76') e deixar o campeão de queixo caído. Daí em diante, foi Premier League no seu estado puro, com a emoção à flor da pele e a vitória a chegar de forma épica.
Chiesa ficou esquecido na área e fez o 3-2, antes de o inevitável Salah igualar os 187 golos de Andy Cole para ser o 4.º melhor marcador da história da competição. Podia ser com menos sofrimento? Sim, mas não era a mesma coisa...