Ndoye e Jorginho na passagem pelo Valmiera - Foto: DR
Ndoye e Jorginho na passagem pelo Valmiera - Foto: DR

«Se mantiver este crescimento, não vejo porque Ndoye não possa encaixar num dos grandes»

A BOLA esteve à conversa com Jorginho, avançado português que jogou com o avançado do Vitória de Guimarães no Valmiera, da Letónia. Formado no FC Porto, Jorginho representa atualmente o Maia Lidador

Alioune Ndoye é um dos nomes do momento do Vitória de Guimarães e do futebol português. O avançado senegalês, de 24 anos, foi um dos heróis dos vimaranenses na conquista da Taça da Liga. Bisou frente ao Sporting, nas meias-finais, e também entrou para decidir diante do SC Braga.  

O avançado português Jorginho, atualmente no Maia Lidador, jogou com Ndoye no Valmiera, da Letónia, em 2020, 2021 e 2022, e admitiu que ficou surpreendido com o impacto do ex-colega de equipa na final four da Taça da Liga. 

Jorginho durante a passagem pelo Valmiera, da Letónia - Foto: DR
Jorginho durante a passagem pelo Valmiera, da Letónia - Foto: DR

«Entrou a partir do banco e mudou jogos. Isso mostra maturidade e confiança. Em momentos desses, nem todos conseguem assumir. Ele assumiu-se sem medo», referiu, em declarações ao nosso jornal, confessando que vê «diferenças claras» em Ndoye em comparação com aquele com que dividiu balneário na Letónia. 

«Na Letónia era um jogador mais cru, vivia sobretudo da velocidade e do físico. Noto-o mais equilibrado taticamente, mais paciente nas decisões e com melhor leitura de jogo. Jogámos juntos cerca de uma época, talvez um pouco mais, mas faltava-lhe consistência, algo que agora parece ter ganho. O campeonato letão é bastante mais físico e menos intenso do que o português do ponto de vista tático. Em Portugal, o jogo é mais pensado, mais exigente na tomada de decisão e no posicionamento. O Ndoye tem características que encaixam bem na liga portuguesa: velocidade e agressividade ofensiva. Se continuar a evoluir, pode perfeitamente afirmar-se como um dos destaques», contou. 

Jorginho, que fez a formação no FC Porto, onde se cruzou com nomes como Diogo Costa, Vitinha e João Félix, acredita que, Ndoye, se «mantiver este crescimento», poderá encaixar num dos três grandes do futebol português. 

Ndoye e Jorginho na passagem pelo Valmiera - Foto: DR
Ndoye e Jorginho na passagem pelo Valmiera - Foto: DR

«Ndoye era um jogador relativamente reservado, sobretudo no início. A barreira linguística era um problema, porque não falava muito bem inglês. Com o tempo foi-se soltando mais no balneário, mas nunca foi o mais falador. Ainda assim, sempre foi muito respeitador e humildade. Acredito que possa chegar longe. Se mantiver este crescimento, não vejo porque não possa encaixar num dos três grandes. Tem o perfil físico e técnico para isso. O mais importante será manter a regularidade e continuar a evoluir mentalmente, pois ainda é um jovem», atirou, falando também da sua experiência na Letónia.  

Ndoye com o troféu da Taça da Liga
Ndoye com o troféu da Taça da Liga

Depois de deixar o FC Porto, Jorginho passou pelo Cinfães, no Campeonato de Portugal, antes de rumar ao Valmiera. 

«A minha experiência na Letónia foi muito positiva. Foi um desafio diferente, tanto a nível cultural como futebolístico. Cresci bastante como jogador e pessoa. Saí da zona de conforto e isso marcou-me. Apesar das diferenças, foi uma etapa importante da minha carreira e guardo boas memórias, tanto dentro como fora de campo. Mas o que mais me marcou foi sem dúvida a estreia em competições europeus, como a UEFA Europa League», afirmou.