Samuel Soares joga como nunca e já vale pontos ao Benfica
Samuel Soares foi um dos protagonistas da vitória do Benfica diante do Gil Vicente (3-1), na sétima jornada da Liga. A partida até não começou da melhor forma para o guardião encarnado, que não conseguiu parar um remate de Héctor Hernández, logo aos 7'.
A redenção aconteceu bem perto do fim, já depois de Pavlidis (29' e 87') ter assinado os golos da reviravolta encarnada. O Gil Vicente invadiu a grande área das águias a parcos segundos do apito final, Andreas Lausen isolou-se e o guardião de 24 anos, com uma rapidez notável, reduziu a baliza.
Samuel Soares defendeu o leve desvio do dinamarquês e evitou a recarga de Tidjany Touré, segurando, à segunda, o esférico. A intervenção decisiva precipitou a reação eufórica das bancadas e dos próprios colegas de equipa.
Tomás Araújo, companheiro de batalhas na equipa principal e nas camadas jovens, reagiu efusivamente com um cumprimento com a cabeça. O jogo prosseguiu com a bola na posse do Benfica, que fechou o resultado segundos depois com um golaço de Prestianni (90+3'). O extremo argentino, que foi eleito o melhor em campo, destacou o mérito do guardião, no final da partida: «O triunfo também é graças ao Samu! Se o Gil Vicente tem empatado talvez fosse impossível.»
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— SL Benfica (@SLBenfica) September 14, 2026
Momento especial para Samuel Soares, que fixou, diante do Gil Vicente, um novo máximo de jogos disputados numa temporada ao serviço do Benfica (10). O internacional luso sub-21 'roubou' a titularidade a Trubin na receção ao Hearts, na primeira mão da 3.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da UEFA Europa League, e nunca mais saiu da baliza encarnada.
Samuel Soares encaixou oito golos em 900 minutos sob o comando de Marco Silva, tendo já deixado a baliza a zeros em três ocasiões, diante de Casa Pia (7-0), Marítimo (3-0) e Moreirense (4-0). Continuidade é a palavra de ordem para o guardião que, até esta temporada, nunca tinha disputado mais de três jogos seguidos na baliza da equipa principal.
A resposta do guardião não surpreende quem o conhece bem. João Nuno Fonseca, que foi adjunto de Luís Castro nos sub-23 do Benfica entre 2020 e 2021, considera que este «está a saber agarrar a oportunidade» dada por Marco Silva «com tudo». O «carácter muito forte» que já apresentava na formação encarnada faz a diferença.
O treinador de 37 anos, que comandou o Leixões na temporada passada, recordou a «personalidade forte» de um guardião «humilde» com «capacidade para ouvir e aprender», que se estreou nos sub-23 com apenas 17 anos, a 21 de janeiro de 2020, diante do Marítimo (0-2). «Acho que é esse caráter que vai fazer a diferença para se conseguir manter ao mais alto nível durante muito tempo, seja no Benfica, seja noutro clube no futuro», frisou em conversa com A BOLA.
A «visão» de Samuel Soares com a bola nos pés, aliada à capacidade de «defender muito bem entre os postes» oferecem soluções diferentes a Marco Silva. João Nuno Fonseca acredita que o técnico das águias «pode tirar o máximo de partida» do guarda-redes de 24 anos, nomeadamente na primeira fase de construção.
Na ótica do antigo adjunto dos sub-23 encarnados, os recursos com e sem bola que o guardião formado no Seixal apresenta podem continuar a abrir portas na elite, nomeadamente na Seleção Nacional: «Isso vai depender única e exclusivamente do Samuel, da sua capacidade de se manter focado e ter rendimento no alto nível.»
«Só vai depender dele porque tem todas as qualidades e capacidades», frisou. A continuidade e pode precipitar uma chamada «natural» à equipa das Quinas de um guardião com «muita margem de progressão».
A relação próxima com Tomás Araújo, dentro e fora de campo, dá «uma solidez diferente» no plano defensivo, «sobretudo ao nível da comunicação».
Tudo começou... com uma festa
Samuel Soares estreou-se pela equipa principal do Benfica, aos 20 anos, a 27 de maio de 2023, diante do Santa Clara (3-0), no duelo que confirmou a conquista do 38.º título encarnado. O jovem guardião afirmou-se na rotação de guardiões e até somou três duelos seguidos a titular, entre a segunda e a quarta jornada da Liga em 2023/24, na transição entre Odysseas Vlachodimos e Trubin.
O guardião ucraniano acabou por assumir a titularidade absoluta na baliza e Samuel esteve quase sempre na sombra nos últimos três anos, tendo rubricado 21 partidas, nove delas na Liga. As melhores marcas antes da presente temporada remontavam a 2024/25, quando o guardião somou 830 minutos distribuídos por nove jogos, sete dos quais na Taça de Portugal.
O verdadeiro passo em frente na evolução ficou reservado para a presente temporada. João Nuno Fonseca destacou a importância da concorrência de Trubin: «Essa relação de competitividade está a fazer com que ele esteja onde está neste momento. Ele soube agarrar a oportunidade e está a corresponder.»
«Agora é manter esta constância ao longo da temporada e continuar a treinar ao mais alto nível para errar o menos possível, estando sempre consciente de que o processo de maturação e a relação com o jogo vai evoluindo ao longo da época», frisou.
Seguem-se dois desafios de peso, caso se mantenha na baliza: a visita ao Milan, na estreia na fase de liga da Liga Europa, na quarta-feira, e o clássico diante do FC Porto, no estádio do Dragão, no domingo.