Ricardo Peres, treinador e comentador de A BOLA, comentou o facto de Lenglet ser o capitão do Benfica na Escócia

Samuel Soares joga como nunca e já vale pontos ao Benfica

Defesa a fechar segurou vantagem encarnada diante do Gil Vicente. João Nuno Fonseca destaca «caráter e personalidade forte» de guardião que, com continuidade, pode receber chamada «normal» à Seleção

Samuel Soares foi um dos protagonistas da vitória do Benfica diante do Gil Vicente (3-1), na sétima jornada da Liga. A partida até não começou da melhor forma para o guardião encarnado, que não conseguiu parar um remate de Héctor Hernández, logo aos 7'.

A redenção aconteceu bem perto do fim, já depois de Pavlidis (29' e 87') ter assinado os golos da reviravolta encarnada. O Gil Vicente invadiu a grande área das águias a parcos segundos do apito final, Andreas Lausen isolou-se e o guardião de 24 anos, com uma rapidez notável, reduziu a baliza.

Samuel Soares defendeu o leve desvio do dinamarquês e evitou a recarga de Tidjany Touré, segurando, à segunda, o esférico. A intervenção decisiva precipitou a reação eufórica das bancadas e dos próprios colegas de equipa.

Tomás Araújo, companheiro de batalhas na equipa principal e nas camadas jovens, reagiu efusivamente com um cumprimento com a cabeça. O jogo prosseguiu com a bola na posse do Benfica, que fechou o resultado segundos depois com um golaço de Prestianni (90+3'). O extremo argentino, que foi eleito o melhor em campo, destacou o mérito do guardião, no final da partida: «O triunfo também é graças ao Samu! Se o Gil Vicente tem empatado talvez fosse impossível.»

Momento especial para Samuel Soares, que fixou, diante do Gil Vicente, um novo máximo de jogos disputados numa temporada ao serviço do Benfica (10). O internacional luso sub-21 'roubou' a titularidade a Trubin na receção ao Hearts, na primeira mão da 3.ª pré-eliminatória de acesso à fase de liga da UEFA Europa League, e nunca mais saiu da baliza encarnada.

Samuel Soares encaixou oito golos em 900 minutos sob o comando de Marco Silva, tendo já deixado a baliza a zeros em três ocasiões, diante de Casa Pia (7-0), Marítimo (3-0) e Moreirense (4-0). Continuidade é a palavra de ordem para o guardião que, até esta temporada, nunca tinha disputado mais de três jogos seguidos na baliza da equipa principal.

A resposta do guardião não surpreende quem o conhece bem. João Nuno Fonseca, que foi adjunto de Luís Castro nos sub-23 do Benfica entre 2020 e 2021, considera que este «está a saber agarrar a oportunidade» dada por Marco Silva «com tudo». O «carácter muito forte» que já apresentava na formação encarnada faz a diferença.

João Nuno Fonseca - Foto: Leixões
João Nuno Fonseca começou a época passada no comando técnico do Leixões- Foto: Leixões

O treinador de 37 anos, que comandou o Leixões na temporada passada, recordou a «personalidade forte» de um guardião «humilde» com «capacidade para ouvir e aprender», que se estreou nos sub-23 com apenas 17 anos, a 21 de janeiro de 2020, diante do Marítimo (0-2). «Acho que é esse caráter que vai fazer a diferença para se conseguir manter ao mais alto nível durante muito tempo, seja no Benfica, seja noutro clube no futuro», frisou em conversa com A BOLA.

A «visão» de Samuel Soares com a bola nos pés, aliada à capacidade de «defender muito bem entre os postes» oferecem soluções diferentes a Marco Silva. João Nuno Fonseca acredita que o técnico das águias «pode tirar o máximo de partida» do guarda-redes de 24 anos, nomeadamente na primeira fase de construção.

Samuel Soares ao serviço dos sub-23, em 2020- Foto: A BOLA

Na ótica do antigo adjunto dos sub-23 encarnados, os recursos com e sem bola que o guardião formado no Seixal apresenta podem continuar a abrir portas na elite, nomeadamente na Seleção Nacional: «Isso vai depender única e exclusivamente do Samuel, da sua capacidade de se manter focado e ter rendimento no alto nível.»

«Só vai depender dele porque tem todas as qualidades e capacidades», frisou. A continuidade e pode precipitar uma chamada «natural» à equipa das Quinas de um guardião com «muita margem de progressão».

A relação próxima com Tomás Araújo, dentro e fora de campo, dá «uma solidez diferente» no plano defensivo, «sobretudo ao nível da comunicação».

Tudo começou... com uma festa

Samuel Soares estreou-se pela equipa principal do Benfica, aos 20 anos, a 27 de maio de 2023, diante do Santa Clara (3-0), no duelo que confirmou a conquista do 38.º título encarnado. O jovem guardião afirmou-se na rotação de guardiões e até somou três duelos seguidos a titular, entre a segunda e a quarta jornada da Liga em 2023/24, na transição entre Odysseas Vlachodimos e Trubin.

O guardião ucraniano acabou por assumir a titularidade absoluta na baliza e Samuel esteve quase sempre na sombra nos últimos três anos, tendo rubricado 21 partidas, nove delas na Liga. As melhores marcas antes da presente temporada remontavam a 2024/25, quando o guardião somou 830 minutos distribuídos por nove jogos, sete dos quais na Taça de Portugal.

O verdadeiro passo em frente na evolução ficou reservado para a presente temporada. João Nuno Fonseca destacou a importância da concorrência de Trubin: «Essa relação de competitividade está a fazer com que ele esteja onde está neste momento. Ele soube agarrar a oportunidade e está a corresponder.»

«Agora é manter esta constância ao longo da temporada e continuar a treinar ao mais alto nível para errar o menos possível, estando sempre consciente de que o processo de maturação e a relação com o jogo vai evoluindo ao longo da época», frisou.

Seguem-se dois desafios de peso, caso se mantenha na baliza: a visita ao Milan, na estreia na fase de liga da Liga Europa, na quarta-feira, e o clássico diante do FC Porto, no estádio do Dragão, no domingo.

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