Médio que sonhou jogar com Cristiano Ronaldo por Portugal está nos pré-convocados de Zidane
Lucas Da Cunha, médio francês de 25 anos e capitão do Como, da Serie A, foi pré-selecionado por Zinédine Zidane para a seleção de França, podendo ser a grande surpresa na primeira convocatória do novo selecionador, que será revelada sexta-feira. O jogador, discreto mas talentoso, está prestes a alcançar uma nova dimensão na sua carreira.
Segundo o Le Parisien e confirmado pela RMC Sport, o médio de 25 anos consta na lista de pré-convocados do novo selecionador dos bleus. Embora conhecido pelos especialistas, Da Cunha é uma figura desconhecida para o grande público, até porque, quando deixou França, em janeiro de 2023, o seu clube atual, o Como, ocupava o 17.º lugar da Serie B italiana.
Natural de Roanne, Da Cunha cresceu numa família de fervorosos adeptos do Saint-Étienne. Apesar de ser um grande apoiante dos Verts, nunca conseguiu entrar na formação do clube, tendo sido rejeitado mais do que uma vez. «Estava sempre retraído», recordou numa entrevista ao Media Carré. Tímido e impressionado, não arriscava no drible e preferia o passe seguro. «Não resultava em nada», admitiu.
Aos 14 anos, o jovem Da Cunha viu o seu sonho ser novamente adiado ao ser preterido pelo Lyon e pelo Dijon, onde ficou em 15.º lugar entre 16 participantes num dia de captações. «Foi o meu terceiro fracasso, e esse doeu-me bastante», confessou.
Foi no Rennes que o seu percurso finalmente ganhou forma. Sagrou-se campeão de França de sub-17 em 2018 e de sub-19 em 2019, afirmando-se nas camadas jovens e nas seleções (sub-17 e sub-18). Contudo, a forte concorrência no Rennes, que na altura disputava a UEFA Champions League, impediu a sua afirmação na equipa principal. O seu desejo era apenas jogar, o que o levou ao Nice, que o emprestou de imediato ao Lausanne.
Na Suíça, Da Cunha ganhou finalmente a regularidade de que precisava, melhorou a sua condição física e começou a marcar golos. «Precisava de jogar consecutivamente», afirmou. Seguiram-se seis meses irregulares no Clermont, novamente por empréstimo, antes de regressar a Nice, onde um treinador, cujo nome não revelou, o confundiu com um defesa e lhe chamava «Jean».
Com um total de 27 jogos na Ligue 1 (dois pelo Rennes, 10 pelo Nice e 15 pelo Clermont), Lucas Da Cunha rumou a Itália para representar o Como. Foi sob a orientação de Cesc Fàbregas, primeiro como colega de equipa e depois como treinador, que a sua carreira descolou. Foi peça fundamental na subida à Serie A em 2024 e tornou-se capitão de equipa. Com 1,74m, este médio técnico é hoje considerado um dos melhores na sua posição em Itália, a ponto de Fàbregas afirmar que sonha ter «onze Da Cunhas» na sua equipa.
Após uma excelente época 2025/2026, com seis golos e cinco assistências em 36 jogos, despertou o interesse do Marselha, mas Fàbregas vetou a sua saída. Embora admita o sonho de um dia representar o Saint-Étienne — «Se um dia puder vestir aquela camisola, será um grande orgulho, especialmente para o meu avô» —, Da Cunha, cujo pai é português, durante muito tempo não fechou a porta a uma chamada da Seleção de Cristiano Ronaldo, que nunca aconteceu, e poderá agora ver o seu nome na lista final de Zidane.