A festa do Marítimo contra o Benfica - Foto: A BOLA
A festa do Marítimo contra o Benfica - Foto: A BOLA

«Saiu na perfeição»: o dia em que o Marítimo 'despediu' o treinador do Benfica

Nanu brilhou na última vitória dos insulares diante das águias. «Desfrutar com responsabilidade» foi a receita da surpresa

O duelo entre Marítimo e Benfica, no sábado, a contar para a quinta jornada da Liga, será o primeiro entre os dois conjuntos desde 2023. O regresso dos insulares à elite esta temporada voltou a colocar na rota das águias um estádio de boa memória recente: três vitórias encarnadas nos últimos três encontros disputados nos Barreiros.

O último deslize contra o Marítimo remonta a 29 de junho de 2020. Os leões da Almirante Reis venceram por 2-0, na 29.ª jornada da Liga, nas asas de um lateral direito... que nem precisou de marcar.

Nanu foi a principal figura da partida, com duas assistências e inúmeras arrancadas no corredor direito que colocaram a defesa águia em estado de sítio. «Houve também um golo anulado», começou por relembrar prontamente em conversa com A BOLA sobre uma exibição de alto nível.

Nanu efetuou duas assistências - Foto: A BOLA

O lateral guineense, atualmente ao serviço dos gregos do Iraklis 1908, recebeu o esférico a meio-campo, ultrapassou três adversários com mestria e arrancou em direção à baliza do Benfica, antes de servir Rodrigo Pinho para o remate certeiro, aos 23'. O VAR alertou para a posição irregular do futuro avançado das águias e o golo foi anulado. Mas Nanu voltaria ao ataque na segunda parte.

«Desde mais novo que gostava de pegar na bola e driblar todos os jogadores. Quando vou embalado, já só paro na baliza. Foi o que aconteceu e saiu na perfeição», explicou, procurando justificar duas jogadas letais idênticas num espaço de cinco minutos. Aos 74', Nanu recebeu a bola no corredor junto à linha lateral, ludibriou Ferro e serviu Jorge Correa, já dentro da grande área, para o primeiro da partida.

O Benfica ainda estava a começar a reagir à desvantagem, quando Nanu voltou a ligar a mota, quatro minutos depois, O lateral voltou a receber a meio-campo e a ultrapassar Ferro a meio da corrida, antes de cruzar para Rodrigo Pinho emendar à boca da baliza deserta, ao segundo poste.

A prestação diabólica que captou a atenção nacional começou, segundo o próprio, a ser cozinhada na semana anterior: «Lembro-me de dizer ao preparador-físico que estava com confiança e ele respondeu 'Confiança o caraças. Joga com a tua alegria e o sorriso de sempre que vais rebentar com eles. E foi isso que aconteceu».

Nanu atribuiu crédito à mensagem transmitida pelo técnico José Gomes para «desfrutar com compromisso e responsabilidade», que deu «muita confiança». «Convinha ganharmos para garantirmos praticamente a manutenção ali. Foi um jogo crucial», frisou.

O Marítimo venceu as águias e iniciou uma série impressionante para fechar a época, com apenas uma derrota nas últimas seis jornadas. Em sentido contrário, o Benfica deslizou pela sexta vez em sete jornadas e Bruno Lage foi despedido do comando técnico, minutos depois do final da partida.

Nanu lamentou uma situação «triste» que culminou no despedimento de um treinador com quem se cruzou nas camadas jovens do Benfica, em 2006/07. «Eu tinha de fazer o meu trabalho. O Bruno Lage estava a fazer o dele, mas infelizmente as coisas não não correram da melhor maneira», frisou.

Ao contrário do antigo treinador, o lateral, então com 26 anos, terminou a época da melhor forma, com quatro golos e duas assistências em 35 jogos e rumou ao FC Porto na janela de mercado seguinte. A prestação contra o Benfica não selou a transferência... mas ajudou: «Fiz uma época muito boa, tanto a lateral como a extremo. Não foi só por esse jogo que fui, mas é contra os grandes que temos de provar que somos bons.»

Nanu (à direita), ao serviço do FC Porto e em disputa com Jan Vertonghen (à esquerda), que à data representava o Benfica. Foto: Imago.

«Tudo é possível»

Nanu «não sabia» que tinha sido o obreiro da última vitória do Marítimo diante do Benfica. Seis anos depois, a porta a nova surpresa está aberta: «Hoje em dia o futebol está muito competitivo, não podemos dizer que há equipas fracas. O Benfica é um clube grande, tem a responsabilidade de ganhar todos os jogos, mas o Marítimo vai tentar ganhar, tudo é possível.»

«Só têm de pensar assim, em ganhar. Representar o Marítimo é uma responsabilidade enorme», frisou.

Felicidade na Grécia

Nanu vive dias felizes ao serviço dos gregos do Iraklis 1908, para onde se transferiu este verão proveniente dos cipriotas do APOEL. «Estou muito feliz na Grécia, as coisas estão a correr bem, estou a conseguir mostrar o meu valor», garantiu.

O «carinho» por Portugal mantém-se intacto e pode precipitar um regresso... com uma condição «Se for para voltar, é para poder ser aquele Nanu que foi o Marítimo», reiterou.

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