Diante do Casa Pia, Pedro Gonçalves fez a 50.ª assistência no Sporting (Foto Miguel Nunes)

Saiba porque Rui Borges não abdica de Pedro Gonçalves no Sporting

Camisola 8 não tem marcado mas o treinador vê-lhe evolução no capítulo físico e considera-o fundamental nas movimentações ofensivas depois da equipa ter adotado o sistema tático de 4x2x3x1

Após um jogo relativamente bem conseguido na primeira jornada, diante do Casa Pia, na qual chegou à 50.ª assistência desde que ingressou no Sporting em 2021, Pedro Gonçalves viveu uma noite um pouco sombria frente ao Arouca, sobretudo na componente da finalização, aspeto em que teve oportunidade de surgir por três vezes na cara do guarda-redes João Valido mas desenquadrou os remates, tendo saído do relvado aos 73 minutos visivelmente desagradado consigo mesmo.

Porém, segundo A BOLA apurou, o popular Pote continua com estatuto de intocável para o treinador Rui Borges e, nesta altura, não se coloca em causa a sua titularidade, tendo em vista num horizonte próximo a partida de sábado com o Nacional.

A decisão de Rui Borges tem a ver com dois vetores. Em primeira instância, mostra-se compreensivo para quem esteve tanto tempo parado em 2024/25, numa ausência que se prolongou por cinco meses e denota-lhe já alguma evolução no capítulo físico. Na outra face da moeda do técnico de Mirandela, 44 anos, está a alteração de sistema do 3x4x3 em vigor durante cinco épocas e meia para o atual 4x2x3x1. Associada a esta mudança está também a partida de Viktor Gyokeres, que alterou o perfil de ataque da equipa. De facto, sem o sueco, o Sporting avançou um bom bocado o bloco no terreno de jogo e deixou de jogar tanto na profundidade a atacar o espaço, componente em que o hoje futebolista do Arsenal é fortíssimo, apostando, de momento, num jogo mais associativo, com combinações entre os três homens atrás do ponta de lança e o próprio avançado-centro Luis Suárez.

E se na ala direita, por força da utilização de Geny Catamo ou Quenda, a verticalidade é maior, o mesmo já não se passa na esquerda com o camisola 8, um jogador mais de movimentos curtos e de jogar entre linhas, combinando muito bem com o 10 Francisco Trincão e com o avançado Luis Suárez, dois futebolistas também fortíssimos no passe curto e nas ruturas em espaço reduzido, fundamentais para, em consonância com Pote, desbloquear o pendor mais defensivo que os adversários do Sporting — exceção feita ao arquirrival Benfica — têm adotado.

Os números não mentem e são bem elucidativos da influência de Pote, 27 anos, 201 jogos com a listada verde e branca desde que chegou do Famalicão, com impressionantes 92 golos para quem não foi contratado como avançado mas como médio e 50 assistências. Prova de que a administração da SAD e a estrutura do futebol reconhecem a sua preponderância é que a renovação de contrato está aí à porta, bastará fechar o mercado de transferências...

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