Russell atira-se a Verstappen: «Antes não se queixava porque estava a ganhar»
George Russell afirmou que, embora a Fórmula 1 «não quisesse perder» Max Verstappen, «compreenderia» se o tetracampeão mundial decidisse abandonar a modalidade já este ano. A declaração surge na sequência de o neerlandês ter admitido, no Grande Prémio do Japão, que ponderava o seu futuro devido à insatisfação com o comportamento dos carros sob os novos regulamentos.
Apesar de uma relação historicamente difícil com Verstappen, Russell reconheceu a importância do rival. «A Fórmula 1 é maior do que qualquer piloto, por isso não quereríamos perder o Max, porque penso que todos gostamos de competir contra ele», disse o britânico, acrescentando: «Compreender-se-ia se ele ficasse e compreender-se-ia se ele saísse».
Na opinião de Russell, as queixas de Verstappen são influenciadas pelo facto de a sua equipa, a Red Bull, não ter começado a época com um carro competitivo, tendo como melhor resultado um sexto lugar. O piloto da Mercedes, cuja equipa venceu as três corridas deste ano, estabeleceu um paralelo com a sua própria experiência.
«Eu não gostava de conduzir o carro de 2022 quando andava aos saltos com o porpoising, a dar cabo das costas de toda a gente», recordou Russell. «O carro era grande, era pesado. Nas curvas de alta velocidade, não era muito agradável de conduzir. Mas ele não tinha a mesma queixa, porque estava a ganhar. Agora, as queixas que ele tem atualmente são diferentes das queixas da Mercedes, da Ferrari e da McLaren, porque estamos na frente da grelha. Isto é natural, e compreende-se e reconhece-se a frustração», atirou.
Russell, de 28 anos, sugeriu ainda que o sucesso de Verstappen é um fator crucial na sua perspetiva. O neerlandês, que já começou a competir em carros desportivos, nomeadamente no icónico Nurburgring Nordschleife, já alcançou o sonho da maioria dos pilotos.
«Ele alcançou o que a maioria dos pilotos sonha, que é ganhar um campeonato. Tem quatro. Não há muito mais para ele alcançar na Fórmula 1. Já cumpriu todos os objetivos», afirmou. «Talvez possa ir atrás dos recordes. Mas, conhecendo-o como conheço e conhecendo pilotos que venceram ou alcançaram coisas semelhantes, a dada altura, queres fazer o que te põe um sorriso no rosto», acrescentou.
O piloto britânico confessou partilhar o fascínio pelo desafiante circuito alemão. «Consigo perceber perfeitamente porque é que conduzir no Nordschleife lhe põe um sorriso no rosto. Já fiz centenas de voltas lá no simulador. E adoraria ter essa oportunidade de ir correr no Nordschleife», disse, contrastando com a sua situação atual: «Mas o meu objetivo agora é tornar-me campeão do mundo de Fórmula 1. Se eu tivesse quatro títulos, provavelmente estaria a fazer o mesmo, por isso ele está numa fase muito diferente da sua carreira».