O cumprimento entre José Mourinho e Rui Costa na apresentação do novo treinador do Benfica - Foto: José Sena Goulão/Lusa
O cumprimento entre José Mourinho e Rui Costa na apresentação do novo treinador do Benfica - Foto: José Sena Goulão/Lusa

Rui Costa não pode ignorar o que se ouviu

O empate e a passagem para terceiro lugar do Benfica levaram a uma conferência de imprensa diferente do treinador e Rui Costa não pode ignorar o que se ouviu na sala e na bancada da Luz.

A arbitragem vai ser novamente debatida, até porque alguém a traz sempre para cima da mesa, mas da noite de ontem ficou muito mais de que os casos ajuizados, até porque destes há para todos os gostos.

O Sporting ultrapassou o Benfica e essa foi a principal notícia da jornada 33 no dérbi pelo segundo lugar do campeonato. Essa mudança na tabela tem implicações monetárias, de mercado e políticas.

As primeiras são evidentes, ainda para mais porque a probabilidade de qualificação direta para a Liga dos Campeões continua em cima da mesa (depende da posição do Aston Villa na Premier League e de o clube inglês vencer a Liga Europa), mas as políticas são muito mais difíceis de analisar e requerem cabeça fria.

No final do empate com o SC Braga, José Mourinho entreabriu a porta de saída através do discurso pela primeira vez. Até aqui, o treinador tinha sido muito mais comedido sobre essa possibilidade, mas ontem houve uma mudança clara e Mourinho falou mais do que fez, do que aquilo que tem para fazer no Benfica. «É um grupo com o qual fui feliz», declarou. Um tempo verbal que, creio, diz muito mais do que parece.

A última questão da conferência foi boa - se Mourinho não tinha a responsabilidade de informar os adeptos sobre o que decide fazer no futuro - e o técnico respondeu ao seu jeito. «Claro que me cabe a mim», disse, «mas que ninguém me obrigue a comunicar decisões porque sou eu que decido os meus momentos», acrescentou.

É aqui que entra Rui Costa: o Benfica tem também algo a dizer e deve ser nos seus termos, ou seja, deve ser o Benfica a liderar a situação e gerir os timings de comunicação porque se não o fizer ficará a sensação de que Mourinho comandou todo o momento. Rui Costa tem pela frente novo desafio.

Como se ouviu, o resultado e passagem para o terceiro lugar apontam diretamente ao presidente. O Benfica ainda não sarou feridas das eleições e continua dividido. Não ao meio, mas entre 65 e 35 por cento, à falta de nova sondagem. Isso refletiu-se nos cânticos ouvidos por instantes na Luz na direção do maestro, pedindo a demissão. Há duas Assembleias Gerais em junho e Rui Costa não pode ignorar o sinal.

Mourinho foi jogada determinante em período eleitoral, mas passado esse e saindo o Special One num terceiro lugar, a decisão seguinte sobre o banco encarnado pode ter o peso de uma presidência. A não ser que o futebol volte a ser futebol e, num desses milagres futebolísticos, o Benfica ultrapasse o Sporting.

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