Ricardo, 2006: «Façam o que têm feito até aqui, algum dia vai dar Portugal»
— 20 anos depois voltas a estar no palco principal, agora como treinador de guarda-redes. Alguma vez imaginavas que em 2006 estarias aqui?
— Se me dissessem que dali a 20 anos estaria na Seleção como treinador de guarda-redes, se calhar, diria que era muito cedo [risos]. Sou um privilegiado e tento usar tudo aquilo que foi a minha experiência, tudo aquilo que eu passei para ajudar a melhorar os que hoje treino. Eu sou muito exigente comigo em tudo e com eles tento ser exigente de uma maneira tranquila. Tento não ser tão chato. Gosto de vê-los fazer as coisas bem, pois o sucesso deles é o nosso sucesso. Sou super feliz. Se me dissessem que podia fazer isto até ao final da vida assinava já. Tipo contrato vitalício. É um privilégio. As pessoas não têm noção do que sentimos por representar Portugal. É como representar alguma coisa que é maior que todos nós.
— Foste mais feliz na baliza ou agora fora dela?
— Se for tão feliz como treinador, como fui como jogador… Gostava de ser ainda mais feliz fora e não sei se é possível pois fui muito feliz a jogar. Estou grato àquilo que em tão pouco tempo de treinador já consegui, pois fiz parte de uma Seleção que ganhou uma Liga das Nações, que fez um apuramento para um Europeu só com vitórias, e que nunca tinha sido feito. Já fiz parte do crescimento de tantos atletas que chegaram à Seleção Nacional. Estou super feliz e quero continuar a ser mais feliz. Sofro muito mais agora, mas estou mais descansado porque temos guarda-redes fantásticos tecnicamente e principalmente no caráter. O Diogo, o Rui, o Zé e o Ricardo. É um privilégio estar com eles. Jogue quem jogar têm um pensamento e uma atitude positiva, brutal para quem está dentro do campo. Sei bem o que é sentirmos dos nossos companheiros guarda-redes uma força positiva. Faz com que sejamos ainda melhores. São fortes, amigos, companheiros, têm competência e rivalidade entre eles, porque todos sabem que tem qualidade para jogar, mas quando chega o mister e escolhe um para jogar apoiam-se. Quem ganha com isso é a Seleção Nacional. Por isso é que eu digo e digo a toda a gente que o melhor de tudo é o tempo em que somos jogadores. Digo-lhe sempre para desfrutarem ao máximo.
Temos um treinador que dedica todos os minutos aos detalhes e fico superfeliz, pois temos um líder na equipa
— Dizes que tiveste uma família em 2006, E que família é esta que agora tens em 2006 enquanto treinador?
— Outra, com outro caráter, outros elementos e outra época. Somos muitos mais. Em 2006, se calhar éramos 50 e hoje somos 75. A família vai crescendo. Agora aquilo que notamos que não mudou, e fico super feliz, é temos um líder dentro da equipa e uma federação que é focada no objetivo que tem. Fazem tudo da melhor maneira possível e imaginária. Temos um treinador que dedica todos os minutos aos detalhes. Partilha com nós todos, a toda a hora, tudo para que tomemos as melhores decisões. E quando digo as melhores decisões de sempre. Não é que não vais errar, mas decides em consciência. Quem tem de decidir, quem está nos cargos de liderança, tem tarefas difíceis, mas acredito que faz tudo para o bem da nação, para a nossa Seleção. Com o nosso presidente Pedro Proença acontece o mesmo. Não tenho dúvidas nenhumas de que tudo aquilo que executa é para que tenhamos sucesso. Para que a Federação tenha sucesso, para que seja maior todos os dias. Para que seja maior no dia em que o nosso presidente saia, tal como quando saiu o nosso presidente Fernando Gomes. Isso para nós treinadores, para nós, como equipa e para toda a Federação, é um objetivo claro: Sermos melhores amanhã.
Agora sofro mais, mas estou descansado, pois temos guarda-redes fantásticos tecnicamente e principalmente no caráter
— És orgulhosamente treinador da Seleção portuguesa?
— Mesmo. Sem dúvida. Sinto- me um privilegiado. Sou grato a tudo e dou graças ao que tenho na minha vida, ao que vivo e ao que possa viver. Nem quando se ganha está tudo bem, nem quando se perde está tudo mal.
— Quero pedir-te que o Ricardo, que foi guarda-redes, e que usou a camisola de Portugal no Mundial da Alemanha em 2006 deixasse uma mensagem para aqueles que em 2026 vão, tal como tu fizeste no passado, ter as quinas ao peito e tentar fazer o melhor por Portugal.
— Eu não vou dizer nada diferente do que já lhes disse e que lhes transmito. Falamos muito. E vou falando com alguns em grupo e com outros individualmente.. Se continuarem a fazer tudo aquilo que têm feito, como até aqui, algum dia vai dar Portugal. Algum dia as coisas vão cair para o nosso lado, porque vocês dedicam-se, vocês trabalham e são tudo aquilo que nós temos de melhor. E, não é só o que vocês representam no campo. É o que representam, primeiramente as vossas família, esta família é todo o povo português que está sempre a torcer para que nós tenhamos sucesso. Por isso não façam nada diferente. Aproveitem!
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