Andreas Schjelderup, extremo do Benfica
Andreas Schjelderup, extremo do Benfica

Renovar e vender Schjelderup

Andreas Schjelderup tornou-se no principal ativo do Benfica, mas pode não ser contraditório renovar com o norueguês e vendê-lo

A ascensão de Andreas Schjelderup no Benfica é um dos casos positivos da época encarnada. O norueguês encontrou dificuldades de adaptação a um contexto competitivo mais exigente do que aquele que conhecia quando chegou e a primeira temporada a full-time na equipa principal mostrou que precisava de crescer: na retina ficará sempre o lance do 2-2 do Arouca em plena Luz, em 2024/25, com Schjelderup a não recuar e a ver de longe alguém que devia ter acompanhado marcar o golo que invertia a vantagem no campeonato a favor do Sporting.

Também passou por um caso pessoal difícil com a justiça dinamarquesa e que deve ser considerado na análise ao seu rendimento. Ultrapassada essa questão, ficou mais preparado mentalmente, enquanto Mourinho lhe deixava recados.

A exibição de gala diante do Real Madrid, na Liga dos Campeões, e posteriores desempenhos confirmaram por fim a expectativa: o Benfica tinha em mãos um ativo de bom valor desportivo e financeiro, assim mantivesse a personalidade competitiva, que cresceu de forma evidente a partir daí. É precisamente por isso que a intenção de renovar contrato faz sentido.

No entanto, uma renovação não significa necessariamente que Schjelderup vá permanecer muitos anos na Luz. Pelo contrário, pode até acelerar uma transferência. As renovações são frequentemente instrumentos de gestão de ativos. Não se renova apenas para manter um jogador, faz-se também para controlar melhor o seu futuro, sobretudo num modelo que os clubes em Portugal têm de seguir: a venda regular de futebolistas. Se Schjelderup melhorar o seu vínculo, o Benfica ganha força negocial perante interessados e afasta o risco de entrar em fases contratuais mais delicadas.

A ausência da Champions representa sempre um impacto significativo nas receitas de qualquer clube. Sem essa fonte de rendimento, aumenta a pressão para gerar encaixes através de vendas. Pela idade, margem de progressão e projeção internacional com a presença no Mundial 2026, Schjelderup encaixa perfeitamente no perfil de jogador capaz de originar uma transferência de maior dimensão.

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A notícia de uma possível renovação pode, porém, mexer com potenciais interessados, que do outro lado do negócio sabem que o jogador vai ficar mais mais caro. Assim, a rapidez da ação é essencial, porque, como se percebe, renovar e vender pode não ser contraditório. Sobretudo em tempos de alguma necessidade.

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