Regresso no futuro à Fiorentina? A resposta de Rui Costa
Rui Costa foi um dos destaques das celebrações do centenário da Fiorentina. O presidente do Benfica e antigo médio, que assinou 51 golos e 32 jogos em 277 jogos disputados pelos viola entre 1994 e 2001, não escondeu a emoção pelo regresso a Florença, em declarações aos meios de comunicação do clube: «Infelizmente não consigo vir a Florença tanto quanto gostaria. Estes encontros entre ex-companheiros de equipa são sempre muito bonitos. É uma honra estar aqui. Esta equipa, este clube e esta cidade representarão sempre muito para mim.»
«Foram sete anos maravilhosos, cheguei aqui como um menino e saí daqui um homem, graças a tudo o que a cidade e o clube me deram. Fico sempre emocionado sempre que volto. Muitas vezes os clubes celebram os aniversários, mas esquecem-se daqueles que construíram os anos de história. Quero agradecer à Fiorentina por não ter feito isso», frisou. Rui Costa foi bastante acarinhado pelos adeptos ao longo do dia e receber uma enorme ovação quando subiu ao relvado do Artemio Franchi, durante uma cerimónia que decorreu já depois da noite ter caído.
O antigo maestro viola recordou «momentos inesquecíveis» e a ligação umbilical a Florença. «Sentia-me parte da cidade. Digo não gosto de vir a Florença para não sofrer. Tem a parte muito bonita, mas dá-me sempre muita nostalgia. Não sabia se jogava pela Fiorentina ou por Florença. E isso marcou-me muito», frisou.
Questionado sobre a probabilidade de um eventual regresso à Fiorentina noutras funções, Rui Costa considerou-se «eternamente grato» aos viola, mas frisou estar «de corpo e alma» na Luz. «Nunca escondi o que o Benfica significa para mim. Comecei com oito anos no Benfica e agora sou o presidente do clube, é uma história de vida muito bonita. Sou um sortudo nesse sentido, pelos sítios onde joguei e onde vivi», afirmou.
O dirigente encarnado colocou foco total nas funções que ocupa atualmente: «Hoje tenho um compromisso tremendo, uma responsabilidade tremenda. Sou o presidente do clube mais importante de Portugal, o maior de Portugal, um dos maiores do mundo. Só posso pensar nisso e no que tenho de fazer lá. Nada mais.»
Da «felicidade-peso» aos dois amores italianos
Rui Costa levantou, na condição de capitão, o último título conquistado pela Fiorentina: a Taça de Itália, em 2000/01. O antigo internacional luso não escondeu a mágoa pela seca de títulos: «Tenho orgulho de ter levantado a taça como capitão, mas não tenho orgulho em dizer que fui o último a levantar uma taça com a Fiorentina. Sempre que falo com os dirigentes da Fiorentina, digo o mesmo: 'Tirem-me este peso, esta 'felicidade-peso', porque é um mau sinal que não se vença nada há 25 anos.»
Os caminhos de Fiorentina e de Rui Costa cruzaram-se de forma fortuita em 1994 e separaram-se com dramatismo, em 2001, com a transferência para o Milan: «Quando vim para Florença, era para ir para o Barcelona. Na altura pensava 'Tinha o Barcelona e agora vou para a Fiorentina que vem da Serie B' e depois aconteceu o que aconteceu. Depois no dia em que fui para Portugal [em 2001], tinha assinado um novo contrato com a Fiorentina. Dois dias depois, disseram-me 'Temos de te vender porque estamos a colapsar'. Quem sabe como terminaria a minha carreira.»
«Representar o Milan foi muito bom, tenho muito orgulho nisso também. Sou um sortudo na vida, representei apenas três equipas que me estão no coração. Mas Florença foi a equipa onde joguei mais anos e naquele período de sete anos ganhámos duas taças e uma supertaça, disputámos a Champions League.», frisou.
Rui Costa admite que acompanha as realidades de Fiorentina e Milan, conjunto que vai defrontar o Benfica na primeira jornada da fase de liga da Liga Europa. Mas há uma partida que não consegue assistir: «Em Portugal muitas vezes pediam-me para comentar o Fiorentina-Milan na televisão por ter jogado em ambos, e eu dizia: 'Perguntem-me sobre todos os jogos menos esse, porque não vou torcer por nenhum. Costumo dizer: que vença quem mais precisar naquele momento.'»