«Estão à espera que tire o Prestianni e ponha o Kaminski?» Marco Silva na íntegra

Treinador do Benfica falou de jogadores, de equipa e de mercado antes do duelo desta segunda-feira com o Estoril

— O Estoril joga no Estádio da Luz à procura de vencer pela primeira vez no campeonato. Tendo isso em conta, que tipo de desafios espera por parte do Estoril? E vai ser possível os benfiquistas verem, pela primeira vez, João Palhinha em ação pelo Benfica?
— Amanhã vai ser possível aos benfiquistas estarem num jogo no Estádio da Luz para o campeonato, pela primeira vez, quase em setembro. Essa é que é a grande novidade e é algo estranho. Essa é a primeira referência, não indo pela questão do João ou de outro jogador qualquer. Estamos quase em setembro e vai ser a primeira vez que os adeptos do Benfica vão poder ver a equipa a jogar para o campeonato no Estádio da Luz, porque nos retiraram isso no primeiro jogo. Pela primeira vez em Portugal isso aconteceu, e foi connosco. Fomos pioneiros nesse aspeto, se assim se pode dizer. Em relação à questão do João, está nos convocados. Amanhã perceberão se vai jogar, se não vai jogar, se vai ser utilizado. Estamos cá nós para gerir e tomar as decisões como sempre. Percebo a questão. Em relação aos nossos adeptos também, estarão lá como sempre e têm sido espetaculares nesse sentido de apoiar a equipa sempre e de fazerem do Estádio da Luz aquilo que nós queremos: um palco muito difícil para os nossos adversários. Compete-nos a nós, como equipa, fazê-lo e os nossos adeptos têm feito a parte deles, sem dúvida absolutamente nenhuma. Em relação ao Estoril, um jogo difícil, como são todos. Não há que esconder. Jogamos em casa, queremos ser fortes, queremos ser dominadores, queremos ganhar o jogo. Como é lógico, falou dos resultados que eles têm tido, mas estamos no começo da temporada. Naturalmente querem reagir. Têm, aos poucos, também vindo a acrescentar alguns jogadores que chegaram à equipa, com treinador também novo. Demora o seu tempo sempre nesse aspeto. Espera-nos uma equipa organizada, como é normal nas equipas do Vasco [Seabra], e uma equipa que depois tem qualidade, com os jogadores da frente sempre com muita qualidade. Vai ser um jogo em que naturalmente queremos ser dominantes, mas é uma equipa que, do meio-campo para a frente, tem vindo a demonstrar nos últimos anos — não estou a dar novidade nenhuma — que tem sempre muita qualidade individual, com jogadores muito capazes no momento com bola de ferirem o adversário. Naturalmente, compete-nos a nós, quer com bola quer sem bola, estar ao nosso melhor nível para conseguir os três pontos, que é o nosso objetivo.

— Enfrenta o Estoril, um clube que conhece bem. Que memórias é que tem desse seu início como treinador? De que forma é que o jogo de amanhã é especial também para si?
— Muito especial. Sendo o mais honesto possível, talvez seja o adversário mais especial para mim, se assim posso dizer, porque foi lá onde tudo começou, onde terminou a minha carreira como jogador e onde começou como treinador. Foram muitos anos naquela casa, anos em que me senti realmente em casa. É um clube que foi especial, continua a ser especial e será especial para o resto da minha vida, onde tenho muita gente ainda que conheço bem e com quem tive ligações. O futebol e a nossa vida é um pouco isso: as memórias que ficam, as ligações que criamos. Independentemente de vocês, que são os primeiros a levar as conversas para o lado do resultado — o resultado é o mais importante, é o que fala mais alto, o que tem mais impacto — para nós, que estamos deste lado, acaba por ter também, mas tudo o resto que está por trás disso é o que vai ficar para a vida. São as ligações, as memórias que temos juntos. Não há dúvida que é um clube muito especial e são pessoas especiais para mim. Amanhã, depois do apito inicial, isso acaba um pouco e, depois, no final do jogo, vêm outra vez algumas memórias. Não vai ser a primeira vez que irei defrontar o Estoril como treinador adversário, já aconteceu, portanto não há aquela questão da primeira vez, mas não deixa de ser um clube muito especial para mim. Conseguimos dar àqueles adeptos e àquela gente memórias muito boas.

— Tem-se falado nos últimos dias da possível saída de Leandro Barreiro para a Arábia Saudita. O Leandro tem sido no meio-campo, pelo menos desde que o Marco é o treinador, quase titular indiscutível. Que impacto teria a saída de Leandro Barreiro e se, de alguma forma, vai tentar evitar que essa saída aconteça?
— Eu não tenho informação de que possa estar perto algum tipo de saída do Leandro, respondendo o mais diretamente possível à sua questão. O mercado está aberto e eu disse-vos aqui há poucos dias — tenho falado convosco praticamente de três em três dias — que é algo que, independentemente das nossas intenções, quer para possíveis entradas ou saídas, estava tudo muito claro na nossa cabeça. Mas é impossível dizer-vos a 100% o que irá acontecer num sentido ou no outro. Neste momento, é o que lhes posso dizer: não é 100% garantido que isso não irá acontecer, mas eu não tenho, e não gosto depois de estar a individualizar possíveis jogadores para entrar ou não, um feedback de que algo possa estar perto de acontecer. Percebo as notícias que possivelmente vocês têm dado, também não tenho conhecimento do que vocês têm dado em relação a esse aspeto. Estamos totalmente focados no jogo de amanhã, que é o mais importante para nós, para mim como treinador e para os jogadores também. O Leandro está completamente focado naquilo que é a sua função. Como vocês sabem, porque também o conhecem bem, é um jogador muito focado, um excelente profissional que temos nesta casa, que dá sempre tudo pela camisola. E, como falou também, tem jogado bem, tem estado claramente a ser um jogador muito importante para nós, na ausência do Fredrik [Aursnes] ainda mais. São jogadores que, independentemente de serem jogadores diferentes, jogam numa posição em que nós iremos utilizar um ou outro a maioria das vezes. Tem estado muito bem a dar à equipa aquilo que nós sabemos que ele pode dar, com e sem bola, e estamos muito satisfeitos com ele.

— Marinakis, dirigente que certamente conhecerá bem, afirmou: «Pagava a cláusula de Gustavo Puerta e ele não vem, quer ir para o Benfica.» Pergunto-lhe muito diretamente se Puerta é um jogador que quer, se sabe se há algum movimento no mercado para que o médio colombiano chegue ao Benfica. E também, dentro desta lógica do mercado, perceber se disse ao presidente do Benfica que há algum jogador que, no seu entender, é inegociável.
— Em relação aos jogadores inegociáveis, vocês sabem a realidade do futebol português. Percebem perfeitamente qual é a realidade dos clubes em Portugal. É difícil entrarmos por esse caminho de que há jogadores inegociáveis. É óbvio que, como vocês sabem, chegando ao Benfica, começámos a falar do plantel, daquilo que seria a nossa estrutura como equipa, e havia jogadores que, se possível, não queríamos perder. Não o treinador Marco Silva, mas nós como clube não queríamos perder. Estávamos praticamente em sintonia em quase tudo. Independentemente de estarmos a começar um processo — e, como vocês sabem, muitas vezes é o que está no papel e a ideia que nós temos num começo e, depois, começando a trabalhar com os jogadores, algumas coisas vão mudando, vamos tendo mais certezas, vamos tendo algumas dúvidas, faz parte — esta é a nona semana, acho, em que estamos no Benfica. Naturalmente tem sido um processo de pré-temporada um pouco diferente, que não nos tem permitido treinar tanto, mas ao mesmo tempo tem-nos dado a possibilidade de ver os jogadores em mais jogos oficiais também. Há aqui as duas questões: não tão positiva uma, mas outra mais positiva, vê-los em competição em situações que só a competição dá, quer para analisarmos, quer para os conhecermos cada vez melhor. Mas houve jogadores que nós não queríamos perder. Não quer dizer que estes sejam totalmente inegociáveis, porque vocês sabem que alguns jogadores até têm cláusula de rescisão, portanto, irmos por esse caminho acaba por ser um caminho perigoso e uma palavra perigosa de se usar, entre aspas, em relação a esta questão. Em relação à questão do Puerta ou de outro jogador qualquer, não sendo nosso jogador, eu não vou entrar por aí. Comento os nossos jogadores. Disse, e bem, que é um dirigente que eu conheço bem, uma pessoa com quem tenho uma relação de amizade, mas, neste caso, não vou entrar por aí, não vou comentar jogadores que não são nossos.

— Como chegou Palhinha, em que condições, e o que é que ele pode dar a esta equipa do Benfica?
— As condições em que chegou: o João, como vocês sabem, independentemente da indefinição em relação ao futuro dele no princípio, fez grande parte da pré-temporada no Bayern. Ele foi sendo utilizado em muitos jogos, principalmente numa digressão que fizeram. Ele foi muito utilizado nessa digressão. Depois, numa fase terminal — ou seja, quando as equipas começam a preparar-se mais — deixou de ser utilizado em jogos de treino. Ou seja, há ali um começo que tem competição, pré-competição, um período pré-competitivo e, depois, deixa de ter jogos de preparação. Mas em termos de treino, o feedback que temos e os dados que recebemos foi que ele esteve sempre a treinar, independentemente de não estar a ser utilizado nos últimos jogos de treino. Teve ali um interregno nos últimos três, quatro dias que nós tentámos depois recuperar quando viajámos para jogar o nosso jogo na Dinamarca. Como vocês sabem, ele ficou cá a trabalhar com elementos da nossa equipa técnica, a tentar recuperar aqui algum do tempo perdido. Não tem ritmo de jogo oficial. Teremos que lho ir dando aos poucos, mas em termos de condição física é um jogador que, como vocês sabem também, não tem tido grandes lesões ao longo da carreira. É um jogador que tem uma condição física que facilmente vai atingir patamares que são necessários para jogar como nós queremos, e à intensidade que nós queremos e à intensidade que o João tem de jogar. Mas só com mais treino com a equipa e com mais jogos é que poderá lá chegar. Em relação ao rendimento que tirámos dele nas duas épocas que teve na Premier League, foi uma experiência nova para ele, uma experiência num futebol que se enquadra muito bem naquilo que são as suas características individuais. Naturalmente, jogando àquela intensidade praticamente de três em três dias, faz os jogadores naturalmente evoluírem e atingirem outro tipo de patamares. Adaptou-se bem, teve o rendimento que teve, vocês sabem também. Agora é o momento de ele voltar a Portugal e continuar com esse mesmo rendimento. Em relação àquilo que nos pode oferecer, é um jogador com perfil claramente '6'. Nós temos usado também o Enzo [Barrenechea] nessa posição. São jogadores um pouco diferentes, independentemente do perfil ou da posição onde jogam e o que vão dar à equipa naquele momento. Em termos de posicionamento, não vai diferenciar de um para o outro, porque é a nossa ideia, a identidade que queremos para a equipa. Depois têm características diferentes: um jogador um pouco mais técnico, um jogador um pouco mais agressivo. Depende depois dos momentos do jogo, de qual for o jogo e o plano para o jogo que nós poderemos utilizar da forma como acharmos melhor, quer um quer outro. É um jogador também muito forte na bola parada, quer defensiva quer ofensiva, portanto é um jogador que nos dá características diferentes naquela posição. Há que ser justo também e realçar aquilo que tem sido a evolução do Enzo desde o princípio da temporada, aquilo que tem sido a evolução que tem tido jogo após jogo. Está bem claro nos últimos jogos que o Benfica fez: a forma como jogámos, a forma como fomos dominadores e a forma como em muitos momentos também não oferecemos muito ao adversário. Sei que se tem falado muito da questão dos golos e a forma como sofremos um ou outro golo, mas a realidade, e mais uma vez o último jogo foi um bom exemplo disso, não demos muito ao adversário e isso passa muito pelo posicionamento que nós queremos para a equipa. Aquela posição é fundamental e o Enzo, nesse aspeto, tem tido exibições muito boas.

— Há muitas opiniões que dizem que Palhinha era a peça que faltava no Benfica do Marco Silva para o estilo de futebol que pretendia e para ser verdadeiramente candidato. Concorda que Palhinha era a peça que lhe faltava para implementar o estilo que pretende no Benfica? E o Benfica é hoje mais candidato ao título depois da chegada do Palhinha?
— O Benfica, como clube, tem de ser sempre e assumir-se como candidato ao título, independentemente dos jogadores que tenha ou não. Qualquer equipa das três ou quatro que lutam pelos primeiros lugares em Portugal tem de ser candidata ao título, isso não há que fugir. Quando estamos nesta casa, não há que pensar de outra forma, não há outra possibilidade, e não pode ser um jogador que vá alterar aquilo que é a história, que é a grandeza deste clube e aquilo que são as ambições deste clube. Acho que, para mim, isso é claro e a resposta é muito fácil: dizer que não faz sentido irmos por essa questão em relação ao João, a qualquer outro jogador que chegou ou que possa chegar. A grandeza e identidade do Benfica, o seu historial, por si só têm de falar muito mais alto do que só um ou outro jogador. Em relação ao que as pessoas comentam ou dizem, é a opinião das pessoas. Eu não vou entrar por aí. Eu disse, quando me perguntaram a semana passada aqui da 'equipa de sonho', que estou satisfeito, muito satisfeito com a forma como os jogadores têm trabalhado. Os jogadores têm estado com a mentalidade em termos de abertura para novas ideias, aquilo que nós pretendemos para a equipa clara. Têm evoluído não só na nossa forma de jogar e ao entendimento daquilo que nós queremos. Fisicamente a equipa também está a atingir patamares que nos deixam satisfeitos para a forma como queremos jogar também. Isso só se consegue ir com jogadores que estejam abertos para isso e há que realçar aquilo que eles têm feito. Mas perguntaram-me da equipa de sonho e, em relação à sua pergunta, eu vou-lhe dizer de outra forma: é impossível qualquer treinador que se sentasse nesta cadeira numa janela de mercado e já metesse tudo perfeito. 'E as peças já estão todas lá e está tudo perfeito'. O Benfica, como vocês sabem, tem sido um mercado em que nós temos tentado estar ativos o máximo que conseguirmos. Tentar não perder alguns jogadores que são importantes para nós e, naturalmente, alguns perdemos por questões que, lá está, não são controláveis. Por muito que nós queiramos manter alguns jogadores, nem sempre isso é possível. Por muito que nós queiramos ir buscar outro tipo de jogadores, nem sempre isso é possível. Nós temos de estar bem cientes daquilo que é a realidade do futebol português, daquilo que é a realidade do Benfica, um ano sem Champions — e vocês sabem que tem impacto, vocês falam disso, o impacto que tem naquilo que é a nossa capacidade ou não de reter talento ou de ir buscar fora também. Portanto, tudo isso tem um impacto muito grande e eu ia estar aqui a ir por caminhos de dizer que está tudo uma perfeição. Vocês sabem que o futebol não é assim tão fácil e, numa primeira janela de mercado desde que chegámos ao Benfica, colocar isso já no patamar e as peças já estão todas lá e está tudo perfeito... não vou por aí. Nós temos de ser humildes o suficiente para percebermos os desafios que temos à nossa frente, mas confiantes também para percebermos que temos um plantel que tem de ter as condições para lutar por títulos nesta casa, porque só assim é que faz sentido.

— Nos últimos cinco jogos, Kaminski não foi utilizado em três, nos outros dois jogos jogou menos de 20 minutos. Custou €17 milhões, obviamente que as expectativas são elevadas tendo em conta o preço. Pergunto-lhe se o processo de adaptação está a demorar mais do que seria esperado.
— Vou fazer-lhe duas perguntas. Quanto custou o Lukebakio? 20 milhões. Quantos minutos jogou nos últimos três jogos? O [Richard] Ríos quanto é que custou também? Quantos minutos jogou nos últimos jogos? E podia dizer mais: posso dizer também jogadores que custaram um pouco menos. Eu estou aqui para tomar decisões para a equipa que eu acho que é a melhor para jogar a cada fim de semana ou cada jogo a meio da semana. Esse é o meu papel enquanto treinador e tomo as decisões. Não quero individualizar para a questão do Kaminski. Foi um jogador que acabou de chegar, começou a jogar, depois deixou de jogar. Eu já vos dei aqui explicações para ser muito claro quando perguntaram em relação ao porquê de ele não estar a jogar. Foi muito claro: isto é competição entre os jogadores. Quando tens na posição jogadores que estão muito bem... Talvez vocês estejam à espera que eu tire o Prestianni para meter o Kaminski. O Prestianni tem estado a jogar um pouco mal e vocês estão, se calhar, à espera que eu tire o Prestianni da equipa para colocar o Kaminski? Se calhar esperam isso. Da minha parte, enquanto treinador do Benfica, vou sempre tomar as melhores decisões para aquilo que eu acho que é o próximo jogo.

— Gostaria de conhecer as suas expectativas em relação aos adversários ditados pelo sorteio da fase de liga da Liga Europa e, particularmente, em relação ao Milan de Ruben Amorim. E se este sorteio permite ao Benfica consolidar a ambição de passar diretamente à próxima fase?
— Independentemente de qual fosse o sorteio, essa era a nossa ambição e não iríamos alterar absolutamente nada daquilo que eram os nossos objetivos antes do sorteio e depois do sorteio. Podia ter sido outro qualquer e nós não íamos alterar aquilo que era o nosso objetivo. O que nós queremos é claramente estar na próxima fase e ir para uma fase a eliminar. Esse é o objetivo. Equipas boas, no Pote 1 e no Pote 2 equipas com mais qualidade, e depois equipas diferentes, de campeonatos diferentes também. Na altura certa iremos analisar convosco um a um e dar-vos o feedback do que é que esperamos de cada jogo. Saltou à vista claramente a primeira equipa de que falou, pelo historial que tem, pela grandeza que tem também, mas nós vamos encarar todas da mesma forma com o objetivo de fazer o máximo possível de pontos para estarmos na próxima fase e podermos passar a uma fase eliminar.

— O Benfica tem apresentado uma identidade diferente daquilo que vinha apresentando no final da época passada. Pode dizer-se que há uma identidade 'à Marco Silva'? Benfica está a crescer pelos resultados ou por aquilo que tem vindo já a ser identificado e trabalhado dentro do espírito que pretende?
— Eu acredito que sejam vários fatores, não há só um. Sem resultados no futebol é difícil depois agregar a confiança e ganhar a confiança que é preciso para os jogadores poderem desfrutar e poderem depois expressar aquilo que são as suas qualidades individuais ao serviço do coletivo da equipa. Essa é a grande questão: independentemente de tentarmos fazer as coisas bem, termos uma boa dinâmica, termos a qualidade ou a identidade que queremos para a equipa. Se depois isso não estiver alicerçado em resultados, é difícil haver uma continuidade. Depois começa a haver algumas dúvidas, a haver ou a não haver certezas. É importante que nós, quando entramos dentro de campo, tenhamos algumas certezas daquilo que queremos — certezas daquilo que são os caminhos que queremos e a forma como queremos lá chegar, e queremos defender e queremos estar no jogo em todos os momentos do jogo. Acho que os resultados ajudam a isso. É óbvio que — e lembro perfeitamente da forma como começámos, eu disse na última quinta-feira após o jogo — a forma como começámos a época num jogo difícil para nós, um jogo com uma equipa que possivelmente não íamos utilizar muitas mais vezes como onze titular por várias condicionantes que tínhamos, por muito do que aconteceu. Também sabia que possivelmente um ou outro jogador ainda podia sair daquele onze, naturalmente como vos falei. Mas, passo a passo, a equipa tem melhorado. Eu acho que do primeiro para o segundo jogo existiram logo melhorias e depois, estando num clube desta dimensão, os resultados ajudam a que os jogadores cresçam também, que os jogadores percebam melhor aquilo que é a nossa identidade. Era importante para nós termos um impacto na massa adepta pela forma como encaramos os jogos. Depois o resultado será uma consequência disso, mas como encaramos os jogos, como queremos jogar, como demonstramos a nossa identidade... é tudo uma conjugação de fatores: da parte mental, da parte da confiança, da parte da identidade da equipa. Naturalmente nós estamos aqui para tentar ter os resultados que queremos e depois respeitar aquilo que é a nossa identidade enquanto equipa, aquilo que nós queremos para a equipa e a nossa identidade enquanto clube também.

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