Recurso recusado, Hakimi vai mesmo a julgamento por violação
Achraf Hakimi vai mesmo ser julgado por violação após decisão do Tribunal de Recurso de Versalhes, em Paris. O defesa do PSG, de 27 anos, que se encontra atualmente a disputar o Mundial 2026 com a seleção de Marrocos, irá a julgamento nos próximos meses.
A notícia, avançada pela BFMTV, surge após a defesa do jogador ter tentado, sem sucesso, que o caso fosse arquivado, mesmo antes de viajar para os Estados Unidos.
O caso remonta a fevereiro de 2023, quando uma mulher que tinha conhecido pelo Instagram se dirigiu a uma esquadra em Nogent-sur-Marne, declarando ter sido violada pelo jogador do PSG na noite anterior. Embora não tenha formalizado queixa, o Ministério Público de Nanterre abriu uma investigação.
A defesa do jogador reagiu à decisão, lamentando o desfecho. «A multitude de elementos de ilibação revelados pela investigação e pela instrução judicial teria, em qualquer outro caso, levado ao arquivamento», afirmou a advogada Fanny Colin. «A defesa de Achraf Hakimi lamenta que não se tenham tirado as devidas conclusões das contradições e mentiras da queixosa, das suas ocultações à autoridade judicial, das suas obstruções à descoberta da verdade e ainda das suas perícias psicológicas que atestam a sua ambivalência e falta de lucidez sobre os acontecimentos que denunciou. É agora com impaciência que o senhor Achraf Hakimi aguarda o seu julgamento para poder finalmente expressar-se publicamente sobre a falsa acusação de que é alvo.»
O próprio jogador emitiu um comunicado nas redes sociais. «A justiça olhou-me nos olhos e disse-me: 'Se não fosses conhecido, nunca teria havido um caso.' Escolhi ficar em silêncio durante anos. Pensei que manter a dignidade, ser paciente e confiar na justiça permitiria que as decisões certas fossem tomadas», escreveu. «Hoje, uma história que não é a minha é contada em detrimento da minha família, da minha vida e, sobretudo, da verdade. Por vezes, sinto que me tornei um alvo fácil. Espero por este julgamento desde o primeiro dia. E agora aguardo-o com impaciência. Finalmente, poderei falar.»
La justice m’a regardé dans les yeux et m’a dit : « Si vous n’étiez pas connu, il n’y aurait jamais eu d’affaire. »
— Achraf Hakimi (@AchrafHakimi) June 19, 2026
J’ai choisi de me taire pendant des années. J’ai pensé que rester digne, être patient et faire confiance à la justice permettrait que les bonnes décisions soient…
Por sua vez, a advogada da queixosa, Rachel-Flore Prado, considerou a decisão coerente. «A câmara de instrução considerou que existem indícios suficientes contra Achraf Hakimi de ter cometido uma violação. Esta decisão é perfeitamente coerente com os elementos do processo e está em conformidade com os pareceres do procurador da República, da juíza de instrução e do procurador-geral junto do Tribunal de Recurso», declarou. «Seis magistrados consideraram, portanto, que os numerosos elementos de acusação justificam uma acusação a Achraf Hakimi perante o Tribunal Criminal Departamental por violação.»
A advogada acrescentou que a decisão traz «alívio e esperança» à sua cliente «após mais de três anos de batalha judicial, depois de ter sido caluniada e arrastada na lama pela defesa de Achraf Hakimi». Rachel-Flore Prado expressou ainda a esperança de que «este julgamento ajude outras mulheres e quebre um pouco mais a fortaleza da negação e da impunidade da violência sexual, mesmo no mundo do futebol masculino».
Segundo a investigação, o jogador e a jovem conheceram-se no Instagram no mês anterior. Após recusar vários convites, a mulher acabou por aceitar encontrar-se com Hakimi em sua casa. Chegou à 1h17 e saiu uma hora depois. Durante esse período, a queixosa alega que o futebolista a beijou e tentou tocar-lhe no peito e nas nádegas. Apesar da sua recusa, relata que o jogador a colocou sobre si e forçou uma relação sexual.
Segundo a queixosa, Hakimi teve um «comportamento animal, sem qualquer delicadeza», descrevendo-o como se estivesse «em privação de sexo». A mulher alega ter abandonado a residência do jogador por volta das 2h21.
Por sua vez, Achraf Hakimi sempre negou as acusações, quebrando o silêncio em janeiro de 2025 para afirmar que a interação se limitou a beijos consentidos e a uma carícia «na parte inferior das costas com o acordo dela». O jogador declarou: «Sei que esta acusação é falsa. Sinto-me tranquilo e estou concentrado no futuro. Deixo o assunto nas mãos dos meus advogados e da justiça».
A defesa de Hakimi alega que se trata de uma tentativa de manipulação por parte da jovem com o objetivo de lhe extorquir dinheiro. Para sustentar esta tese, aponta para trocas de mensagens suspeitas entre a mulher e uma amiga antes do encontro, bem como a sua recusa em submeter-se a exames ginecológicos, psicológicos ou a uma acareação com o jogador.