João Neves fez o segundo golo dos parisienses - Foto: IMAGO

PSG e Bayern voltam a jogar para a semana. Felizmente! (crónica)

Parisienses, com Vitinha, Nuno Mendes e João Neves, venceram os bávaros num dos duelos do ano e ganharam vantagem nas meias-finais da UEFA Champions League. Jogo teve tudo: nove golos, reviravoltas e grandes recuperações

Antes de começar a ler este texto, caro leitor, permita-me um aviso. Se não viu o jogo entre PSG e Bayern, e se tiver possibilidade de o fazer, faça-o. Porque os nove golos, a reviravolta, o futebol de ataque constante, os duelos vários entre as grandes figuras do futebol construíram, no Parque dos Príncipes, em Paris, um encontro digno de figurar em qualquer Louvre que exista dedicado ao desporto-rei.

O hino da UEFA Champions League foi antecedido pelo hino francês, A Marselhesa, e temas da saga Guerra das Estrelas. Fazia sentido: era prelúdio para um embate galáctico. Ambos os treinadores, Luis Enrique, o da casa, e Vincent Kompany, do lado visitante (e que não esteve no banco, devido a castigo), haviam assumido a vontade de encarar de frente o desafio. Os dois melhores ataques da prova cedo começaram a querer dar sinais de quererem marcar.

O PSG entrou com mais bola e Dembélé esteve perto de marcar ao minuto 12, mas Pavlovic impediu o disparo do gaulês. Do lado do Bayern, os contra-ataques começaram por ser arma poderosa e dos pés de Luis Díaz saiu o primeiro lance de golo: ao minuto 16, o sempre endiabrado ex-FC Porto tentou receber na área, mas foi derrubado por Pacho. Kane assumiu a grande penalidade e não vacilou.

O primeiro golo da partida assemelhou-se mais à abertura das comportas de uma barragem a abarrotar. Os bávaros cresceram, tiraram a capacidade de ter bola aos franceses e tentaram procurar a magia de Olise no 1 para 1 com Nuno Mendes junto à linha, mas deixaram espaços atrás. E logo depois de Dembélé falhar um dos golos mais fáceis da carreira, Doué aproveitou-se da liberdade que lhe é característica para vir da direita para a esquerda e servir Kvaratskhelia.

O georgiano colocou Stanisic numa teia. Temporizou, simulou, bailou e, no momento em que sentiu a mais pequena hesitação do oponente, tirou-o do caminho. Parecia que o lateral do Bayern tinha perdido o duelo ainda antes de ele começar. Com um remate rasteiro, fez o empate, aos 24'. Seis minutos depois, Olise viu o cruzamento não chegar ao destino graças a corte de João Neves contra o poste, e, aos 33', o internacional português foi à outra área, para, de cabeça, desviar o canto de Dembélé para o fundo das redes.

Se o primeiro golo do PSG galvanizou os anfitriões e as bancadas, o segundo, da reviravolta, deu ímpeto ao Bayern, que aproveitou as tentativas várias de pressão alta para lançar ataques. Stanisic só não finalizou aos 39' porque Hakimi fechou-lhe o caminho com um deslize providencial. Mas logo a seguir, o mágico Olise fez algo que lhe foi raro: apareceu no meio.

Parecia que ninguém estava a contar com a presença do esquerdino no centro do terreno. E este aproveitou isso para entrar na área e fuzilar a baliza de Safonov. Novo empate na capital francesa, quatro golos em 41 minutos. Cinco no primeiro tempo, porque, mesmo a acabar, Sandro Scharer, árbitro da partida, considerou penálti de Davies por mão na bola, que Dembélé tratou de converter.

3-2 ao intervalo. Cansava só de ver. A velocidade, os golos, as oportunidades e, diga-se também, as lacunas que as defesas iam deixando contribuíram para que os primeiros 45 minutos de futebol fossem dos melhores que 2025/26 tiveram para apresentar. Os treinadores tinham prometido futebol de ataque e não desiludiram. Muito pelo contrário. E ainda só vamos na história da primeira parte.

Dois minutos para fechar a eliminatória, três para voltar a abri-la

Regressados do descanso, os conjuntos não tiraram o pé do acelerador. O Bayern, porém, voltou a sofrer do mesmo mal do primeiro tempo: o espaço nas costas da defesa. Aos 56', um passe de Vitinha encontrou o sprint de Hakimi, que cruzou para Kvaratskhelia fazer o 4-2. E dois minutos depois, Dembélé recebeu de Doué, cortou para o meio e, com um disparo ao primeiro poste, alargou ainda mais a vantagem.

Os alemães chegavam à hora de jogo com um pé fora da final. Dois golpes em sucessão do blitz francês haviam aumentado a desvantagem forasteira para três golos. A solução: arregaçar as mangas. E Luis Díaz viria a assinar mais dois momentos-chave.

Foi o colombiano a ganhar a falta que, aos 65', resultou no livre cobrado por Kimmich para a cabeça de Upamecano. 3-5 no marcador. Três minutos depois, houve perfeição técnica. O passe de Kane desmarcou-o, a receção foi perfeita, a simulação sobre Marquinhos foi ótima e o remate foi indefensável. 4-5.

O resultado não sofreu mais alterações, apesar de mais um remate de Mayulu ao poste e de um cabeceamento de Kimmich cortado em cima da linha por Pacho. E agora... já se pode respirar. Paris Saint-Germain e Bayern Munique brindaram os adeptos do futebol com uma das mais fantásticas exibições da temporada. Foi a primeira vez que um jogo de uma meia-final da UEFA Champions League teve nove golos. Jogo aberto, sempre com o golo no pensamento de parte a parte, domínio partilhado, reviravoltas, empates e aproximações. O encontro-modelo do espetáculo que pode surgir quando se colocam os melhores frente aos melhores.

O que é que pode ser melhor que tudo isto? É que para a semana, na próxima quarta-feira, há mais!