Protagonista da final da Champions garante: «Vou sempre querer ficar no Sporting»
Herói e sofredor na final da Liga dos Campeões de futsal, Diogo Santos viveu uma noite de emoções extremas na conquista europeia do Sporting. Em entrevista a A BOLA, o ala leonino fala do golo decisivo, da expulsão, do sofrimento vivido no balneário e da ambição de continuar a ganhar de leão ao peito.
— É a segunda Champions que vence, mas esta tem um sabor mais especial, comparado com a outra, em 2021, pela preponderância que teve nesta caminhada?
Com certeza. Na outra, ainda estava a habituar-me à equipa, era jovem. Esta trouxe-me um sentimento de orgulho, foi muito especial. Ainda por cima por ter marcado na final e ter ajudado a equipa a conquistar o troféu. A outra foi um motivo de orgulho e fiquei bastante feliz, mas esta teve um sabor especial. Sinto que é muito mais minha.
— Renovou há pouco tempo com o Sporting e disse que o maior objetivo era voltar a conquistar a Liga dos Campeões. A que sabe ter concretizado esse sonho?
Sabe a muito, mas sabe a pouco, porque com a minha ambição de ganhar troféus, não quero parar por aqui. Quero voltar a ganhar a Champions para o ano e todos os troféus possíveis.
— Revivendo o dia da final, sentiu algum nervosismo antes do jogo?
Não sou uma pessoa muito nervosa. Claro que existe sempre aquela ansiedade antes de todos os jogos, especialmente, por ser uma final de Champions. Mas senti a equipa unida e que tínhamos mesmo muitas possibilidades de ganhar. Passei o dia com muita ansiedade, a comida nem descia, mas depois nos primeiros minutos tudo passou e, felizmente, correu bem. No momento em que a bola rola e os primeiros toques que dás na bola, ficas aliviado, toda a pressão vai embora e jogas naturalmente.
— Mas em cada ação do jogo está no subconsciente que é um jogo diferente e mais importante?
Claro. Não só nas finais, mas também nos dérbis com o Benfica. São os jogos mais difíceis que temos. Temos de ter aquele foco extra, porque são jogos de uma dificuldade acrescida. Qualquer erro vai-nos custar caro.
Assim que fiz a falta, tive noção que tinha feito porcaria. Quando me aleijei e estava no chão, já estava a pensar: 'Agora eles vão passar um sufoco de quatro para três, e se sofrerem golo...' Já me estava a culpar de tudo e mais alguma coisa. Felizmente, correu bem.
— Falando da final em si. Foi o protagonista, com dois momentos que são o oposto um do outro. Focando no golo, assim que a bola sai do Bernardo Paçó, já sabe que quer rematar?
Por acaso, prefiro sempre passar a bola e que os meus colegas façam golo. Mas, naquele momento, mal recebi a bola e vi que ficou bem enquadrada com a baliza, só pensei em chutar e marcar golo. Não era bem ali que eu queria que a bola passasse, até porque o remate foi de bico, por isso podia ir para qualquer lado, mas, felizmente, a bola entrou dentro da baliza.
— E quando a bola entra, o que sente nesse momento?
Uma felicidade do outro mundo. Só queria correr pelo campo, mas penseu que tinha de manter o foco no jogo. Só me apetecia correr e festejar com todos. Tento sempre focar-me e não me distrair do jogo. Mas claro, tento aproveitar o momento ao máximo.
— Falando do momento menos bom: a expulsão. Como lidou com isso?
Já me estava a culpar mal aquilo aconteceu. Assim que fiz a falta, tive noção que tinha feito porcaria. Quando me aleijei e estava no chão, já estava a pensar: 'Agora eles vão passar um sufoco de quatro para três, e se sofrerem golo...' Já me estava a culpar de tudo e mais alguma coisa. Felizmente, correu bem. A equipa, como é muito unida, como eu digo, somos mesmo uma família, conseguimos unir-nos todos.
— Viu o resto do jogo no balneário. Foi muito sofrimento?
Foi ainda pior. Se estivesse na bancada, ainda dava para gerir um bocadinho as emoções, mas no balneário é um sufoco estar ali fechado, sozinho, a ver o jogo no telemóvel. Era ouvir os adeptos a gritar, porque ao ver pelo telemóvel ouviam-se primeiro os adeptos e eu: 'Ai, o que é que aconteceu?'
— Qual foi o momento, depois desse sofrimento todo, em que começou a ficar mais aliviado?
Só quando soou o apito final. Consegui ficar mais aliviado quando foi o segundo golo, porque faltava pouco tempo. Eles já estavam em cinco para quatro, já sabia que podia ficar um bocadinho mais aliviado, mas mesmo assim com muitos nervos, porque estava de fora. Quando foi o apito final, soltou tudo e corri logo para dentro do campo.
— O vermelho foi o momento mais doloroso da noite ou aquele momento nos festejos quando caiu e partiu uma mesa foi pior?
[Risos] Mal subi para aquela mesa vi logo que aquilo não ia dar certo. Senti-a a tremer muito, mas mesmo assim fiquei, porque era a adrenalina do momento e só queria festejar. Ainda assim, foi pior o vermelho.
— A única lesão que houve foi a da mesa?
Foi. Felizmente. Eu estou bem.
— Depois da final, o Nuno Dias disse que a vossa exibição «roçou a perfeição» e que a vitória do Sporting não deixa dúvidas. Dentro de campo, na meia-final e na final, sentiam mesmo que eram melhores?
Sim. Sentimos desde a primeira parte contra o Cartagena. Mesmo a perder por 0-2, sentimos que estávamos por cima. Infelizmente, é o que tem acontecido em grande parte da temporada, a falta de eficácia. Temos falhado muito e isso está-nos a custar imenso. Mas nesta final four sentimos que fomos melhores em todos os jogos. Roçou mesmo a perfeição.
— E nesses momentos de ineficácia, qual é a vossa mentalidade?
Somos jogadores de elite e temos uma grande mentalidade. Sabemos que estamos no jogo a pecar nesse aspeto, mas o nosso foco continua o mesmo e sabemos que, mais tarde ou mais cedo, vai acabar por acontecer, porque temos jogadores com muita qualidade e muita experiência.
— Mas não há aquela frustração de ver a bola a não entrar?
Claro. E até já nos aconteceu nesta temporada, nos jogos que perdemos. Não conseguimos marcar e acabámos por perder. É uma frustração enorme. Na Champions, não havia essa frustração tão alta, porque sentíamos que estávamos melhor e que ia dar para nós.
— Qual foi para si o momento mais importante desta caminhada europeia?
O jogo que nos fez perceber mesmo que tínhamos dado o clique, que a equipa estava mais unida que nunca e que podíamos ganhar foi o jogo em casa com o Benfica.
— Falando desse jogo. Vocês estão habituados a jogar com o Benfica, mas sentiram era um jogo que tinha uma carga diferente?
Sim. Estávamos em desvantagem [Benfica venceu 4-3 na primeira mão]. Ainda por cima com o adversário que é. Mas tínhamos a tranquilidade que estávamos a jogar bem. Infelizmente, na primeira mão, sofremos o golo no último segundo, mas fomos com a mentalidade que em nossa casa ninguém pode pode ganhar. E foi isso que aconteceu, fizemos um grande jogo.
— Começaram a ganhar 4-0 com 5 minutos de jogo. Foi um melhor início do que esperavam?
Muito melhor. Entrámos com uma aceleração enorme, com um desenvolvimento do jogo enorme, com uma grande qualidade. Depois, relaxámos um bocado e abrandámos. Não é conscientemente. Acaba por acontecer inconscientemente. Nós, jogadores, que estamos dentro do campo, não queremos que isso aconteça. Mas qualquer atleta inconscientemente vai relaxar um bocado depois de estar a ganhar por 4-0. Ainda assim, sempre tivemos a cabeça dentro do jogo e o foco necessário. A nossa mentalidade foi o fator-chave para passarmos.
— Marcou o sexto golo do Sporting nesse jogo. Foi um dos jogos mais especiais da carreira?
Todos os jogos são especiais quando se joga no Sporting. É um orgulho vestir esta camisola. Mas, claro, quando marco é sempre um motivo enorme de alegria.
«Estou no melhor momento da carreira»
— Por falar em golos, esta época leva 31 golos, em 35 jogos. Sente que está no melhor momento da carreira?
Claramente. Sinto que tenho evoluído bastante. Não quero parar agora, não quero estagnar. Quero evoluir sempre mais e mais e tenho possibilidades para isso. Estou na melhor fase da minha carreira e estou feliz por fazer tantos golos e ajudar a equipa. Mas sinto que posso melhorar ainda mais.
— Em que aspetos evoluiu mais?
No foco que tenho dentro de campo e a experiência em certos momentos. Ainda sou um miúdo, tenho muito para crescer, mas tenho mais a experiência dentro de campo e foco, o não errar e não pecar em tantas coisas que eu pecava antigamente. É mais mental do que em termos de pés.
— A confiança que o treinador deposita em si também ajuda?
Sinto que ele está mais confiante no meu papel dentro da equipa. Sei bem o que tenho de fazer e as minhas qualidades. Não é só ter a confiança do mister, é preciso de confiar em mim mesmo e esta é a época em que confio mais no meu corpo e nas minhas capacidades.
— Falou-se muito que isto era uma 'última dança' para este grupo. Renovou há pouco tempo, o futuro a longo prazo passa pelo Sporting?
Como sportinguista, quero ficar o maior tempo possível no Sporting. Enquanto me quiserem, vou sempre querer ficar no Sporting.
— Não há a curiosidade de experimentar ligas estrangeiras?
Gostava de experimentar a liga espanhola, mas enquanto der no Sporting, quero ficar por cá.